
Sonhar com uma experiência internacional é algo comum, mas a necessidade de financiar a estadia muitas vezes transforma o planejamento de um intercâmbio em um grande desafio financeiro para muitas famílias. A possibilidade de trabalhar legalmente enquanto se estuda torna-se um fator decisivo para viabilizar esse projeto.
Nesse cenário, 2026 se apresenta como um ano atípico e favorável, pois diversos governos ajustaram suas políticas migratórias para enfrentar a escassez de mão de obra e o envelhecimento populacional. Países que antes mantinham regras rígidas agora criam mecanismos para facilitar a entrada de brasileiros qualificados e estudantes.
Entenda as novidades que facilitam intercâmbios "Work & Study" e quais destinos oferecem as melhores condições em 2026.
Abertura estratégica no continente europeu
A Europa tem liderado as mudanças nas regras de imigração laboral, impulsionada pela necessidade urgente de preencher vagas em setores essenciais. A Espanha, por exemplo, reformou seu Regulamento de Estrangeiros, simplificando procedimentos administrativos para autorizações de trabalho e estudo, o que resultou em um aumento nos pedidos de residência. Além disso, o país oferece caminhos para a cidadania após dois anos de residência legal para ibero-americanos.
A Alemanha também flexibilizou a entrada no país com o "Cartão de Oportunidades" (Chancenkarte), que permite a entrada de estrangeiros para buscar emprego por um período determinado, baseado em um sistema de pontos. Já a Itália ampliou suas cotas através do Decreto Flussi, programando quase 500 mil entradas autorizadas até 2028, além de oferecer vistos específicos para descendentes fora desse sistema de cotas.
Oportunidades na Oceania e América do Norte
Para quem busca destinos de língua inglesa, a Oceania mantém seu apelo com políticas claras de "Work & Study". A Austrália, por exemplo, permite que estudantes trabalhem até 48 horas quinzenais, facilitando o custeio de despesas em cidades com alta qualidade de vida. E a Nova Zelândia segue atrativa com o Working Holiday Visa, que autoriza brasileiros de 18 a 30 anos a permanecerem por até um ano combinando turismo e trabalho.
Já na América do Norte, o Canadá continua sendo um dos destinos mais procurados devido à segurança e ao ambiente multicultural. O país oferece permissão de trabalho de 20 horas semanais para estudantes de cursos com duração mínima de 24 semanas. Além disso, programas como o PGWP (Post-Graduation Work Permit) permitem que, após a conclusão do curso, o estudante permaneça trabalhando legalmente no país por até três anos.
Atenção às mudanças e restrições recentes
Apesar do clima de abertura, é fundamental manter a cautela e acompanhar as atualizações constantes, pois nem todas as portas permanecem abertas. Portugal, que historicamente foi um destino facilitado, suspendeu recentemente a manifestação de interesse e o visto de procura de trabalho nos moldes anteriores, restringindo o acesso a perfis de alta qualificação.
Além disso, autoridades alertam para o risco de fraudes e desinformação. Promessas de regularização fácil ou garantida sem o cumprimento dos requisitos legais (como comprovação financeira e matrícula em instituições credenciadas) devem ser encaradas com desconfiança.
A orientação oficial é buscar informações diretamente nos consulados e evitar intermediários não autorizados.
As mudanças nas políticas migratórias mostram que há, sim, oportunidades concretas para quem deseja estudar, trabalhar e construir uma experiência internacional relevante para o currículo e para a vida. Mas, mais do que escolher o destino “da moda”, o essencial é entender regras, prazos, exigências financeiras e perspectivas de permanência após o curso.
