Foram quase 26 minutos suficientes para lembrar por que Harry Styles continua sendo um dos nomes mais magnéticos do pop atual. Em participação no Royal Court, comandado por Brittany Broski, fã de carteirinha declarada dele, o cantor britânico apareceu de orelhas de elfo, coroa e capa bordada, mas foi o conteúdo da conversa que roubou a cena.
Em clima descontraído, Styles falou sobre o lançamento de seu novo álbum, Kiss All The Time. Disco, Occasionally, que chega às plataformas no dia 6 de março, e transitou entre histórias absurdas, reflexões sobre fama e comentários que rapidamente viralizaram.
Um dos trechos mais comentados envolve uma lembrança delicada: o funeral da avó, Beryl Styles, falecida em 2014. Harry contou que, no momento em que o caixão começou a ser conduzido para a cremação, passou a tocar The Long and Winding Road, dos The Beatles. A escolha inesperada provocou uma crise de riso. “Pareceu tão inapropriado”, explicou. A partir dali, disse ter começado a imaginar outras músicas de duplo sentido para despedidas, como Relight My Fire, Disco Inferno e Ring of Fire.
A entrevista também serviu para abordar rumores antigos. Questionado sobre dentes falsos, ele negou prontamente e, em seguida, ironizou as especulações sobre calvície ao brincar com a própria linha do cabelo, tema que circula na internet desde 2022. Sem confirmar ou desmentir procedimentos, preferiu o humor como resposta.
Outro ponto que chamou atenção foi a revelação de que utiliza o aplicativo de relacionamento Raya para praticar italiano. Após passar temporadas na Itália, o cantor explicou que a imersão é a forma mais eficaz de aprender um idioma, inclusive por meio de conversas no app. “É bom estar vendo [a língua] o tempo todo”, comentou.
No campo das excentricidades cotidianas, Styles falou sobre sua impressionante capacidade de consumir grandes quantidades de iogurte, relembrou a estátua de Jesus com luvas de boxe que comprou aos 18 anos para decorar sua primeira casa em Londres e revelou um hábito curioso: quando não consegue dormir, assiste a vídeos com os “10 maiores nocautes” de Mike Tyson, que frequentemente são seguidos por episódios antigos de Supernanny.

Apesar do tom leve, houve espaço para reflexões mais densas. Ao comentar a relação com os fãs, Harry destacou que considera o público “o grupo mais honesto” que já encontrou, pessoas que expressam amor e críticas com franqueza, sem “postura”. Também falou sobre a importância de ter se afastado do trabalho nos últimos anos para não se definir exclusivamente pela carreira.
Segundo ele, o maior aprendizado foi entender que o reconhecimento profissional não pode ser a única fonte de identidade. “Se é a única coisa que você faz, é difícil não se definir por isso”, afirmou, ao explicar por que decidiu dedicar tempo a outras áreas da vida.
Entre risadas, memórias familiares e reflexões sobre arte e autenticidade, a passagem pelo Royal Court mostrou um artista confortável em alternar entre o nonsense e a vulnerabilidade. Mais do que divulgar um disco, Harry Styles ofereceu um retrato raro de equilíbrio entre celebridade e humanidade, algo cada vez mais incomum na indústria pop.

