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Consórcio em alta: com o crédito caro, as adesões explodiram em 2026 — quando compensa e quando é cilada 

O crescimento do setor reflete a busca por alternativas ao crédito tradicional em um cenário de juros elevados e maior planejamento financeiro

07/05/2026 - 16h36min

Reprodução/Pexels
Com juros altos no financiamento, consórcios ganham força entre brasileiros que planejam comprar imóveis, carros e outros bens.

Muitos brasileiros têm buscado formas de adquirir bens sem comprometer o orçamento com as altas taxas de juros do mercado. Esse movimento explica por que o sistema de consórcios atingiu recordes históricos recentemente, tornando-se uma ferramenta central de planejamento.

A relevância do tema cresce à medida que o acesso ao crédito tradicional se torna mais restrito ou caro, levando consumidores e investidores a avaliarem caminhos mais previsíveis para formar patrimônio. O interesse não é apenas por imóveis ou veículos, mas por uma estratégia de longo prazo.

Ao longo do texto, nós explicamos como essa modalidade funciona na prática e o que você deve colocar na ponta do lápis para não transformar um investimento em uma armadilha.

O cenário de recordes e as projeções para 2026

O sistema de consórcios fechou o ano de 2025 com marcas históricas, somando 5,16 milhões de novas adesões e ultrapassando a marca de 12,7 milhões de participantes ativos. Esse avanço de 15% nas vendas superou as expectativas iniciais do setor.

Para 2026, as projeções da ABAC indicam uma continuidade nesse ritmo, com crescimento estimado em até 11% para o sistema geral. O segmento imobiliário, especificamente, projeta uma expansão de 25%, consolidando-se como uma forte tendência de mercado.

Nesse cenário, a conscientização sobre educação financeira tem colocado o consórcio como uma opção racional frente às oscilações econômicas. A estabilização da inflação e a busca por um endividamento responsável sustentam esse otimismo.

Consórcio ou financiamento: a análise do custo-benefício

A principal diferença entre as modalidades reside na urgência e no custo: enquanto o financiamento oferece o bem de imediato, o consórcio exige paciência em troca de taxas de administração geralmente menores que os juros bancários.

Em 2026, com a taxa Selic em patamares que exigem cautela, esperar por juros menores no financiamento pode ser arriscado, pois o valor dos imóveis tende a continuar subindo. Por outro lado, o consórcio permite uma economia significativa no custo final, desde que o comprador não tenha pressa.

Vale considerar que a decisão deve ser estratégica e baseada no orçamento individual. Para quem possui capital para lances, o consórcio pode até reduzir o tempo de espera, unindo o planejamento à possibilidade de antecipação.

Os riscos e os cuidados para não cair em ciladas

Apesar das vantagens, o consórcio pode se tornar um problema se não houver planejamento. A desistência ou o cancelamento por falta de pagamento, embora comuns, podem levar a perdas financeiras ou à espera pelo sorteio dos excluídos para reaver valores.

Outro ponto de atenção é o "golpe do consórcio contemplado", que ainda faz vítimas ao prometer cartas de crédito imediatas mediante pagamentos antecipados. É fundamental verificar a idoneidade da administradora junto ao Banco Central antes de assinar qualquer contrato.

Nesse contexto, uma cota cancelada pode até virar oportunidade de negócio para quem sabe vender o título no mercado secundário, mas isso exige conhecimento das regras. O cuidado com promessas milagrosas é a maior defesa do consumidor.

Com o avanço da educação financeira e o peso dos juros no orçamento das famílias, o consórcio aparece como uma opção cada vez mais estratégica para quem pensa no longo prazo. Ainda assim, a modalidade exige planejamento, atenção aos contratos e cuidado com promessas de retorno rápido. Antes de entrar em um grupo, entender os riscos e avaliar a própria realidade financeira continua sendo o passo mais importante para transformar o investimento em patrimônio — e não em dor de cabeça.


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