Festival nativista barra mais de 10 músicas criadas com Inteligência Artificial
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Festival nativista barra mais de 10 músicas criadas com Inteligência Artificial

Organizadores da Califórnia da Canção Nativa reforçam a importância da autenticidade na arte gaúcha.

10/11/2025 - 20h00min

Reprodução/RBS TV
“Quando ouvi, percebi na hora. As métricas eram apressadas, a voz não tinha sotaque gaúcho... era artificial demais”, contou Nilton Ferreira.

A Califórnia da Canção Nativa, um dos eventos mais tradicionais do Rio Grande do Sul, enfrentou um desafio inusitado na edição mais recente: mais de dez músicas foram desclassificadas por uso de Inteligência Artificial. Segundo o organizador Maxsoel Bastos Freitas, o episódio acendeu o alerta sobre o impacto da tecnologia na música regional.

A discussão veio à tona após o músico Nilton Ferreira, um dos grandes nomes do nativismo, revelar que foi procurado por um “poeta” para regravar uma canção feita inteiramente por IA: letra, voz e melodia. O objetivo seria inscrever a obra no festival.
“Quando ouvi, percebi na hora. As métricas eram apressadas, a voz não tinha sotaque gaúcho... era artificial demais”, contou Nilton.

O caso levantou um debate sobre os limites entre criatividade e automatização no cenário musical. Para os organizadores, a essência da Califórnia está no sentimento humano e nas raízes culturais, algo que nem a tecnologia mais avançada é capaz de reproduzir.

O avanço da Inteligência Artificial na música: ferramenta ou ameaça à criatividade humana?

Nos últimos anos, a Inteligência Artificial tem se tornado uma aliada poderosa na indústria musical, ajudando artistas a compor, mixar e até criar vozes sintéticas com realismo impressionante. Plataformas como Suno, Udio e Mubert permitem que qualquer pessoa gere músicas completas em minutos, sem precisar saber tocar um instrumento sequer.

Apesar da inovação, o uso da IA levanta questões éticas e artísticas: até que ponto uma canção criada por máquina pode ser considerada arte? E mais: será que o público consegue diferenciar uma obra humana de uma feita por algoritmos? Para muitos músicos, como os envolvidos na Califórnia da Canção Nativa, a tecnologia pode até ser útil, mas jamais substituirá a emoção e a vivência humana que inspiram a verdadeira música.



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