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Cantina ou Marmita? A matemática real de se alimentar no campus durante 5 anos

Custos crescentes e rotina intensa desafiam o orçamento dos estudantes brasileiros 

19/04/2026 - 09h57min

Reprodução/Pexels
Entre filas e potes térmicos: a escolha entre bandejão e marmita pode pesar no bolso — e na rotina.

A alimentação é um dos pilares centrais da permanência estudantil. Mas os valores praticados nos restaurantes universitários (RUs) apresentam variações extremas no Brasil. Enquanto algumas instituições oferecem refeições por menos de R$ 1, outras chegam a cobrar R$ 15 ou mais de alunos sem auxílio.

Essa disparidade financeira, somada à inflação dos alimentos, tem levado muitos universitários a repensarem se o "bandejão" ainda é a opção mais vantajosa a longo prazo. Para quem encara uma graduação de cinco anos, cada centavo economizado e cada minuto gasto em filas contam no fechamento da conta mensal.

Neste texto, a ATL explica os pontos de atenção que você deve considerar para decidir a melhor opção para a sua realidade.

O peso do "bandejão" no bolso

O preço médio do almoço popular em 27 universidades federais é de R$ 3,75, mas a realidade varia conforme a região. Na UFMS e na UFPB, o custo para estudantes sem assistência pode chegar a R$ 15, totalizando cerca de R$ 300 mensais para quem faz apenas uma refeição por dia útil.

Por outro lado, instituições como a UFPI oferecem o almoço por R$ 0,80, tornando o RU uma opção imbatível financeiramente. Vale considerar que esses valores baixos dependem de subsídios governamentais, que nem sempre cobrem toda a comunidade acadêmica.

Dessa forma, o custo de cinco anos de graduação pode variar de menos de R$ 1.000 a mais de R$ 15.000 apenas com almoços em dias letivos. Para muitos, esse montante é o diferencial entre concluir o curso ou enfrentar dificuldades financeiras severas.

A economia invisível da marmita

O custo de uma marmita caseira de 400g a 500g varia entre R$ 3,30 e R$ 12,00, dependendo da proteína e dos custos com gás e embalagem.

Além disso, levar a própria comida é uma forma de economizar e manter uma alimentação equilibrada, considerando ingredientes básicos como arroz, feijão e legumes. Por este motivo, o hábito cresceu entre brasileiros que buscam evitar a alta de preços e garantir o controle nutricional das refeições.

Outro ponto positivo é que a marmita permite personalizar a dieta e evitar problemas como filas longas. Além de proteger o orçamento, essa escolha garante autonomia e segurança alimentar durante a jornada acadêmica.

Logística e qualidade do serviço

A escolha entre a cantina e a marmita também passa pela infraestrutura oferecida pela universidade. Relatos de condições insalubres e casos de intoxicação alimentar em alguns RUs terceirizados acendem um alerta sobre a segurança do que é servido.

Por outro lado, carregar recipientes exige planejamento para o armazenamento correto, já que alimentos podem estragar se não forem mantidos sob refrigeração adequada. O uso de potes herméticos de vidro é recomendado por nutricionistas para garantir a higiene e a consistência dos alimentos durante o dia.

É fundamental observar se o campus dispõe de refeitórios com micro-ondas e pias, pois a falta dessa estrutura pode tornar a rotina da marmita exaustiva e pouco prática. Sem esse apoio, o estudante acaba refém das filas do restaurante universitário, independentemente do preço cobrado.

No fim das contas, a melhor decisão é aquela que protege o orçamento sem sacrificar a saúde física e mental do estudante durante a jornada universitária. O planejamento semanal das refeições pode ser o primeiro passo para uma experiência acadêmica mais tranquila e sustentável.


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