Trinta anos depois de dar os primeiros passos rumo ao estrelato, JAY-Z decidiu revisitar o ponto exato onde tudo começou. O rapper colocou nas plataformas digitais, pela primeira vez, a versão original de “Dead Presidents”, single lançado em 1996 antes mesmo da chegada de Reasonable Doubt.
A faixa, produzida por Ski Beatz, saiu de forma independente pela Roc-A-Fella Records, selo fundado por Shawn Carter ao lado de Damon Dash e Kareem “Biggs” Burke. Embora tenha sido essencial para pavimentar o caminho do álbum de estreia, essa primeira versão acabou ficando fora da tracklist oficial. Em seu lugar entrou “Dead Presidents II”, construída sobre o mesmo instrumental, mas com versos diferentes e mais lapidados.
Agora, além das plataformas digitais, o relançamento integra uma série de ações comemorativas que incluem edições especiais em vinil, CD e cassete.
O sample que virou faísca histórica
A construção da música parte de um trecho de “The World Is Yours”, clássico de Nas lançado em 1994 e produzido por Q-Tip. O verso “I’m out for presidents to represent me” se tornou o mantra central da faixa.
Com o passar dos anos, o uso desse sample ganhou outro significado: muitos fãs enxergam ali o embrião da rivalidade entre os dois rappers nova-iorquinos, que explodiria publicamente no início dos anos 2000, especialmente após provocações em faixas como “Takeover”.
Um risco calculado
Em meados dos anos 1990, JAY-Z tinha 26 anos e nenhuma grande gravadora interessada em contratá-lo. Considerado “velho demais” para um mercado que buscava novas tendências, ele decidiu apostar no próprio selo e bancar o lançamento de forma independente.
“Dead Presidents” funcionava como um teste decisivo: se o single ganhasse tração, o álbum teria chance; caso contrário, a trajetória poderia terminar ali mesmo. A aposta deu certo, e abriu caminho para um dos discos mais influentes do rap dos anos 1990.
Na versão original, os versos soam mais crus e diretos, refletindo a realidade de Marcy Projects, no Brooklyn. A produção minimalista reforça o clima sombrio das rimas sobre ambição, sobrevivência e dinheiro, simbolizado pelas figuras históricas estampadas nas notas de dólar.
O retorno do “JAŸ-Z”
As celebrações pelos 30 anos de Reasonable Doubt não pararam por aí. Recentemente, o artista alterou seu nome nas plataformas para JAŸ-Z, resgatando o trema que aparecia na arte original do disco de 1996.
O detalhe gráfico pode parecer pequeno, mas carrega peso simbólico. Cada fase do nome refletiu um momento da carreira: do rapper em ascensão ao empresário bilionário. Ao recuperar a grafia original, ele reconecta o presente ao passado, reforçando que, mesmo após construir um império, a essência continua ligada àquele primeiro lançamento independente.

