A internet tem dessas: às vezes, a pessoa que ensina como não cair em um golpe acaba aparecendo do outro lado da história. Foi o que aconteceu com uma estudante de Direito de 22 anos presa preventivamente pela Polícia Civil do Distrito Federal, suspeita de comandar, ao lado do companheiro, um esquema de venda de celulares que não existiam.
Segundo a investigação, o casal criava perfis falsos que imitavam uma loja de celulares e anunciava aparelhos por preços considerados atrativos. Depois que os clientes realizavam o pagamento, os produtos não eram entregues.
Até aí, já seria um esquema elaborado. Mas, de acordo com a polícia, os suspeitos foram além.
Casal teria criado loja falsa dentro de casa
Para fazer com que os perfis parecessem verdadeiros, os investigados teriam montado uma espécie de loja cenográfica dentro da própria residência, em São Paulo.
O espaço contava com caixas vazias de celulares, embalagens, etiquetas e outros materiais utilizados para envio.
A ideia, segundo a investigação, era produzir imagens e vídeos que passassem aos potenciais clientes a sensação de que a loja realmente existia e que os aparelhos estavam disponíveis para entrega.
Os suspeitos faziam registros dos supostos celulares já embalados e utilizavam o material nas redes sociais.
Ou seja: para quem estava do outro lado da tela, tudo poderia parecer uma operação normal de venda de smartphones.
Suspeita dava dicas para evitar golpes na internet
O caso ganhou um ingrediente ainda mais curioso por causa do conteúdo publicado pela jovem nas redes sociais.
A suspeita está no sétimo semestre do curso de Direito e trabalhava como estagiária em um escritório de advocacia.
Em seus perfis, ela costumava publicar vídeos com orientações para evitar golpes pela internet. Também compartilhava conteúdos ensinando seguidores a desbloquear contas bancárias que haviam sido suspensas por suspeita de fraude.
Agora, ela é investigada justamente por suspeita de participação em um esquema fraudulento.

Companheiro também é investigado
O companheiro da jovem, de 25 anos, também é investigado pela polícia.
De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, os dois estariam envolvidos na estrutura utilizada para anunciar e comercializar os celulares que, segundo a investigação, não existiam.
A polícia trabalha para identificar as vítimas e dimensionar o prejuízo causado pelo esquema.
Operação foi batizada de Reflexo
A prisão aconteceu durante a Operação Reflexo, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal.
A ação tem como objetivo desarticular o esquema, identificar as possíveis vítimas e levantar os prejuízos provocados pela fraude.
Apesar da prisão preventiva, é importante destacar que a jovem e o companheiro são investigados e suspeitos dos crimes; a culpa deverá ser definida pela Justiça.
No fim, o caso chama atenção justamente pela contradição: enquanto uma das suspeitas usava as redes sociais para ensinar outras pessoas a se proteger de golpes, a investigação policial aponta que ela própria pode ter participado de um esquema criado para convencer vítimas de que estavam comprando celulares de uma loja real.
