Bella e o Olmo da Bruxa é atração do ATL Bands no Planeta Atlântida 2026 | Atlântida
logo atlântida

AO VIVO

Música

Planeta Atlântida 

Bella e o Olmo da Bruxa é atração do ATL Bands no Planeta Atlântida 2026

Destaque do ATL Bands, a banda desembarca no maior festival de música do Sul após rodar o Brasil

26/01/2026 - 18h31min

Atualizada em: 26/01/2026 - 18h34min

Existem bandas que crescem devagar, bandas que crescem na internet. Há outras que crescem na estrada, no afeto e no choque direto com o público. Bella e o Olmo da Bruxa é tudo isso ao mesmo tempo e agora chega a um dos palcos mais simbólicos da música brasileira: o Planeta Atlântida.

O festival que ocorre nos dias 30 e 31 de janeiro, na SABA, em Atlântida, tem como atração do ATL Bands - o programa da Rádio Atlântida que oferece espaço para que artistas gaúchos mostrem seu trabalho, reforçando a importância de valorizar a produção local -, a Bella e o Olmo da Bruxa.

Formada por Julia Garcia, Felipe Pacheco, Ricardo De Carli e Pedro Acosta, a banda gaúcha está em atividade desde 2015 e vive um dos momentos mais importantes da sua trajetória. Em agosto, eles lançaram o segundo disco, “Afeto e Outros Esportes de Contato”, trabalho que não só consolidou a identidade do grupo, como expandiu de vez seus horizontes pelo Brasil.

Disco que ganhou a estrada

O lançamento do álbum marcou um novo capítulo para a Bella. Depois de um primeiro disco em 2020 e de anos lançando singles que ajudaram a desenhar diferentes fases da banda, “Afeto e Outros Esportes de Contato” chegou carregado de expectativa, tanto do público quanto dos próprios integrantes.

E a resposta foi maior do que eles imaginavam. Além dos números, o que realmente marcou foi o contato direto com as pessoas. A turnê levou a banda a diversos estados e regiões do país, transformando o disco em experiência viva, cada show virou um termômetro real de conexão, daqueles que só a estrada entrega.

Segundo Pedro Acosta, vocalista da banda, foi viajando com esse repertório que ficou claro o quanto o trabalho tinha atravessado fronteiras: fãs que já acompanhavam desde o começo, pessoas que conheceram a Bella justamente por causa do disco, e um carinho que se multiplicava cidade após cidade, contou o vocalista.

O próprio título do disco entrega muito do que a Bella e o Olmo da Bruxa está dizendo neste momento da carreira. “Afeto e Outros Esportes de Contato” nasce de um pensamento que mistura carinho e confronto, vulnerabilidade e impacto, uma ideia que veio direto da cabeça de Pedro.

“Eu gosto muito de artes marciais, pratico vários tipos de luta”, conta Pedro. Mas não é só sobre esporte. A provocação vem de enxergar as relações humanas como esse espaço de atrito constante, onde o amor nem sempre é suave. “Sempre teve muito essa onda de tentar entender os afetos e as relações humanas como essa coisa que às vezes pode ser um pouco bélica, um pouco dura mesmo”, conta.

Essa dualidade virou conceito, estética e som. A partir do nome que, segundo Pedro, “veio meio pronto”, a banda começou a desenhar todo o universo visual do álbum, traduzindo esse choque entre gesto e impacto. “Como um abraço pode se assemelhar a um golpe, ou um golpe pode se assemelhar a um gesto de carinho”, explica.

E isso aparece claramente ao longo do disco. Em alguns momentos, as músicas soam como colo; em outros, como um empurrão no peito. “Às vezes pode soar como um abraço, às vezes como um soco”, resume o vocalista. A graça está justamente nessa intersecção e no desconforto bonito que ela provoca.

Emo, shoegaze e o que mais der vontade

Se a base da Bella ainda conversa com o emo e o shoegaze, o segundo disco deixa claro que a banda não está interessada em se limitar. Pedro até acha curioso como o público define o som do grupo. “É até legal que a galera comente que a gente é uma banda de emo, ou de rock triste, ou qualquer coisa que os jovens chamem agora”, brinca.

Mas a verdade é que a proposta é mais aberta do que isso. “A gente tá a fim de fazer o que a gente achar legal, independente do que for.” E isso passa por músicas acústicas e melodiosas, faixas mais explosivas, momentos de flerte com a eletrônica e o que mais fizer sentido.

“A grande graça da banda é a gente gostar de muita coisa diferente que não só rock”, explica. E talvez seja exatamente isso que faz a Bella soar tão honesta: a confiança de lançar ideias sem pedir desculpa, sempre com a intenção de criar conexão.

Da internet para o mundo

A Bella e o Olmo da Bruxa nasceu muito conectada à internet, mas entender a dimensão real do público só aconteceu quando a banda começou a viajar. “Até a gente sair do nosso estado, era muito difícil localizar essas pessoas, ou entender o quanto aquilo era real”, lembra Pedro.

A resposta veio nos shows. São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Salvador, Recife e a primeira ida ao Nordeste, que marcou profundamente a banda. “Só indo de fato tu vai ver quem é esse público fidelizado, quem vai pagar pra ir no show, comprar um merch, ficar feliz de te ver.”

A estrada também trouxe histórias que viraram lenda interna. Uma delas aconteceu justamente na rodada nordestina da turnê, quando o guitarrista Lipo foi mordido por um gato de rua numa parada de estrada e precisou tomar vacina às pressas. “Foi muito engraçado, mas muito tenso também”, relembra Pedro. No fim, deu tudo certo, sem raiva, com show feito e uma boa história para contar.

Planeta Atlântida

Entre tantos sonhos realizados, tocar no Planeta Atlântida ocupa um lugar especial. Para Pedro, que cresceu no litoral norte gaúcho, o festival sempre foi um símbolo distante. “Eu passei basicamente a minha infância e adolescência inteira no litoral, então o Planeta era super uma coisa, o evento!”

Ele nunca tinha ido ao festival, até agora. “Nunca fui porque não tinha dinheiro. Então poder dizer que eu vou pela primeira vez indo tocar com a minha banda é muito especial.” A expectativa é gigante, e a sensação é de honra. “É tocar num lugar onde tanta gente que a gente admira já tocou e vai tocar.”

Agora, como atração do ATL Bands, a Bella e o Olmo da Bruxa chega ao Planeta Atlântida não como promessa, mas como uma banda em pleno movimento pronta para transformar afeto em impacto, no palco e fora dele.

Próximos lançamentos

Mesmo com o disco ainda quente, a banda não pensa em parar. A ideia não é lançar outro álbum imediatamente, mas explorar novas formas de trabalhar esse material. “A gente ainda tem bastante coisa pra fazer com o Afeto e Outros Esportes de Contato”, explica Pedro.

E, ao mesmo tempo, seguir criando. “Fazer música é a coisa que a gente gosta e faria de qualquer forma.” O objetivo continua sendo emocionar, independentemente do gênero, do formato ou do instrumento. “Sempre buscar essa conexão pessoal, íntima, que a gente tem com os fãs.”



MAIS SOBRE