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Computação quântica para leigos: o que é, por que o Brasil está investindo nisso e o que pode mudar na segurança digital, na medicina e nas finanças nos próximos anos

O avanço das tecnologias quânticas promete revolucionar o processamento de dados e a segurança da informação em escala global

26/03/2026 - 16h00min

Pierre Metivier/“2018 IBM Q”
Computadores quânticos usam qubits e princípios da física para processar informações em velocidades muito superiores às máquinas tradicionais

A computação tradicional, que utilizamos em nossos celulares e computadores, funciona com base em bits, que podem ser 0 ou 1. Imagine um interruptor que está apenas ligado ou desligado; essa é a base de tudo o que conhecemos digitalmente hoje.

No entanto, estamos entrando na era quântica, onde as máquinas utilizam "qubits". Diferente do bit comum, o qubit pode representar vários valores ao mesmo tempo graças a fenômenos da física, permitindo cálculos em velocidades antes consideradas impossíveis.

Essa tecnologia deixou de ser ficção científica para se tornar uma prioridade estratégica para governos e empresas em todo o mundo. A seguir, nós mostramos os fatores que ajudam a entender como essa tendência funciona na prática e o seu impacto no Brasil.

O diferencial da lógica quântica

Para entender essa inovação, precisamos olhar para conceitos como a superposição e o emaranhamento. A superposição permite que um qubit realize múltiplas operações simultâneas, enquanto o emaranhamento conecta partículas de forma que a mudança em uma afete instantaneamente a outra.

Isso significa que problemas complexos, que levariam anos para serem resolvidos pelos supercomputadores atuais, podem ser liquidados em segundos. É uma mudança de paradigma que afeta desde a forma como simulamos novos remédios até a logística de grandes cidades.

O investimento bilionário no Brasil

O Brasil está se posicionando de forma ambiciosa nessa corrida tecnológica. O governo federal prepara um plano nacional com previsão de investimentos de R$ 5 bilhões até o ano de 2034, envolvendo recursos públicos e privados.

Além do aporte financeiro, novas infraestruturas estão surgindo, como o Laboratório de Tecnologias Quânticas no Rio de Janeiro e propostas de centros de excelência na Paraíba. O objetivo é não apenas adquirir máquinas, mas formar profissionais e evitar a "fuga de cérebros" para o exterior.

Revolução na medicina e nas finanças

Na saúde, a tecnologia já mostra resultados práticos, como no InCor, em São Paulo, que utiliza computação quântica para processar dados genéticos e clínicos com mais privacidade e baixo custo. Isso permite identificar padrões de doenças cardíacas de forma muito mais precisa e rápida.

Já no setor financeiro, o impacto deve ocorrer na otimização de carteiras de investimentos e na análise de riscos em tempo real. Bancos e instituições buscam formas de tornar o mercado mais eficiente, reduzindo gargalos que os computadores clássicos ainda não conseguem superar.

O desafio da segurança digital

Vale considerar que essa evolução traz pontos de atenção críticos, especialmente para a nossa privacidade. Computadores quânticos potentes poderão, no futuro, quebrar as senhas e criptografias que protegem nossas contas bancárias e comunicações atuais.

Nesse cenário, surge a necessidade da criptografia pós-quântica e de tecnologias como o blockchain quântico. Empresas já trabalham para criar novos "escudos" digitais que sejam resistentes a esses ataques, garantindo que nossos dados continuem seguros no futuro.


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