Se você sentiu que todo mundo começou a discutir relacionamento aberto, poliamor e “novas regras do amor” ao mesmo tempo você não está sozinho.
Nos últimos anos, a não-monogamia virou pauta de podcast, série, thread no X e até documentário, tipo Inside the Manosphere, que ajudou a colocar um termo polêmico no radar: monogamia unilateral, ou “monogamia de um lado só”.
Mas calma, nem tudo que parece moderno é, de fato, evolução.

O que é monogamia unilateral
Segundo reportagem da Cosmopolitan, a chamada “one-sided monogamy” é basicamente isso:
Em um relacionamento, uma pessoa é monogâmica; Enquanto a outra tem liberdade para se envolver com outras pessoas;
Na prática, o modelo tem aparecido muito em discursos da chamada “manosphere”, uma comunidade online associada a visões mais conservadoras (e frequentemente machistas) sobre relacionamentos.
E aqui entra o ponto-chave:
apesar de, teoricamente, existir um “acordo”, nem sempre há equilíbrio real de escolha.
Ou seja, não é exatamente sobre liberdade, muitas vezes, é sobre assimetria de poder.
Em alguns casos citados pela revista, o combinado inclui até política de “não pergunte, não conte”, onde uma das partes simplesmente finge que não vê.
Resultado? Um combo de ressentimento, insegurança e um conceito bem antigo com nome novo: infidelidade tolerada.

Mono-poli existe, mas é outra história
Sim, relações em que uma pessoa é monogâmica e a outra não existem de verdade, e são conhecidas como relações “mono-poli”.
A diferença entre esse acordo e a tal "monogamia unilateral" está principalmente no consentimento real, na autonomia e na escolha individual, sem pressão.
Nesse caso, a pessoa monogâmica não está abrindo mão por obrigação, mas porque genuinamente se sente confortável com um único vínculo, enquanto o parceiro vive múltiplas conexões.
Ainda assim, especialistas apontam: é raro. E exige um nível alto de comunicação emocional pra não virar desgaste.
E onde entra a tal da neomonogamia?

Se a monogamia unilateral parece desequilibrada demais, a neomonogamia surge quase como um “meio-termo possível”.
Popularizada por discussões em veículos como a Vogue, ela propõe uma releitura da monogamia clássica: continua sendo um relacionamento principalmente exclusivo, mas com flexibilizações combinadas, sempre com transparência, limites e diálogo.
É tipo um relacionamento fechado só que com com atualizações.
Mas o que seriam essas flexibilizações?
- Beijar alguém em uma festa;
- Um crush liberado;
- Experiências pontuais em viagens ou eventos;
Mas o ponto não é a “liberação geral”, é o acordo. Tudo precisa ser conversado, alinhado e respeitado.
No fim das contas, a linha entre esses modelos não está no número de pessoas envolvidas, mas na qualidade do acordo e no respeito entre os parceiros.

