A ideia de que o universo pode ser uma grande simulação, semelhante a um gigantesco programa de computador, voltou a ganhar força após um novo estudo apresentado pelo físico Melvin Vopson.
O pesquisador alemão afirma ter encontrado indícios físicos que poderiam sustentar a chamada teoria da simulação, hipótese que sugere que toda a realidade pode funcionar como um sistema computacional avançado.
A base da argumentação está em uma proposta chamada Segunda Lei da Infodinâmica, uma regra que o cientista apresenta como um possível complemento às leis tradicionais da física. Segundo ele, a ideia parte de um paralelo com a conhecida segunda lei da termodinâmica, que estabelece que a entropia, medida da desordem de um sistema, tende sempre a aumentar ou, no máximo, permanecer constante em um sistema isolado.
No entanto, ao analisar sistemas baseados em informação, Vopson observou um comportamento diferente. De acordo com o pesquisador, nesses sistemas a chamada entropia da informação tende a permanecer constante ou até diminuir com o tempo, atingindo um nível mínimo quando o sistema chega ao equilíbrio.
Para ele, esse comportamento poderia indicar um mecanismo semelhante ao usado em sistemas digitais: compressão e otimização de dados.
“Em um universo tão vasto quanto o nosso, se ele fosse uma simulação, seria necessário um processo constante de otimização de informações”, afirma o cientista. “Isso é exatamente o que observamos ao nosso redor, incluindo dados digitais, sistemas biológicos, simetrias matemáticas e até a própria estrutura do universo.”
Outro ponto citado por Vopson é a forte presença de simetria na natureza. Esse padrão pode ser observado em fenômenos como flocos de neve, estruturas cristalinas e até em organismos vivos. Segundo a proposta do pesquisador, estados com maior simetria correspondem justamente a níveis menores de entropia de informação.
Apesar da teoria despertar curiosidade e alimentar debates filosóficos e científicos, a hipótese ainda é considerada especulativa por grande parte da comunidade científica. Mesmo assim, estudos como esse continuam alimentando uma pergunta que intriga pesquisadores e curiosos há décadas: afinal, até que ponto aquilo que chamamos de realidade pode ser apenas… um grande código em execução?

