Depois de mais de duas décadas no Morumbi, a Pinakotheke reabriu em São Paulo com uma proposta que já começa gigante: transformar o bairro Higienópolis em um novo ponto obrigatório para quem ama arte, cultura e exposições que fazem a cabeça viajar um pouco além da realidade.
E a escolha da mostra inaugural não poderia ser mais certeira. “Surrealismos: Arte para Além da Razão” reúne nomes como Salvador Dalí, René Magritte, Pablo Picasso, Tarsila do Amaral, Diego Rivera e Louise Bourgeois em uma experiência que mistura sonho, inconsciente, estranhamento e imagens que parecem saídas diretamente de um delírio coletivo.
São mais de 60 artistas e cerca de 100 obras espalhadas pelo novo casarão dos anos 1930 que agora abriga a galeria. O espaço restaurado ganhou um ar contemporâneo sem perder a arquitetura clássica, criando quase um cenário perfeito para uma exposição surrealista. Tem pintura, escultura, gravura, vídeo e até trechos de filmes históricos do movimento.
Entre os destaques que mais chamam atenção está “A Persistência da Memória II”, de Dalí, além de obras como “Magia Negra”, de Magritte, e esculturas de Picasso. Mas o diferencial da mostra está justamente em fugir da visão tradicional do surrealismo europeu e aproximar artistas latino-americanos, brasileiros e caribenhos dessa conversa.
A curadoria de Tadeu Chiarelli e Max Perlingeiro propõe um percurso que conecta arte, cinema, literatura e psicanálise para mostrar como o surrealismo atravessou décadas e continua influenciando artistas até hoje. Tem obras de Maria Martins, vídeos de Letícia Parente e referências que vão de sonhos perturbadores até críticas ao racionalismo da sociedade moderna.
A sensação é quase a de entrar dentro de um Pinterest caótico de arte cult, referências vintage e imagens impossíveis.
Além da exposição, a nova sede ainda ganha cafeteria temporária, livraria e uma área externa pensada para eventos e encontros culturais. Tudo isso em uma região que já virou um dos polos artísticos mais fortes de São Paulo.

