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Armandinho no Planeta Atlântida 2026: o clássico está de volta

Armandinho soma quase 20 apresentações em 30 edições e é o artista recordista de participações no festival

31/01/2026 - 23h47min

Fim de tarde no Planeta Atlântida tem cheiro de brisa do mar e trilha sonora definida. Quando o sol começa a baixar sobre a Saba, o público já sabe: é a hora do Armandinho. Mais do que um show, já virou ritual. Um momento que se repete, se renova e atravessa gerações, consolidando uma das relações mais longevas e simbólicas da história do maior festival de música do Sul do Brasil.

Se tem alguém que carrega o espírito do Planeta Atlântida no violão, na voz e na energia, esse alguém é Armandinho. Não é exagero dizer que o porto-alegrense virou um verdadeiro patrimônio afetivo do festival. Sua estreia no palco aconteceu em 2003 e, desde então, a relação construída com o Planeta se transformou em tradição daquelas que ajudam a definir o que o evento é e representa.

Em quase 20 participações ao longo de 30 edições (17 apenas no Planeta Atlântida gaúcho, número que sobe ainda mais se consideradas as edições catarinenses), Armandinho se tornou o artista que mais vezes subiu ao palco do festival. Mais do que uma estatística, o dado ajuda a entender por que, quando se fala em Planeta Atlântida, o público imediatamente associa à sua música.

Com uma sonoridade que mistura reggae, romance, surf music e histórias sobre liberdade, Armandinho encontrou no litoral do sul o cenário ideal para suas canções. E o público abraçou. Ano após ano, seus shows se transformam em encontros emocionantes: gente cantando em coro, pulando, se abraçando, chorando, rindo e revivendo memórias. Para muitos planetários, o verão só começa de verdade quando ele pisa no palco.

Foi exatamente assim neste sábado, 31 de janeiro. Apesar da previsão indicar céu carregado, umidade alta e possibilidade de chuva, o entardecer foi de contraste perfeito entre nuvens, vento leve e um sol insistente, quase um presente para quem entende que aquele horário pertence a Armandinho. Um verdadeiro “Sol loiro”, como o próprio artista definiria pouco antes de cantar.

Antes mesmo da primeira música, ele já havia estabelecido o clima. Com a calma de quem conhece o terreno e o público, falou sobre gratidão, amor, carinho e natureza. “Escuta o som, escuta essa tarde linda, sente a brisa do vento. É verão”, disse, arrancando aplausos e criando uma pausa no ritmo acelerado do festival.

Abrindo o Palco Planeta no segundo dia, Armandinho iniciou o show com "Reggae das Tramanda", sob um sol ainda forte. A partir dali, o roteiro era conhecido, e justamente por isso, aguardado. Vieram "Eu Sou do Mar", "Rosa Norte", "Eu Juro", "Ursinho de Dormir", "Casinha", "Outra Vida", "Outra Noite que Se Vai". Cada música ativava uma lembrança diferente na multidão.

O Planeta balança quando é a hora do Armandinho. Cantam aqueles que acompanham o festival há décadas e também os mais jovens, que herdaram o repertório como uma tradição de família. 

Armandinho vestiu uma camiseta em homenagem ao cão Orelha, cachorro comunitário da Praia Brava, em Florianópolis, cuja morte recente comoveu moradores e ganhou repercussão internacional. Um gesto simples, mas carregado de empatia, que reforça o olhar sensível do artista para além da música.

O show seguiu com encontros que ajudam a contar a história do próprio Planeta. Vitor Kley subiu ao palco para cantar "Ana Lua" e, na sequência, "Desenho de Deus". Armandinho foi um dos primeiros incentivadores da carreira de Vitor, e o reencontro arrancou aplausos emocionados do público.

“Meu maior professor, meu mestre. Obrigado por abrir os caminhos”, disse Vitor, antes de se despedir. Armandinho respondeu com carinho e elogios, reforçando a importância de apoiar novas gerações de artistas, algo que faz parte de sua trajetória dentro e fora do festival. Os dois também estiveram juntos em entrevista ao Planeta Atlântida após o festival, confere:

Já perto do fim, Fabão surgiu no palco para dividir "Toca Uma Regueira Aí", encerrando a apresentação exatamente como manda a tradição: com o sol se escondendo no horizonte, a luz dourada dando lugar ao entardecer e o público ainda cantando, como se ninguém quisesse quebrar aquele momento.

Com participações espalhadas por mais de duas décadas, Armandinho construiu uma relação que atravessa gerações e virou parte da identidade do Planeta Atlântida.

Em um festival que celebra 30 anos de história, Armandinho segue sendo mais do que uma atração do line-up. Ele é memória viva, trilha sonora do verão gaúcho e símbolo de um evento que cresceu sem perder o afeto. Enquanto houver sol, mar, calor e aquela vontade coletiva de celebrar, sempre haverá espaço para mais um capítulo dessa parceria que já virou tradição.



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