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O rádio acabou? Talvez o problema esteja na nossa percepção

Mesmo em meio ao avanço do streaming e dos algoritmos, o rádio mantém uma característica que as plataformas digitais ainda não conseguem reproduzir: a presença humana

14/08/2026 - 12h34min

Reprodução/Pexels
O rádio acabou? Talvez o problema esteja na nossa percepção

O maior desafio do rádio talvez não seja competir com o Spotify, e sim a percepção de que ele deixou de existir. Faz 25 anos que eu trabalho no rádio e é óbvio que eu já pensei sobre isso infinitas vezes: “O rádio acabou, o que será de mim?”.

Talvez tu não tenha se questionado dessa forma, mas, conforme o tempo foi passando, as melancias foram se ajeitando e as novas maneiras de consumir conteúdo foram se consolidando. Foi o que mostrou uma pesquisa sobre o consumo de áudio nos EUA no primeiro trimestre de 2026.

Mas como explicar que justamente quem cresceu com o streaming ainda dedica tanto tempo ao rádio?

Nostalgia vs Fadiga de decisão

Quando eu ia à locadora, eu tinha grandes problemas em escolher um filme. Era muito mais fácil quando o atendente me dava uma dica. Eu já cheguei a comer toda a pipoca tentando escolher um filme na Netflix! Existe até um nome para isso: fadiga de decisão.

Quanto mais decisões a gente toma ao longo do dia, mais tende a preferir experiências que exigem menos esforço. E o rádio resolve esse problema da decisão. Você liga o rádio e a decisão do que vai ouvir não é mais tua: é uma curadoria 24 x 7 feita por humanos. Claro, podemos trocar de rádio se desejarmos, mas essa lógica não muda.

Tem outra coisa, eu poderia estudar de madrugada ouvindo meu iPod. Mas, acredite, eu preferia ouvir Crash Test Dummies e Legião Urbana porque entre uma música e outra tinha o Mister Pi trovejando com sua voz no FM: "Aí está”.

O rádio é isso. Tem alguém falando com a gente, tem humor, tem interação entre os comunicadores. A gente relaxa ouvindo o rádio. Nos dá uma sensação de pertencer a alguma coisa, uma roda de conversa, uma linha de raciocínio, uma provocação.

Em resumo, o rádio entrega presença humana, algo que um algoritmo, sozinho, não consegue oferecer.

O rádio é uma ferramenta de descoberta

Quer saber outra percepção que temos? O algoritmo promete descoberta, sim. Mas, bem na real, ele parte do que a gente já demonstrou gostar. Penso que isso é limitar as nossas descobertas, não é?

Já o rádio mistura sucessos, lançamentos, clássicos, artistas locais, novidades. Ou seja, um ambiente imprevisível e diversificado.

Para fechar, eu não condeno o algoritmo. Muito pelo contrário, assim como você eu uso muito. Eu só continuo achando o rádio mágico, pois mesmo tendo acesso a todas as plataformas do mundo, milhões de pessoas continuam dedicando uma quantidade enorme do seu dia ao rádio.

Confira o vídeo na íntegra:



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