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ÁLBUM MARCOU A HISTÓRIA DO QUEEN

Há 40 anos, o Queen lançava ‘A Kind of Magic’, álbum que marcou a última grande era de Freddie Mercury

Impulsionado pela histórica Magic Tour, o disco trouxe clássicos como “Who Wants To Live Forever” e “Friends Will Be Friends” e se tornou um dos marcos da fase final da banda.

03/06/2026 - 12h01min

Reprodução
Banda Queen em 1986.

Há 40 anos, em 3 de junho de 1986, o Queen lançava um dos álbuns mais emblemáticos de sua carreira: A Kind of Magic.

O décimo segundo disco de estúdio da banda chegou em um momento especial. Pouco tempo após a consagradora apresentação no Live Aid, que ajudou a transformar o grupo em um verdadeiro patrimônio cultural britânico.

O Queen vivia uma fase de renovação artística e popularidade renovada.

O álbum apresentou alguns dos grandes clássicos da reta final da trajetória de Freddie Mercury ao lado da banda, incluindo “A Kind of Magic”, “Who Wants To Live Forever”, “Friends Will Be Friends” e “Princes of the Universe”.

Quatro décadas depois, o disco segue ocupando um lugar singular na discografia do grupo. Representando o encontro entre cinema, tecnologia e uma das últimas grandes fases do Queen com sua formação clássica.

O álbum que recolocou o Queen no topo

Reprodução/Divulgação
Capa do álbum 'A Kind Of Magic' (1986), do Queen.

O lançamento de A Kind of Magic aconteceu em um momento importante para a banda.

Nos Estados Unidos, parte do público parecia ter se afastado após Hot Space (1982), álbum que apostou em influências do disco e do funk e dividiu opiniões entre fãs e críticos.

Mas a situação era diferente no Reino Unido. Impulsionado pela repercussão do Live Aid e pelo sucesso dos novos singles, o Queen voltou ao topo das paradas britânicas: o álbum permaneceu por 63 semanas nos rankings do país e conquistou certificação de platina dupla.

Mais do que um sucesso comercial, o álbum ajudou a reafirmar a relevância da banda em uma década marcada por transformações profundas no mercado musical.

O processo de produção e a aposta na tecnologia digital

A produção de A Kind of Magic também refletiu um período de mudanças tecnológicas na indústria.

Ao lado da banda, os produtores Reinhold Mack e David Richards decidiram explorar os recursos da então emergente tecnologia digital. Apesar da modernização dos equipamentos, o processo não foi exatamente rápido.

As gravações se estenderam por vários meses e só foram concluídas em abril de 1986, após passagens pelos estúdios Musicland, em Munique, Mountain Studios, em Montreux, e Townhouse Studios, em Londres.

Quando foi lançado, o projeto também entrou para a história por se tornar o primeiro álbum do Queen disponibilizado em CD.

A versão em disco compacto trazia um atrativo extra para os fãs: três faixas exclusivas que não estavam presentes no LP tradicional. Eram elas “A Kind Of A Kind Of Magic”, “Friends Will Be Friends Will Be Friends” e “Forever”, uma releitura para piano de “Who Wants To Live Forever” acompanhada por novos arranjos.

Em uma época em que os tocadores de CD ainda eram novidade, os conteúdos adicionais ajudaram a impulsionar as vendas do formato digital.

A conexão com Highlander

É impossível falar sobre A Kind of Magic sem mencionar Highlander.

O filme estrelado por Christopher Lambert foi um dos grandes responsáveis por impulsionar o álbum e estabelecer sua identidade. O próprio título do disco nasceu de uma fala do protagonista Connor MacLeod ao comentar sua condição de imortal.

Lançado alguns meses antes do álbum, Highlander utilizou várias músicas do Queen em momentos importantes da narrativa. A conexão foi tão forte que muitas pessoas passaram a enxergar o projeto quase como uma trilha sonora não oficial do longa.

Entre as faixas mais associadas ao filme está “Princes of the Universe”, escolhida como tema principal da produção e que se tornaria uma das canções mais celebradas pelos fãs.

Outra música de destaque é “One Vision”, faixa de abertura do disco. Composta principalmente por Roger Taylor, embora creditada a toda a banda. 

A canção mistura bateria eletrônica, efeitos vocais experimentais e referências ao famoso discurso “I Have a Dream”, de Martin Luther King Jr.

Uma versão remixada da música chegou às lojas meses antes do lançamento do álbum completo, servindo como uma prévia da nova fase do grupo.

A Magic Tour e a despedida silenciosa de Freddie Mercury

Cinco dias após o lançamento do projeto, o Queen voltou à estrada para a histórica Magic Tour.

A turnê passou por diversos países europeus e reuniu mais de um milhão de espectadores ao longo de apresentações completamente esgotadas.

Entre os momentos mais marcantes estão os shows realizados no Wembley Stadium, em Londres, diante de mais de 70 mil pessoas por noite, além das apresentações em Maine Road, Rayo Vallecano e Knebworth Park.

Realizado em 9 de agosto de 1986, o show em Knebworth reuniu cerca de 200 mil pessoas. Além do grande público, o espetáculo entrou para a história como a última apresentação ao vivo de Freddie Mercury com o Queen.

Na época, ninguém imaginava que aquela seria a despedida definitiva do vocalista dos palcos ao lado da banda. Anos depois, com a revelação de sua luta contra a AIDS, o espetáculo ganhou um significado ainda mais emocionante para os fãs.

Um sucesso de público, mas nem tanto de crítica

Embora tenha conquistado o público, A Kind of Magic recebeu avaliações bastante divididas da imprensa especializada.

Na revista Rolling Stone, o crítico Mark Coleman reconheceu que o Queen vivia um momento de enorme visibilidade após o Live Aid, mas questionou se o álbum seria capaz de sustentar esse impulso. Para ele, o disco representava uma coroação comercial, mas mostrava sinais de desgaste criativo.

A revista People Weekly foi ainda mais dura. A publicação afirmou que o envolvimento da banda com trilhas sonoras teria ampliado uma característica já presente em seus trabalhos anteriores: o excesso de melodrama.

A crítica argumentava que faltava intimidade e expressão pessoal em boa parte das músicas.

Por outro lado, o álbum também encontrou defensores. O jornal britânico The Times classificou o trabalho como um dos lançamentos mais bem-sucedidos daquele ano.

Já a revista Kerrang! destacou a capacidade do Queen de trabalhar com estilos variados dentro das limitações impostas por um projeto conectado ao cinema. Para a publicação, poucas bandas seriam capazes de reunir canções tão diferentes em um mesmo disco sem decepcionar grande parte de sua base de fãs.

Ouça A Kind Of Magic (1986), do Queen

Quarenta anos depois, A Kind of Magic permanece como um dos capítulos mais importantes da história do Queen. O álbum não apenas consolidou o renascimento comercial da banda após o Live Aid, como também deixou um legado de canções que atravessaram gerações.



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