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Bioeconomia brasileira: o que são os "créditos de carbono" e como empresas e agricultores estão lucrando com a floresta em pé 

Entenda como a preservação ambiental se tornou um ativo financeiro que movimenta bilhões e atrai produtores rurais e grandes corporações no Brasil 

23/04/2026 - 10h00min

Atualizada em: 23/04/2026 - 10h00min

Reprodução/Pexels
Floresta em pé como negócio: como o mercado de créditos de carbono está monetizando a preservação ambiental no Brasil.

A ideia de que uma floresta só gera riqueza quando é derrubada para dar lugar à pastagem ou à agricultura está sendo desafiada por um novo modelo econômico. No Brasil, manter a árvore em pé passou a ser um negócio lucrativo, impulsionado pela necessidade global de reduzir os gases de efeito estufa.

Essa mudança ocorre porque empresas e países que não conseguem reduzir suas emissões pagam para quem preserva ou recupera áreas verdes. O mercado de carbono surge como uma ferramenta para transformar a conservação em um produto financeiro, conectando a sustentabilidade ao desenvolvimento econômico.

Nesse cenário, agricultores e empresas brasileiras estão descobrindo formas de rentabilizar suas terras através de créditos de carbono e sistemas produtivos sustentáveis. Neste texto, nós vamos detalhar como o mercado de ativos ambientais funciona e de que maneira ele transforma a conservação em uma fonte de receita real para o campo.

O que são e como funcionam os créditos de carbono

O crédito de carbono funciona como uma "moeda" ambiental gerada a cada tonelada de dióxido de carbono que deixa de ser emitida para a atmosfera. Esse conceito surgiu formalmente com o Protocolo de Quioto em 1997, criando um sistema onde quem polui mais do que o permitido pode comprar créditos de quem polui menos.

Existem dois mercados principais: o regulado, onde governos estabelecem metas obrigatórias, e o voluntário, onde empresas buscam neutralizar suas emissões por iniciativa própria. Em ambos, o objetivo é incentivar financeiramente projetos que capturem carbono ou evitem o desmatamento, tornando a preservação mais barata do que a destruição.

Floresta em pé: o lucro através da preservação e agrofloresta

Empresas como a Reservas Votorantim estão demonstrando que áreas protegidas podem gerar recursos para sua própria manutenção e ainda dar lucro. A estratégia envolve não apenas a venda de créditos de carbono, mas também a gestão de ativos ambientais e o desenvolvimento de produtos sustentáveis que agregam valor à biodiversidade local.

Por outro lado, produtores rurais na Amazônia estão adotando agroflorestas que misturam árvores nativas com cultivos de alto valor, como cacau e açaí. Esse modelo permite restaurar terras degradadas, cumprir exigências legais e gerar múltiplas fontes de receita, sendo muitas vezes mais rentável que a pecuária tradicional no longo prazo.

Além disso, novas tecnologias como o biochar (biocarvão feito de resíduos agrícolas) surgem como catalisadores econômicos. Estudos mostram que o uso de biocarvão de bagaço de cana-de-açúcar pode aumentar a produtividade agrícola e sequestrar carbono no solo, criando novas oportunidades de créditos para médios e grandes produtores.

Riscos e desafios no mercado verde

Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios significativos relacionados à segurança jurídica e à integridade dos créditos. Recentemente, investigações revelaram casos de empresas utilizando terras públicas da União para gerar bilhões em créditos de forma irregular, o que acende um alerta sobre a necessidade de auditorias rigorosas e fiscalização.

Nesse cenário, a "dupla contagem" de reduções de emissão e a falta de regulação clara em áreas específicas podem comprometer a credibilidade dos ativos. Por isso, vale considerar que o sucesso desse mercado depende de uma estrutura que garanta que o benefício ambiental seja real, adicional e permanentemente monitorado.


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