
Contrariando tudo o que se esperava de Rihanna, ANTI (2016) se apresenta como o perfeito oposto de seus antecessores, Talk That Talk (2011) e Unapologetic (2012), responsáveis por uma sequência quase interminável de hits explosivos. As faixas do projeto apresentam uma artista madura, vulnerável e completamente livre da persona criada durante os primeiros anos de sua carreira.
Entre 2005 e 2012, a artista lançou praticamente um álbum por ano, um ritmo frenético até mesmo para os padrões da indústria pop. Foi então que decidiu fazer exatamente o contrário do que todos esperavam: passou quase quatro anos sem lançar um disco inédito para construir aquele que se tornaria seu último álbum de estúdio.
E não foi por acaso. ANTI é considerado seu trabalho mais pessoal, desafiador e honesto. O projeto caminhou na direção oposta do pop comercial que dominava a década de 2010 e a transformou de uma fabricante de sucessos radiofônicos em uma artista disposta a correr riscos criativos.
Por isso, dez anos depois, ANTI continua sendo apontado por fãs e crítica como o álbum mais importante de sua trajetória.
O álbum que mudou a carreira de Rihanna
Lançado em 28 de janeiro de 2016, ANTI é o oitavo álbum de estúdio de Rihanna e marcou uma ruptura completa com a fórmula que havia transformado a cantora em um dos maiores nomes do pop mundial.
O disco possui apenas duas participações especiais: SZA na faixa de abertura, “Consideration”, e Drake em “Work”, single que estreou diretamente no topo da Billboard Hot 100 e permaneceu semanas entre as músicas mais ouvidas do mundo.
Outro dos momentos mais comentados do álbum é “Same Ol' Mistakes”, releitura de “New Person, Same Old Mistakes”, lançada poucos meses antes pela banda australiana Tame Impala no álbum Currents. Em vez de apenas reinterpretar a música, Rihanna incorporou sua atmosfera psicodélica ao universo sonoro de ANTI.
A edição deluxe ainda acrescentou três faixas: Goodnight Gotham, Pose e Sex With Me, esta última transformada em uma das favoritas dos fãs.
Lançamento antecipado após vazamento
A expectativa em torno do R8 se arrastava havia meses. Rihanna adiava constantemente a estreia do álbum, enquanto isso aumentava o mistério sobre sua nova fase artística.
Inicialmente previsto para chegar às plataformas em 29 de janeiro, o projeto acabou sendo disponibilizado um dia antes. Após o vazamento de parte do material na internet, a cantora decidiu antecipar o lançamento.
A cantora disponibilizou o disco gratuitamente por tempo limitado no Tidal, serviço de streaming comandado por Jay-Z. A estratégia acabou transformando o lançamento em um dos assuntos mais comentados da indústria musical naquele momento.
Um álbum que desafiou a indústria pop
Mesmo sem repetir a sequência de singles radiofônicos de seus discos anteriores, ANTI rapidamente provou sua força.
O projeto estreou no topo da Billboard 200, tornando-se o segundo álbum de Rihanna a alcançar a primeira posição da parada americana, repetindo o feito de Unapologetic.
Nos Estados Unidos, recebeu certificação de seis discos de platina e foi indicado a seis categorias do Grammy Awards de 2017, incluindo Melhor Álbum Urbano Contemporâneo e Melhor Performance de Duo/Grupo por Work. Apesar de não conquistar nenhuma estatueta, consolidou-se como um dos trabalhos mais influentes daquela década.
Anos depois, ANTI ainda renderia outro recorde histórico: Rihanna tornou-se a primeira cantora negra a permanecer mais de 500 semanas na Billboard 200 com um mesmo álbum.
A capa revolucionária

A identidade visual de ANTI também entrou para a história.
A capa foi criada pelo artista israelense Roy Nachum, apresentado à cantora por Jay-Z. Em parceria com Chloe Mitchell, foram produzidos sete poemas inéditos transcritos em braile na capa, contracapa e encarte do disco.
Foi a primeira vez que um álbum utilizou braile físico como parte integrante de sua arte gráfica.
As obras originais chegaram a ser expostas em uma galeria de Los Angeles durante o lançamento do projeto.
Dez anos depois de ANTI
Desde o lançamento do álbum, Rihanna ampliou sua atuação muito além da música.
Em 2017, fundou a Fenty Beauty, marca que revolucionou o mercado de cosméticos ao apostar em uma ampla diversidade de tons de pele e transformou a artista em uma das empresárias mais bem-sucedidas do entretenimento.
Na atuação, participou da série Bates Motel e estrelou o filme Oito Mulheres e um Segredo. Também colaborou com artistas como Kendrick Lamar, DJ Khaled e diversos outros nomes da música internacional.
E a vida pessoal da cantora também foi agitada. Em 2020, ela iniciou o relacionamento com o rapper A$AP Rocky e o casal teve o primeiro filho, RZA, em maio de 2022.
No ano seguinte, Rihanna fez história ao se tornar a primeira artista a se apresentar grávida no show do intervalo do Super Bowl, revelando durante a apresentação que esperava o segundo filho, Riot, que nasceu ainda em 2023. E em 2025, o casal deu as boas-vindas à filha Rocki.
Mesmo sem lançar um novo álbum, Rihanna retornou à música em 2022 com Lift Me Up e Born Again, gravadas para a trilha sonora de Pantera Negra: Wakanda Forever. As canções renderam indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro.
Um legado que continua crescendo
Uma década depois de seu lançamento, ANTI permanece como um divisor de águas na carreira de Rihanna e um dos discos mais influentes da sua carreira.
E o fato de o álbum continuar sendo seu último trabalho de estúdio também contribuiu para fortalecer seu status quase místico. Enquanto a artista consolidou um império nos negócios, na moda e na beleza, milhões de fãs seguem aguardando, ano após ano, o tão comentado "R9".

