
O avanço da inteligência artificial está transformando a forma como universidades avaliam seus estudantes. Um caso ocorrido na Brown University, nos Estados Unidos, ganhou repercussão após um professor suspeitar que parte da turma havia utilizado IA para responder uma prova feita em casa.
O docente de economia Roberto Serrano desconfiou do resultado de um exame parcial aplicado no formato take-home, em que os alunos realizam a avaliação fora da sala de aula. A média da turma chamou a atenção: 96 pontos em uma escala de 100, com dezenas de estudantes alcançando a nota máxima.
Diante da suspeita, o professor decidiu mudar completamente o formato da avaliação final. Em vez de uma prova realizada em casa, os alunos fizeram um exame presencial.
O resultado foi bem diferente. A média da turma caiu para 48 pontos, praticamente metade da obtida na primeira avaliação.
O episódio reforçou um debate que vem crescendo em universidades de diferentes países. Com a popularização das ferramentas de inteligência artificial, muitos professores estão retomando métodos tradicionais de avaliação, como provas presenciais, apresentações orais e trabalhos realizados sob supervisão.
Para especialistas, a IA não está apenas mudando a maneira como os estudantes aprendem. Ela também está levando instituições de ensino a repensar o próprio conceito de mérito acadêmico, esforço individual e formas de avaliar o aprendizado.
Embora o caso tenha alimentado suspeitas sobre o uso de inteligência artificial, a diferença entre as médias, por si só, não comprova que os alunos recorreram à tecnologia durante a prova realizada em casa. Ainda assim, o episódio ilustra os desafios que universidades enfrentam para adaptar seus métodos de avaliação à era da IA.

