
A discussão sobre acessibilidade em grandes eventos voltou ao centro das atenções após o relato de Mariana Ferreira, autista nível 1 de suporte, sobre sua experiência no Lollapalooza Brasil 2026. Pelas redes sociais, ela detalhou dificuldades enfrentadas durante o festival, levantando questionamentos sobre o cumprimento das normas de inclusão e a efetividade das estruturas oferecidas ao público com deficiência.
Entre as principais queixas, Mariana apontou a ausência de banheiros apropriados e a falta de filas preferenciais para acesso a espaços e ativações, além de superlotação nos espaços. Segundo ela, até mesmo a área destinada ao público PCD apresentou limitações, com capacidade insuficiente para atender à demanda e infraestrutura inferior à disponível em outras partes do evento.
Veja o relato completo:
Existe uma lei de acessibilidade em shows e festivais?
Apesar de não existir uma legislação específica voltada exclusivamente para shows e festivais, eventos desse porte são obrigados a seguir a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), em vigor desde 2016.
A norma determina que espaços públicos e privados de uso coletivo, como festivais de música, garantam condições adequadas de acessibilidade. Nos últimos anos, a legislação foi ampliada com a Lei nº 15.249/2025, que reforça especialmente aspectos de comunicação, como sinalização e uso de símbolos acessíveis.
A acessibilidade no Lollapalooza Brasil
No site oficial, o festival afirma ser “plural” e garantir oportunidades iguais para todos, destacando a presença de uma equipe especializada e iniciativas como central de acessibilidade, distribuição de kits sensoriais, tradução em Libras, plataforma de visibilidade e audiodescrição detalhada.
Ainda assim, os relatos nas redes sociais mostram um cenário diverso: enquanto alguns usuários relataram suporte adequado, outros reforçaram dificuldades semelhantes às descritas por Mariana.
O caso reacende um debate recorrente sobre inclusão em grandes eventos no Brasil: mais do que prometer acessibilidade, é preciso garantir que ela funcione na prática, com estrutura adequada e proporcional ao público atendido. O festival ainda não se pronunciou sobre o caso.

