Caso Epstein volta à tona: entenda o que está acontecendo
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Caso Epstein volta à tona: entenda o que está acontecendo

A maior leva de documentos judiciais sobre o financista Epstein está sendo tornada pública.

13/02/2026 - 15h11min

Caso Epstein volta à tona: entenda o que está acontecendo / Reprodução

O nome Jeffrey Epstein voltou a ganhar destaque na mídia e nas redes sociais nas últimas semanas, mais de seis anos após sua morte na prisão de Nova York enquanto respondia a acusações federais de tráfico sexual de menores.

O motivo não é um novo julgamento, mas sim a divulgação de uma enorme quantidade de documentos judiciais e materiais de investigação que estavam em grande parte sob sigilo por anos. Essa liberação está expondo conexões, comunicações e detalhes que antes não eram públicos, com impactos que vão além do próprio caso.

Por que o caso voltou à tona agora

A repercussão recente tem origem na execução da chamada Epstein Files Transparency Act, uma lei aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos em 2025 que obriga o Departamento de Justiça a publicar os registros das investigações sobre Epstein, mesmo que parcialmente redigidos.

Em 30 de janeiro de 2026, o DOJ (Departamento de Justiça) liberou mais de 3 milhões de páginas de documentos, além de milhares de imagens e vídeos relacionados às investigações sobre o magnata condenado por tráfico sexual de menores. Esse montante representa a maior leva de material já disponibilizada ao público desde que o caso ganhou notoriedade.

Esses arquivos incluem e-mails, registros de comunicação e outros materiais que ligam Epstein a potentes figuras do mundo político, financeiro e acadêmico, muitos dos quais nunca haviam sido divulgados antes.

O que os documentos mostram

Os arquivos liberados recentemente ampliam a compreensão do alcance dos contatos de Epstein e de suas relações com membros influentes da sociedade. Entre os principais pontos estão:

  • Comunicações com figuras poderosas, incluindo conselheiros governamentais, empresários bilionários e celebridades. Apesar de a presença desses nomes nos arquivos não implicar automaticamente em crimes, a divulgação gerou questionamentos e pedidos de explicações públicas.
  • E-mails e trocas que deixam claro um relacionamento continuado mesmo após a condenação anterior de Epstein por crimes sexuais em 2008.
  • Revelações que levaram a renúncias de executivos e líderes corporativos por causa de alergias a percepções de proximidade com Epstein.
  • Empresas que suspenderam investimentos ou parcerias após a exposição de correspondências entre seus dirigentes e o financista.

Embora nenhum envolvimento criminal tenha sido provado até agora para as pessoas mencionadas nos documentos, o impacto reputacional já é visível e motivou reações em diferentes setores.

Quem são as figuras públicas citadas nos arquivos

Entre os nomes que aparecem na nova leva de arquivos estão bilionários da tecnologia, ex-chefes de Estado, membros da realeza e empresários do setor financeiro e do entretenimento.

Elon Musk

Documentos mostram trocas de e-mails entre Musk e Epstein em 2012 sobre viagens e possíveis encontros. Em uma das mensagens, o empresário questiona sobre a “festa mais animada” na ilha de Epstein. Musk afirmou que nunca visitou a ilha e disse que os e-mails poderiam ser usados para difamá-lo. Ele declarou estar mais preocupado com a responsabilização de quem cometeu crimes.

Bill Gates

Dois e-mails atribuídos a Epstein, datados de 2013, fazem alegações pessoais graves envolvendo o fundador da Microsoft. Não está claro se as mensagens são autênticas ou se chegaram a ser enviadas. Porta-voz de Gates classificou as acusações como “absurdas e completamente falsas”.

Sergey Brin

O cofundador do Google é citado em registros que indicam visita à ilha particular de Epstein e trocas de mensagens com Ghislaine Maxwell. Não há indícios de irregularidade nos documentos divulgados.

Richard Branson

O nome do fundador do Grupo Virgin aparece centenas de vezes. Em mensagens de 2013, há registros de conversas amistosas. A empresa afirmou que o contato foi limitado e que, após diligência prévia envolvendo uma possível doação, Branson rompeu relações.

Howard Lutnick

E-mails indicam planejamento de visita à ilha de Epstein com a família. O Departamento de Comércio dos EUA declarou que Lutnick teve interações limitadas e nunca foi acusado de irregularidades.

Líderes políticos e figuras de Estado

Donald Trump

O presidente dos EUA é mencionado diversas vezes, inclusive em denúncias recebidas por uma linha direta do FBI, muitas delas não verificadas. Trump afirma ter rompido relações com Epstein há décadas e nunca foi acusado pelas vítimas.

Andrew Mountbatten-Windsor (Príncipe Andrew)

Fotografias incluídas na nova divulgação mostram o ex-príncipe em situações ainda sem contexto detalhado. Ele nega qualquer irregularidade.

Ehud Barak

O ex-primeiro-ministro de Israel trocou mensagens com Epstein após sua condenação na Flórida, em 2008, e planejou hospedagem em imóvel ligado ao financista. Barak reconhece o contato, mas afirma nunca ter presenciado comportamento impróprio.

Lord Peter Mandelson

Extratos bancários indicam transferências financeiras para contas associadas ao ex-embaixador britânico. Ele afirma que buscou aconselhamento econômico e nega qualquer ilegalidade.

Miroslav Lajčák

Mensagens divulgadas mostram conversas consideradas inadequadas. Após a publicação, ele renunciou ao cargo de conselheiro de segurança nacional da Eslováquia. Não foi acusado formalmente.

Empresários e nomes do entretenimento

Outros citados incluem:

  • Steve Bannon, com mensagens que sugerem discussões sobre estratégia de imagem;
  • Steve Tisch, coproprietário do New York Giants;
  • Brett Ratner, diretor de cinema;
  • Casey Wasserman, empresário ligado aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028;
  • Peter Attia, médico e influenciador.

Por que a divulgação foi tão complicada

A liberação desse volume gigantesco de material não foi imediata nem simples. Apesar de a lei ter estipulado prazos, a resposta do Departamento de Justiça foi gradual, com red ações extensivas para proteger identidades de vítimas e materiais sensíveis. Documentos judiciais mostraram que apenas uma pequena fração do total estimado está disponível até agora, e várias autoridades ainda estão revisando o restante.

Além disso, debates políticos e críticas sobre o que ainda permanece sob sigilo alimentam o interesse público e as acusações de falta de transparência.



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