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Dias normais: exposição no Instituto Ling transforma poluição, luto e esperança em arte

Mostra da artista Shirley Paes Leme reúne instalações, esculturas e obras que refletem sobre os desafios do mundo contemporâneo

02/06/2026 - 14h28min

Quem passar pelo Instituto Ling nesta semana ainda tem a chance de conferir uma exposição que convida o público a olhar para o cotidiano por outro ângulo. A mostra Dias normais, da artista brasileira Shirley Paes Leme, segue em cartaz até sábado, 6 de junho, reunindo trabalhos que discutem temas como poluição, guerra, tecnologia, memória e esperança.

Com curadoria de Tálisson Melo, a exposição apresenta obras produzidas a partir de 2014, período em que a artista intensificou suas pesquisas sobre como percebemos o mundo em meio às crises que atravessam a vida contemporânea.

Maciel Goelzer

Arte feita a partir do que sobra

Um dos destaques da mostra é Skyline (2025), obra da série Ar da Cidade. Nela, Shirley utiliza filtros de ar-condicionado de automóveis já usados e marcados pela poluição para criar uma nova paisagem urbana. O resultado transforma resíduos do cotidiano em matéria-prima para reflexão.

Outra instalação que chama atenção é Duração dos Dias. A obra reúne 150 esculturas em bronze dourado produzidas a partir de velas que queimaram continuamente durante 21 dias. As formas preservam as marcas do derretimento e ocupam uma grande mesa preta, criando uma espécie de registro físico da passagem do tempo.

Também nas palavras

A literatura também ocupa espaço importante na exposição. Frases espalhadas pelas paredes da galeria aparecem moldadas em bronze, algumas com aspecto de metal derretido. Os textos dialogam com temas como ausência, solidão e os vazios deixados pelas experiências humanas.

Segundo o curador, o título Dias normais carrega uma dose de ironia. A ideia é provocar uma reflexão sobre aquilo que passou a ser encarado como comum em um mundo marcado por conflitos, excesso de informação e mudanças constantes.

Mais de quatro décadas de trajetória

Nascida em 1955, na divisa entre Goiás e Minas Gerais, Shirley Paes Leme construiu uma carreira de mais de 40 anos dedicada à experimentação artística. Sua produção já passou por museus, galerias e bienais no Brasil e no exterior, incluindo participações em eventos como a Bienal do Mercosul, a Bienal de São Paulo e exposições em cidades como Paris, Nova York, Barcelona e Berlim.

Como visitar

A exposição pode ser visitada gratuitamente até 6 de junho no Instituto Ling, das 10h30 às 20h. A visitação não ocorre durante o feriado de Corpus Christi.

Além da mostra, o público também pode assistir a um minidocumentário sobre o processo criativo da artista, disponível no canal do YouTube do instituto.



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