
Muitos de nós já estamos acostumados a compartilhar casas no Airbnb ou carros por aplicativos, mas a ideia de alugar o guarda-roupa ainda é uma novidade para parte do público. Essa prática tem ganhado força com a entrada de grandes marcas de varejo e plataformas digitais especializadas no setor.
A tendência promete unir o desejo de vestir algo novo com a necessidade de reduzir o desperdício têxtil, especialmente em eventos especiais. No entanto, entre as facilidades do aluguel e os custos ocultos, surgem dúvidas sobre a viabilidade dessa escolha a longo prazo.
A seguir, nós mostramos os fatores que ajudam a entender se essa escolha faz sentido para a sua realidade.
Modelos de aluguel e acessibilidade financeira
O aluguel de moda não se limita mais apenas a vestidos de gala para celebridades, abrangendo agora desde o alto luxo até o vestuário casual. Existem modelos de locação direta entre pessoas, assinaturas mensais e parcerias onde a própria marca gerencia o aluguel de suas peças.
Em termos de valores, o custo de um aluguel gira em torno de 10% do preço de venda do item, o que permite usar peças de milhares de reais por uma fração do preço. Para itens de marcas populares, existem ofertas que permitem alugar múltiplos looks por valores semelhantes ao que se gastaria em uma loja de departamento.
No entanto, vale considerar que o acúmulo de aluguéis frequentes pode pesar no orçamento tanto quanto a compra de peças novas. A gratificação instantânea de um look novo todo final de semana pode mascarar um gasto contínuo que não gera patrimônio no guarda-roupa.
O dilema da sustentabilidade real
A promessa de uma "moda circular" é um dos maiores atrativos, já que alugar permite que uma única peça seja usada dezenas de vezes em vez de ficar parada no armário. Estender a vida útil de uma roupa por apenas nove meses pode reduzir significativamente suas pegadas de carbono e resíduos.
Por outro lado, o impacto ambiental do transporte logístico e da limpeza constante das peças é um ponto crítico levantado por especialistas. O vai e vem de encomendas e o uso de produtos químicos para higienização podem, em alguns casos, mitigar os benefícios ecológicos de não comprar o item novo.
Nesse cenário, algumas empresas buscam soluções como entregas por veículos elétricos e métodos de limpeza menos agressivos ao meio ambiente. Ainda assim, a produção ética e os materiais sustentáveis continuam sendo um desafio para a indústria como um todo.
Desafios operacionais e a visão das marcas
Para as empresas, o aluguel é uma forma de atrair novos clientes e evitar o “canibalismo” das vendas tradicionais, expandindo o alcance da marca. É uma oportunidade de reintroduzir produtos para consumidores que antes os ignorariam devido ao preço elevado.
Apesar do potencial, muitas startups de aluguel enfrentam dificuldades para alcançar o lucro devido aos altos custos de armazenamento, lavanderia e logística. O processo de inspecionar cada peça minuciosamente após o uso exige tempo e infraestrutura cara.
É possível observar que as marcas de luxo estão preferindo colaborar com plataformas já estabelecidas em vez de competir com elas. Isso lhes permite testar o modelo de locação sem comprometer totalmente sua estrutura de vendas diretas.
