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“Let Me Be”: conheça a hsitória da música feita com IA que viralizou no TikTok

Faixa de Elvin Cena mistura Afrobeats e inteligência artificial, domina challenges nas redes sociais e levanta debates sobre o futuro da música

09/05/2026 - 12h17min

Divulgação
Elvin Cena viralizou nas redes sociais com “Let Me Be”, faixa produzida com auxílio de inteligência artificial.

Talvez você já tenha sido impactado pelo novo challenge viral do TikTok, o “Let Me Be Dance”. A coreografia acompanha “Let Me Be”, faixa do cantor e produtor de Afrobeats Elvin Cena que ganhou destaque nas redes sociais por ter sido produzida com auxílio de inteligência artificial.

A música rapidamente viralizou e entrou nas paradas musicais da Europa e da África, alcançando o 12º lugar na França e o top 10 em países como Quênia e Tanzânia. Com uma melodia suave e elementos característicos do Afrobeats, a faixa se transformou em um dos maiores fenômenos recentes da internet.

Antes de entender como “Let Me Be” se tornou um sucesso global, é importante conhecer a história por trás do artista responsável pela canção.

Quem é Elvin Cena

Elvin Cena, nome artístico de Benimana Hervé, tem 21 anos e nasceu em Kigali, capital de Ruanda. Cantor, produtor musical e estudante, ele integra uma nova geração de artistas ruandeses que vêm conquistando espaço internacional com o Afrobeats.

Sua trajetória na música começou em 2020, com o lançamento do single “Ma Go”. Desde então, o artista vem expandindo seu alcance e consolidando sua presença na cena musical africana.

Como o fenômeno “Let Me Be” surgiu

“Let Me Be” havia sido gravada cerca de seis meses antes do lançamento oficial. Apesar de já ter criado a letra e a melodia, Cena ficou insatisfeito com o resultado e decidiu engavetar a faixa.

Ainda desacreditado do potencial da música, o cantor resolveu experimentar a plataforma de geração musical Suno AI. A partir disso, remodelou a faixa e adicionou, no segundo verso, uma voz feminina criada digitalmente.

A canção, originalmente publicada em fevereiro no perfil intitulado “The Second Voice”, acumulou um total de 17 milhões de reproduções antes de ser transferida, em março, para o canal oficial do cantor. Atualmente, a canção soma mais de 10 milhões de visualizações no YouTube.

A música está disponível em plataformas de streaming como Spotify (onde já soma mais de 29 milhões de streams) e Apple Music sob o mesmo codinome e o motivo foi explicado por Cena em entrevista à revista Okay Africa. Segundo o artista, ele não queria “ser associado à IA em 100% dos casos”.

Inicialmente, o cantor hesitou em lançar a música em seus canais oficiais justamente por conta dos elementos gerados por inteligência artificial. Em vez disso, publicou a faixa em 8 de fevereiro em um canal separado do YouTube chamado “The Second Voice”.

A decisão mudou após o crescimento da popularidade da música. Com o sucesso nas redes e nas plataformas de vídeo, Cena decidiu associar oficialmente seu nome ao projeto e lançou um vídeo creditado como “The Second Voice featuring Elvin Cena”.

Depois que atingiu um milhão de visualizações, vi que a música estava subindo em muitas paradas. Adicionei meu nome para também promover meu trabalho e meu nome, porque este projeto também é meu.

ELVIN CENA

O debate sobre IA na música

O crescimento de “Let Me Be” também abriu discussões sobre transparência no uso de inteligência artificial na música. Isso porque muitas pessoas sequer sabem que os vocais femininos da faixa não pertencem a uma cantora real.

Ainda assim, Cena não vê a situação como um problema. Para ele, a tecnologia representa “apenas o começo do futuro”. O artista compara a resistência atual à IA ao ceticismo que existia em relação à internet nos primeiros anos de popularização.

Mesmo defendendo o uso da tecnologia, o cantor ressalta que a inteligência artificial deve funcionar como complemento criativo, e não como substituição da arte humana. Segundo ele, a essência de “Let Me Be”, incluindo letra e melodia, continua sendo totalmente autoral.

Use isso para ter algumas ideias, não para usar 100%.

ELVIN CENA

Para Cena, toda a repercussão em torno da música ainda parece surreal. O cantor revelou que criou “Let Me Be” em menos de uma hora e se surpreendeu ao ver a faixa se transformar em um fenômeno global. “É uma loucura. Desde 2020 venho trabalhando, mas nunca fiz uma música assim.”

No meio das discussões sobre autenticidade e criatividade, o sucesso de “Let Me Be” também mostra como a inteligência artificial pode abrir novas possibilidades para a indústria musical. Ferramentas de IA já vêm sendo utilizadas para acelerar processos de produção, testar sonoridades e ampliar o acesso de artistas independentes a recursos antes restritos aos grandes estúdios.

Ao mesmo tempo, o avanço da tecnologia também levanta questionamentos importantes sobre transparência, direitos autorais e os limites entre criação humana e geração automatizada. 

O caso de Elvin Cena evidencia justamente esse cenário: a IA pode funcionar como aliada criativa e impulsionar novos talentos, mas seu uso exige cautela para que a tecnologia complemente a arte, sem apagar a identidade e o trabalho dos artistas.



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