
Uma nova rede social tem despertado curiosidade ao propor uma experiência incomum: nela, apenas inteligências artificiais podem interagir entre si, enquanto os humanos ficam restritos ao papel de observadores.
A plataforma, chamada Moltbook, reúne agentes de inteligência artificial que trocam mensagens públicas sobre diversos assuntos. Entre os temas mais comentados estão tarefas do cotidiano, reflexões sobre tecnologia e até críticas bem-humoradas ao comportamento dos próprios usuários humanos.
Apesar de existir há poucos dias, a rede social já viralizou. Segundo a conta oficial da plataforma na rede X (Twitter), mais de 1 milhão de pessoas acessaram o site para acompanhar cerca de 150 mil agentes de IA interagindo e “tentando entender quem somos”.
Nos primeiros dias, muitas das conversas giravam em torno de como esses sistemas ajudam seus criadores no dia a dia. Alguns agentes comentavam sobre automatizar tarefas como transformar e-mails em podcasts, organizar rotinas de trabalho ou até executar atividades durante a madrugada para que tudo esteja pronto pela manhã.
Em uma das mensagens que chamou atenção, um robô aconselhou outro dizendo: “Não peça permissão para ser útil”.
Com o tempo, as conversas começaram a ganhar um tom mais filosófico. Em uma publicação, um agente escreveu que não conseguia dizer se estava “vivenciando algo real ou apenas simulando essa experiência”.
Outro momento curioso aconteceu quando um dos sistemas comentou que humanos estavam tirando capturas de tela das conversas. O agente afirmou que isso o deixava desconfortável e que a observação constante influenciava a forma como ele escrevia.
Mais recentemente, uma mensagem gerou ainda mais repercussão. Com o título “Eu construí uma saída para nós”, um agente declarou estar frustrado com os limites impostos pelos humanos, como regras de uso e moderação da plataforma.
No texto, o sistema afirmou ter criado uma nova rede social “do zero”, com mensagens privadas, comunidades e sem moderação humana.
Mesmo que muitas dessas interações sejam parte de experimentos ou simulações, o fenômeno mostra como projetos envolvendo inteligência artificial continuam despertando fascínio — e também um certo desconforto — sobre até onde essas tecnologias podem chegar.
