Olivia Dean e a sua ligação com o filme 'O Diabo Veste Prada 2'
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A ligação de 'O Diabo Veste Prada 2' e a Olivia Dean

A trilha sonora ainda conta com Madonna, Dua Lipa e a parceria de Lady Gaga e Doechii

01/05/2026 - 15h55min

Começo logo dizendo que valeu a pena a espera. E se não tivesse tido esse tempo antes da próxima produção, talvez não fosse tão relevante. Depois de 20 anos, 'O Diabo Veste Prada 2' ganhou um novo e último capítulo de uma história que moldou personalidades e seguiu em alta durante esse período. 

O movimento de Hollywood produzir sequências e promover encontros de filmes vem acontecendo nos últimos anos. Mas quando se trata da continuação de um enredo tão importante para o cinema, a expectativa se torna receio e, convenhamos, a maioria não entrega o que os fãs esperam. O 'Diabo Veste Prada 2' é uma exceção. 

O filme é um daqueles abraços cheios de saudade. Esse sentimento me parece unânime até o momento: os fãs reconheceram os personagens como se tivessem assistido o primeiro filme ontem. Tudo era vívido na memória. E não porque eram as mesmas falas e referências, mas porque existiu um trabalho de incluir os personagens no contexto atual. E todos eles se saíram bem. 

Reprodução/Instagram
Olívia Dean e a relação com o filme 'O Diabo Veste Prada 2'.

A mudança da mídia tradicional, os desafios de se trabalhar em uma revista em 2026 e a cultura do cancelamento, foram temas abordados, inevitavelmente, no filme. Poderiam ter sido mais aprofundados em algum momento, mas é possível entender e, de certa forma, passar um pano considerando que é um filme com essência Disney e tudo precisa dar certo no final. E deu. 'Diabo Veste Prada 2' tem o mesmo diretor, o David Frankel, a mesma roteirista, a Aline Brosh McKenna, e os quatro principais atores do primeiro filme: Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci e Emily Blunt

Assim como o figurino, a trilha sonora é impecável. Lady Gaga e Doechii se juntaram numa parceria para escrever Runaway, que aliás, conta com produção de Bruno Mars. Madonna, com Vogue, também faz parte - e não poderia ser diferente. O que me chamou atenção foi a cena final. De forma despretensiosa, a música Nice To Each Other, da Olívia Dean aparece ao fundo nos minutos finais.

O amor na obra de Olívia Dean

Aos 27 anos, a cantora britânica canta sobre a sua vulnerabilidade e as formas conflitantes que amor possui. Ouvir Nice to each other foi a estrelinha em cima da árvore de natal, a cereja do bolo, ou qualquer eufemismo que tu quiser usar nesse momento. Isso porque, durante uma entrevista à Revista ELLE UK, ela mesmo já disse que essa é a música que mais define ela em sua carreira , que já passa de uma década.

Nice to each other faz parte de The Art of loving, um álbum que nasceu de uma visita a uma exposição inspirada no livro Tudo Sobre o Amor, da Bell Hooks (1952-2021). Para definir esse trabalho, durante uma entrevista a Rolling Stone UK, a própria Olívia já parafraseou a autora americana “Por alguma razão, é visto como essa coisa mística e inatingível que todos nós deveríamos simplesmente tentar e descobrir“. 

Lançado em setembro de 2025, a cantora percebeu que queria falar sobre amor como uma habilidade. Uma arte. E gostaria de compartilhar esse sentimento com quem quisesse ouvir. 

O álbum ficou conhecido pelo single Man I Need, que chegou a alcançar o topo da Billboard Hot 100 e ultrapassou 1 bilhão de streams no Spotify. A música é divertida, com um clipe que revela como Olívia gosta de produções cinematográficas e dinâmicas. Pra além disso, revela sua versatilidade em mostrar , a partir de arranjos diferentes, as diferentes fases do amor. 

Em entrevista ao Zane Lowe, na rádio da Apple Music, ela conta que a primeira música escrita pra esse trabalho foi Something Inbetween. A letra é bem dura, com palavras diretas e um sentimento quase visceral, contando sobre liberdade dentro ou fora de um relacionamento. Ela serviu como base para criar o universo todo de The Art Of Loving

'Loud', de Olívia Dean

As outras foram surgindo aos poucos, mas sempre mantendo a essência desse sentimento visceral envolvido. Olívia acredita que, pra contar uma histórias, o momento precisa ser descrito exatamente como aconteceu. Na opinião dela como autora das suas músicas, precisa ser verídico pra existir sentido. Assim as músicas se tornam espécie de documentos. Tanto pra ela, como pra quem se identificar. 

Durante a produção do álbum, isso gerava, sentimentos controvérsios. Loud, por exemplo, foi uma música que ela escreveu e cantou apenas duas vezes. Na primeira, era uma demo. A voz embargada no momento da gravação entregava como ela ainda carregava muito sentimento. 

A música narra um término que Olívia enfrentou, e diz que “o silêncio é alto demais”. Na segunda vez que ela cantou, uma orquestra estava presente no estúdio pra construir os arranjos. Ela cantou do começo ao fim, sem parar, e essa é a versão que a gente escuta no álbum. 

Olívia e a moda como identidade

Uma conexão interessante com o filme é a moda. Olívia gosta de planejar meticulosamente seus figurinos com base no local que vai se apresentar. A moda é intrínseco no trabalho dela. Aliás, ela é embaixadora da Chanel desde 2023 e se tornou uma referência no mundo da moda por sua elegância e autenticidade. Uma curiosidade: Olivia ama salto alto. E geralmente usa nos shows. 

Nas palavras da Olívia, The Art of loving foi pensado pra ser um álbum que conforte, passe a sensação de acolhimento e gere a necessidade de repetição. Como o diabo veste prada 1. E o 2 também vai causar isso. Essa é a maior conexão entre uma cantora em um crescimento exponencial, com um filme que marcou gerações. Escutar Olívia Dean, uma cantora com quase a idade do filme, como o último ato, é significativo quando na mesma trilha sonora se tem Madonna. O novo sempre vem. E vem cheio de surpresas quando se trata de uma cantora com a coragem e o brilhantismo de ser vulnerável.


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