AC/DC volta após 16 anos, lota o MorumBIS e reafirma força do rock; saiba como foi o primeiro show da banda no Brasil | Atlântida
logo atlântida

AO VIVO

Notícias

o rock está de volta

AC/DC volta após 16 anos, lota o MorumBIS e reafirma força do rock; saiba como foi o primeiro show da banda no Brasil

Primeiro show da turnê Power Up no Brasil reuniu 70 mil fãs e marcou retorno após turbulências na banda.

25/02/2026 - 13h39min

Após 16 anos longe dos palcos brasileiros, o AC/DC reencontrou seu público na noite de terça-feira (24) com um espetáculo grandioso no MorumBIS, em São Paulo. Cerca de 70 mil pessoas lotaram o estádio para o primeiro de três shows da turnê Power Up no país, em uma apresentação que combinou clássicos de cinco décadas, espetáculo visual tradicional e a resistência física e artística de dois ícones do rock mundial.

A banda australiana, formada em 1973, atravessa uma fase de reformulação desde a última passagem pelo Brasil, em 2009. Mortes, aposentadorias e problemas de saúde colocaram em dúvida sua continuidade ao longo da última década. Ainda assim, sob a liderança do guitarrista Angus Young, 70, e do vocalista Brian Johnson, 78, o grupo mostrou que permanece relevante, e capaz de sustentar um espetáculo de mais de duas horas com energia e precisão.

Perdas, pausas e reconstrução

Desde a turnê Black Ice, que trouxe o AC/DC ao Brasil em 2009, o grupo enfrentou uma série de turbulências. Em 2014, Malcolm Young deixou a banda por problemas de saúde e faleceu em 2017, vítima de complicações decorrentes de demência. No mesmo período, o baterista Phil Rudd se afastou por questões judiciais. Em 2016, Brian Johnson precisou interromper a turnê Rock or Bust após agravamento de um quadro de perda auditiva, sendo substituído temporariamente por Axl Rose.

O cenário indicava um possível encerramento das atividades. No entanto, em 2020, o lançamento de Power Up marcou o retorno de Johnson aos estúdios e uma homenagem explícita a Malcolm. A turnê, iniciada internacionalmente em 2024, consolidou uma nova formação ao vivo: além de Angus e Johnson, o quinteto conta com Stevie Young (guitarra base), sobrinho de Malcolm, Chris Chaney (baixo) e Matt Laug (bateria).

A apresentação em São Paulo marcou a primeira performance da banda no Brasil desde a morte de Malcolm.

Estrutura enxuta e foco na música

O show começou pontualmente às 21h, após abertura da banda americana The Pretty Reckless. Sem discursos longos ou introduções elaboradas, o AC/DC iniciou a apresentação com “If You Want Blood (You’ve Got It)”, seguida imediatamente por “Back in Black”, um dos álbuns mais vendidos da história da música.

A sequência inicial já estabeleceu o tom da noite: execução direta, sem pausas extensas entre as músicas e com pouca interação verbal. “Viemos tocar rock and roll pra vocês”, resumiu Johnson logo no início, em uma das raras falas da noite.

Apesar de a turnê levar o nome do disco mais recente, apenas duas faixas de Power Up integraram o repertório: “Demon Fire” e “Shot in the Dark”. O foco esteve concentrado no catálogo clássico, especialmente nas décadas de 1970 e 1980.

Angus Young

Reprodução

Vestindo seu tradicional uniforme escolar, desta vez em verde, com detalhes remetendo às cores do Brasil, Angus Young manteve a identidade visual que o acompanha desde os anos 1970. O guitarrista executou seus conhecidos movimentos de palco, incluindo os pulos característicos, corrida pela extensão frontal do palco e interação com plataformas elevadas.

O ponto alto instrumental ocorreu em “Let There Be Rock”. A música ganhou versão estendida, com solo superior a dez minutos. Angus percorreu passarelas elevadas, subiu em plataforma móvel e executou trechos deitado no chão do palco, sob chuva de papel picado. O momento foi acompanhado por silêncio atento do público, seguido de forte aplauso coletivo.

Brian Johnson

Reprodução

Aos 78 anos, Brian Johnson apresentou desempenho consistente, ainda que com limitações naturais em comparação a fases anteriores da carreira. Em determinados momentos, deixou de atingir notas mais agudas, especialmente em trechos originalmente gravados em tonalidades altas. Ainda assim, manteve postura enérgica e demonstrou entusiasmo constante.

O público desempenhou papel fundamental, assumindo parte dos refrões em músicas como “Thunderstruck”, “You Shook Me All Night Long” e “T.N.T.”. Johnson sorriu frequentemente e agradeceu de forma breve à plateia, mantendo a característica objetividade do grupo.

Repertório e momentos de destaque

Entre os principais momentos da noite estiveram:

  • “Thunderstruck”, acompanhada por coro coletivo de “olé olé olé, AC/DC”;
  • “Hells Bells”, com o tradicional sino cenográfico descendo sobre o palco;
  • “Highway to Hell”, quando Angus surgiu com chifres iluminados e efeitos de fogo;
  • “Whole Lotta Rosie”, apresentada com versão digital da personagem nos telões, substituindo a tradicional boneca inflável;
  • “Jailbreak” e “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, que reacenderam a energia do público na metade final do show.

O encerramento manteve a tradição estabelecida desde os anos 1980: “For Those About to Rock (We Salute You)” foi acompanhada pelo disparo de canhões cenográficos posicionados sobre a estrutura de amplificadores.

Formação atual 

Stevie Young assumiu com fidelidade a base rítmica originalmente criada por Malcolm Young, ainda que sem o mesmo peso histórico. Chris Chaney reproduziu a linha sólida característica do baixo da banda, enquanto Matt Laug apresentou performance vigorosa, com batidas firmes que sustentaram músicas mais extensas como “Jailbreak”.

A sonoridade geral manteve-se fiel às gravações clássicas: afinação original, ausência de trilhas pré-gravadas perceptíveis e pouca interferência tecnológica na execução ao vivo.

Despedida

Embora não haja anúncio oficial de encerramento de atividades, a idade avançada dos integrantes e o histórico recente de desafios pessoais alimentam a percepção de que esta pode ser uma das últimas passagens da banda pelo Brasil.

Mais do que nostalgia, o AC/DC entregou um espetáculo baseado em sua essência: riffs diretos, refrões cantáveis, estrutura simples e impacto sonoro imediato.



MAIS SOBRE