
Entre memes de golfinhos arco-íris, vídeos nostálgicos no TikTok e uma indicação inédita ao Grammy, Zara Larsson vive hoje o auge de uma trajetória marcada por altos e baixos. A cantora sueca, que chegou ao topo das paradas ainda adolescente com hits como “Lush Life” e “Symphony”, passou anos tentando recuperar o mesmo impacto comercial de seus primeiros sucessos globais.
Agora, em 2026, Larsson retorna ao Brasil para sua terceira passagem pelo país. A artista está confirmada no Rock in Rio e sobe ao Palco Sunset no dia 13 de setembro, impulsionada pelo sucesso do álbum “Midnight Sun” e por uma reviravolta improvável: um meme viral que transformou uma música lançada há sete anos em hit novamente.
O início de Zara Larsson
A trajetória de Zara Larsson começou cedo. Aos dez anos, ela venceu o programa de talentos sueco “Talang”, versão local do “Got Talent”, e rapidamente passou a ser tratada como uma promessa do pop europeu.
O sucesso internacional veio em 2015, quando “Lush Life” explodiu nas rádios e plataformas digitais. Pouco tempo depois, a cantora consolidou seu espaço na indústria com o álbum So Good, lançado em 2017, que reuniu alguns dos maiores hits da carreira, como “Ain’t My Fault”, “Never Forget You” e “Symphony”, parceria com Clean Bandit.
Na época, tudo indicava que Larsson seria uma das próximas grandes superestrelas do pop mundial. Mas os anos seguintes não foram tão simples.
As críticas e o desgaste na indústria
Apesar da popularidade inicial, os projetos seguintes da cantora dividiram opiniões. Álbuns como Poster Girl (2021) e Venus (2024) não repetiram o mesmo impacto comercial dos trabalhos anteriores e passaram a receber críticas de parte da imprensa especializada, que apontava uma suposta repetição de fórmulas no som da artista.
Além das discussões musicais, Larsson também se tornou alvo frequente de ataques nas redes sociais por seus posicionamentos políticos e sociais. A cantora se posicionou publicamente em defesa dos direitos palestinos e contra a masculinidade tóxica, o que gerou polarização online.
Durante esse período, a artista falou abertamente sobre desgaste emocional, pressão da indústria e dificuldades para encontrar uma identidade artística que equilibrasse sucesso comercial e autenticidade.
O meme do golfinho arco-íris que mudou tudo
A virada começou de forma inesperada. Lançada originalmente em 2017, “Symphony” voltou a viralizar nas redes sociais graças ao meme do “golfinho arco-íris”, que utilizava o trecho “I just wanna be part of your symphony” em vídeos caóticos e bem-humorados no TikTok.
O meme rapidamente tomou conta da plataforma e apresentou a música para uma nova geração. Em poucos meses, a faixa voltou às paradas globais e recuperou números impressionantes nas plataformas de streaming.
Em vez de ignorar a tendência, Larsson abraçou completamente a brincadeira. A cantora compartilhou memes, interagiu com fãs nas redes sociais e até incorporou referências aos golfinhos arco-íris nos visuais de seus shows.
A postura ajudou a aproximar a artista do público mais jovem e reforçou sua imagem como uma cantora conectada à cultura da internet.
Midnight Sun e a reinvenção estética
O novo momento da carreira ganhou força definitiva com Midnight Sun (2025). O projeto mergulha em referências visuais e sonoras dos anos 2000, combinando dance pop, eurodance e elementos nostálgicos que dialogam diretamente com a estética dominante nas redes sociais.
O disco colocou a sueca novamente no topo das paradas e ainda rendeu sua primeira indicação ao Grammy Awards, na categoria Melhor Gravação Dance Pop.
No início deste ano, a cantora expandiu o universo do álbum com Girls Trip, edição deluxe que inclui remixes e colaborações com nomes como Shakira, PinkPantheress, Tyla e Madison Beer.
A conexão com os fãs virou parte do sucesso
Outro fator importante para a nova fase da cantora é sua relação direta com o público. Durante os shows, Zara costuma chamar fãs aleatoriamente ao palco para dançar “Lush Life”, momento que frequentemente viraliza nas redes sociais.
Além disso, performances vocais e coreografias da artista passaram a chamar atenção da internet, gerando comparações com nomes como Beyoncé.
Hoje, Zara Larsson parece finalmente ter encontrado o equilíbrio entre o pop comercial, autenticidade artística e presença digital. E embora ainda exista expectativa sobre quais serão os próximos passos, a cantora já consolidou algo importante: sua capacidade de sobreviver às oscilações da indústria e transformar um meme em uma das maiores retomadas de carreira.

