O que realmente aconteceu com Kurt Cobain? Nova análise desafia laudo de suicídio
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O que realmente aconteceu com Kurt Cobain? Nova análise desafia laudo de suicídio

Estudo forense publicado em revista científica revisa evidências do caso do vocalista.

12/02/2026 - 12h42min

O que realmente aconteceu com Kurt Cobain? Nova análise desafia laudo de suicídio / Reprodução

Trinta e dois anos após a morte de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, uma nova investigação independente reacendeu o debate sobre as circunstâncias que envolveram sua morte, ocorrida em 5 de abril de 1994, em Seattle, nos Estados Unidos.

Um grupo de peritos liderado pelo especialista forense Brian Burnett e pela pesquisadora Michelle Wilkins publicou um artigo revisado por pares no International Journal of Forensic Science, no qual questiona oficialmente a conclusão de suicídio estabelecida pelo Gabinete do Médico Legista do Condado de King na época.

A nova análise sugere que há inconsistências médicas e circunstanciais que poderiam indicar homicídio, hipótese que segue sendo rejeitada pelas autoridades.

O que diz a nova investigação sobre a morte de Kurt Cobain?

De acordo com o estudo, a equipe revisou laudos de autópsia, exames toxicológicos e fotografias da cena do crime. Entre os principais pontos levantados estão:

  • Indícios de necrose no cérebro e no fígado, compatíveis com morte por overdose e privação prolongada de oxigênio;
  • Presença de líquido nos pulmões e hemorragias oculares, associadas a intoxicação por opioides;
  • Nível de heroína no organismo considerado extremamente elevado, segundo os pesquisadores, suficiente para incapacitar fisicamente o músico.

A autópsia original registrou que Cobain apresentava concentração de heroína até dez vezes superior ao que usuários pesados normalmente tolerariam. Para os novos peritos, essa quantidade poderia ter deixado o cantor inconsciente ou em coma, impossibilitando que ele manuseasse uma espingarda e realizasse um disparo contra si mesmo.

Há coisas na autópsia que fazem você pensar: espera, essa pessoa não morreu muito rapidamente de disparo de espingarda. Necrose do cérebro e fígado acontece em overdose. Não acontece em morte por espingarda.

MICHELLE WILKINS

Em entrevista ao Daily Mail.

Cena do crime e carta de despedida também são questionadas

Outro ponto levantado pela investigação envolve a organização da cena. O kit de heroína foi encontrado distante do corpo, com seringas tampadas e materiais arrumados de forma considerada “meticulosa” pelos peritos.

Segundo a equipe, suicídios com arma de fogo costumam apresentar cenas caóticas. Além disso, a ausência de sangue nas mãos do músico e determinados padrões de manchas na camiseta levantam questionamentos sobre possível manipulação do corpo após a morte.

A carta de despedida também foi analisada. Os pesquisadores afirmam que a maior parte do texto menciona frustração com a carreira musical e afastamento dos palcos, sem declarar explicitamente intenção de morrer. As linhas finais, segundo o estudo, apresentariam diferenças no padrão de escrita.

A hipótese defendida no artigo sugere que Cobain poderia ter sido forçado a uma overdose antes do disparo, com a cena posteriormente encenada para simular suicídio.

Autoridades mantêm conclusão de suicídio

Apesar da publicação científica, o Gabinete do Médico Legista do Condado de King reafirmou que realizou uma autópsia completa em 1994 e que não há novas evidências que justifiquem a reabertura do caso.

A Polícia de Seattle também declarou que mantém a conclusão oficial de suicídio e não pretende reabrir a investigação.

Em nota, representantes das autoridades afirmaram que permanecem abertos a revisar conclusões caso surjam evidências materiais inéditas, mas reforçaram que os argumentos apresentados até o momento não alteram o parecer original.

Teorias sobre a morte de Kurt Cobain voltam ao debate

A morte de Kurt Cobain sempre esteve cercada de controvérsias. Desde os anos 1990, fãs e investigadores independentes levantam dúvidas sobre a versão oficial.

O detetive particular Tom Grant, contratado dias antes da morte para localizar o músico, foi um dos primeiros a questionar a tese de suicídio. Documentários como Kurt & Courtney (1998) e Soaked in Bleach (2015) também exploraram possíveis inconsistências.

A diferença, agora, está no formato da contestação: o novo estudo foi publicado em revista científica com revisão por pares, o que adiciona um grau de respaldo acadêmico às análises técnicas apresentadas.

Os pesquisadores afirmam que o objetivo não é acusar culpados, mas solicitar uma revisão formal das evidências à luz de métodos forenses mais modernos.

Caso Kurt Cobain pode ser reaberto?

Até o momento, não há indicativo de que o caso será reaberto oficialmente. Ainda assim, a publicação reforça dúvidas que atravessam gerações e mantém viva uma das maiores controvérsias da história do rock.



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