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Taylor Swift detalha processo criativo e diz que compor “ainda é um mistério”

Em entrevista ao The New York Times, cantora reflete sobre escrita, carreira e o impacto das próprias experiências nas músicas

28/04/2026 - 17h23min

Reprodução/The New York Times
Taylor Swift fala sobre seu processo criativo em entrevista ao New York Times.

Taylor Swift abriu um raro espaço para falar, em profundidade, sobre seu processo criativo. Recém-incluída na lista do New York Times dos 30 maiores compositores vivos dos Estados Unidos, a artista concedeu uma entrevista em que revisita sua trajetória e analisa como constrói suas canções.

Na conversa, conduzida pelo jornalista Joe Coscarelli, Swift admite que, mesmo após anos de carreira, ainda não consegue explicar exatamente como tudo acontece. E que não existe fórmula.

As músicas podem nascer de maneiras completamente distintas: algumas surgem rapidamente, outras levam mais tempo; algumas partem de experiências pessoais, enquanto outras são guiadas por narrativas ficcionais.

Ainda é um mistério para mim. Nunca acontece exatamente do mesmo jeito.

TAYLOR SWIFT

A artista também observa que, na juventude, os sentimentos tendem a ser mais intensos e detalhados, algo que influenciou diretamente sua escrita nos primeiros anos de carreira.

Primeiros passos como compositora profissional

Swift começou a compor aos 12 anos, de forma espontânea, acompanhando seu interesse por cantar e tocar instrumentos. No início, encontrou no country e no folk suas principais referências, citando faixas como “Goodbye Earl”, do The Chicks, e músicas de Kenny Chesney.

Ao mesmo tempo, a intensidade emocional do emo também teve papel importante na sua formação, com influências de Dashboard Confessional, Chris Carrabba e Fall Out Boy.

Ainda adolescente, Swift se mudou da Pensilvânia para Nashville e, aos 14 anos, assinou um contrato de publicação com a Sony Music Publishing, com apoio de Arthur Buenahora.

Determinada a ser levada a sério, ela levava rascunhos quase finalizados para sessões de composição com outros artistas. Uma estratégia para não ser vista apenas como “uma criança” no ambiente profissional.

Narrativa, reviravoltas e o estilo Swift

Um dos traços mais marcantes da escrita da artista é a construção narrativa com reviravoltas. Swift destaca que gosta de “brincar” com a percepção do ouvinte, revelando novas camadas da história, especialmente nas pontes das músicas.

Seu exemplo favorito é “The Last Great American Dynasty”, faixa do álbum Folklore (2020), cujo desfecho reposiciona toda a narrativa.

Para ela, compor também funciona como uma forma de autopreservação. Muitas canções surgem quando não consegue dizer algo diretamente a alguém, mas encontra na música uma forma de expressar esses sentimentos.

Nesse sentido, a composição se torna um espaço íntimo e seguro, quase paralelo à vida pública.

Swift também comenta sobre o comportamento da fanbase, especialmente a tendência de tentar identificar os “personagens reais” por trás das músicas. Segundo ela, essa leitura pode atingir níveis extremos, quase como um “teste de paternidade”, que nem sempre é o ponto central da obra.

Confiança criativa e validação pessoal

A cantora também reflete sobre a relação entre aprovação pública e satisfação pessoal. Para ela, não há como prever o que será bem recebido, mas, muitas vezes, aquilo que mais a mobiliza emocionalmente acaba encontrando eco no público.

Ela cita o álbum Reputation (2017), inicialmente criticado, mas posteriormente reavaliado pelos fãs. Já a primeira experiência de confiar plenamente na própria intuição veio ainda na adolescência, ao escrever “Love Story”.

Após vencer o Grammy de Álbum do Ano com Fearless (2008), Taylor sentiu a necessidade de reafirmar sua capacidade como compositora. O que culminou em Speak Now (2010), escrito integralmente por ela.

Mais tarde, Folklore (2020) marcou uma virada ao explorar narrativas ficcionais, como se o ouvinte estivesse acompanhando histórias literárias.

Mesmo com autonomia criativa, o que a permite explorar os seus sentimentos, Swift valoriza colaborações. Entre seus parceiros frequentes estão Liz Rose e Jack Antonoff.

Com Antonoff, ela desenvolveu o conceito de “rant bridge”, uma ponte em formato de desabafo que expande a estrutura tradicional do pop, como exemplificado em “Cruel Summer”, do álbum Lover (2019).

Ao revisitar sua trajetória e detalhar os bastidores da própria escrita, Taylor Swift reforça que, mesmo com técnica, experiência e reconhecimento global, a composição continua sendo um processo intuitivo e, em grande parte, inexplicável.



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