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Shrekking: o comportamento que troca o “príncipe encantado” por controle emocional

Entre o medo de se machucar e a busca por conexões reais, o termo inspirado em Shrek revela mais do que parece

28/04/2026 - 11h16min

Atualizada em: 28/04/2026 - 11h16min

Se o vocabulário dos relacionamentos já parecia caótico, o shrekking chega para adicionar mais uma camada, e talvez uma das mais desconfortáveis de encarar.

Se você pensou na animação, é por aí mesmo. O nome vem diretamente do universo de Shrek, onde um ogro fora dos padrões clássicos de beleza vive uma história de amor improvável. A internet pegou essa referência e transformou em verbo: “shrekkar” seria, basicamente, escolher alguém que foge do ideal tradicional de atração.

À primeira vista, o conceito pode até soar inofensivo ou engraçado (afinal, quem nunca brincou com a ideia de “dar uma chance para alguém fora do padrão”?). Mas, por trás do meme, existe um comportamento que fala diretamente sobre insegurança, frustração amorosa e tentativa de controle emocional.

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O que é o shrekking?

No contexto dos relacionamentos, shrekking é quando alguém decide se envolver com uma pessoa que considera menos atraente ou “abaixo do seu padrão”, acreditando que isso vai resultar em uma dinâmica mais segura.

Mas essa ideia carrega um problema estrutural: ela transforma a relação em uma espécie de balança de poder baseada em percepção estética, não em conexão real.

O jornal britânico The Guardian aponta justamente esse ponto: o termo nasce de uma visão onde pessoas seriam classificáveis em uma escala de atratividade e, a partir disso, relações virariam quase negociações estratégicas.

Já o americano USA Today reforça que, embora o nome seja novo, o comportamento é antigo. A diferença é que agora ele ganhou linguagem, viralizou e virou pauta de discussão coletiva.

A camada psicológica

O shrekking não surge do nada. Ele costuma aparecer em cenários de cansaço emocional.

Depois de experiências frustrantes, rejeições, relações instáveis, jogos emocionais, algumas pessoas passam a buscar previsibilidade a qualquer custo. E é aí que entra a escolha por alguém percebido como “menos desejado”.

Não necessariamente por falta de interesse, mas por uma tentativa de reduzir riscos.

Só que existe um paradoxo: ao tentar evitar vulnerabilidade, a pessoa pode acabar construindo vínculos menos autênticos e mais baseados em estratégia do que em desejo real.

Quando vira armadilha

A grande falha do shrekking está na premissa central: a ideia de que aparência define comportamento.

Relacionamentos saudáveis não são resultado de “vantagem emocional”, mas de reciprocidade. Quando alguém entra em uma relação já assumindo uma hierarquia, cria-se um terreno instável.

Quem pratica shrekking também se priva de algo essencial, a possibilidade de ser escolhido de forma inteira, não estratégica.

Existe um lado menos tóxico?

Nem todo caso de “sair com alguém fora do padrão” é shrekking. Existe uma diferença importante entre explorar novas formas de atração e escolher alguém por medo.

Parte da geração Z, inclusive, parece estar questionando padrões rígidos de beleza e priorizando valores mais profundos, como compatibilidade emocional, respeito e visão de mundo.

Isso aparece em pesquisas recentes de comportamento em apps de namoro, como o Tinder, que indicam uma mudança de foco: aparência ainda importa, mas deixou de ser o fator dominante.

Shrekking na vida profissional

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O conceito também saiu do campo amoroso e ganhou uma versão corporativa: o career shrekking.

Aqui, a lógica é parecida, mas aplicada ao trabalho. A pessoa aceita posições, projetos ou ambientes abaixo do seu potencial para evitar riscos maiores, como rejeição, exposição ou fracasso.

Parece uma escolha segura. Mas, no longo prazo, pode gerar estagnação, perda de propósito e sensação de estar “se diminuindo” para caber em zonas de conforto.

Mais do que uma trend isolada, o shrekking funciona como um sintoma do momento atual.



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