
Levar o celular para a cama pode parecer um hábito inofensivo, mas pesquisas relacionam o uso de telas antes de dormir a mudanças na rotina dos casais. Um levantamento citado pelo Institute for Family Studies, de 2023, apontou uma associação entre o uso de dispositivos na hora de dormir e uma menor frequência de relações sexuais entre parceiros.
O comportamento também está relacionado à chamada procrastinação do sono, quando a pessoa adia o momento de dormir para continuar usando o celular ou outros dispositivos, mesmo sabendo que deveria descansar.
O quarto virou espaço para o celular
Quando os dois parceiros passam parte do tempo na cama concentrados nas telas, o momento que poderia ser usado para conversar ou simplesmente ficar juntos acaba sendo ocupado pelo celular.
O levantamento também aponta uma redução na frequência sexual entre casais ao longo dos anos. Entre 1996 e 2008, 59% das pessoas casadas afirmavam ter relações semanalmente. Já entre 2010 e 2014, esse percentual caiu para 49%.
Os dados, porém, não significam que o celular seja o único responsável pela mudança. Outros fatores também podem influenciar a dinâmica dos relacionamentos e a frequência de intimidade.
Conexão vai além da vida sexual
A especialista citada no estudo destaca que a discussão não deve se limitar à frequência sexual. A proximidade emocional e a conexão entre os parceiros também fazem parte da qualidade de um relacionamento.
Nesse sentido, entender o que cada pessoa considera uma relação satisfatória e reservar momentos de atenção mútua pode ser mais importante do que simplesmente estabelecer uma meta de frequência.
No fim, a questão pode ser menos sobre abandonar o celular e mais sobre perceber quando a tela começa a ocupar o espaço que antes era destinado à conversa, à companhia e à conexão entre o casal.

