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Relatos no Lollapalooza Brasil reacendem discussões sobre acessibilidade em festivais

Experiência de fã autista expõe falhas na estrutura inclusiva do festival, que por lei deve garantir acessibilidade em eventos de grande porte

23/03/2026 - 19h06min

Reprodução/X
Mariana Ferreira relatou problemas com falta de acessibilidade no Lollapalooza Brasil 2026.

A discussão sobre acessibilidade em grandes eventos voltou ao centro das atenções após o relato de Mariana Ferreira, autista nível 1 de suporte, sobre sua experiência no Lollapalooza Brasil 2026. Pelas redes sociais, ela detalhou dificuldades enfrentadas durante o festival, levantando questionamentos sobre o cumprimento das normas de inclusão e a efetividade das estruturas oferecidas ao público com deficiência.

Entre as principais queixas, Mariana apontou a ausência de banheiros apropriados e a falta de filas preferenciais para acesso a espaços e ativações, além de superlotação nos espaços. Segundo ela, até mesmo a área destinada ao público PCD apresentou limitações, com capacidade insuficiente para atender à demanda e infraestrutura inferior à disponível em outras partes do evento.

Veja o relato completo:

Existe uma lei de acessibilidade em shows e festivais?

Apesar de não existir uma legislação específica voltada exclusivamente para shows e festivais, eventos desse porte são obrigados a seguir a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), em vigor desde 2016.

A norma determina que espaços públicos e privados de uso coletivo, como festivais de música, garantam condições adequadas de acessibilidade. Nos últimos anos, a legislação foi ampliada com a Lei nº 15.249/2025, que reforça especialmente aspectos de comunicação, como sinalização e uso de símbolos acessíveis.

A acessibilidade no Lollapalooza Brasil

No site oficial, o festival afirma ser “plural” e garantir oportunidades iguais para todos, destacando a presença de uma equipe especializada e iniciativas como central de acessibilidade, distribuição de kits sensoriais, tradução em Libras, plataforma de visibilidade e audiodescrição detalhada

Ainda assim, os relatos nas redes sociais mostram um cenário diverso: enquanto alguns usuários relataram suporte adequado, outros reforçaram dificuldades semelhantes às descritas por Mariana.

O caso reacende um debate recorrente sobre inclusão em grandes eventos no Brasil: mais do que prometer acessibilidade, é preciso garantir que ela funcione na prática, com estrutura adequada e proporcional ao público atendido. O festival ainda não se pronunciou sobre o caso.


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