Se hoje a internet fala em “six seven”, “delulu” e “farmar aura”, teve uma época em que o auge do flerte era chamar alguém de “broto” e dizer que a pessoa tinha “borogodó”. E sinceramente? Algumas gírias antigas ainda funcionariam muito bem em 2026.
A verdade é que as gírias mudam, mas o mecanismo continua o mesmo: cada geração inventa um jeito próprio de falar, criar códigos e transformar comportamento em linguagem. O TikTok acelerou esse processo, mas ele já existia muito antes dos edits e dos memes.

Enquanto a Gen Z cria expressões que nascem e morrem em uma semana, várias gírias antigas seguem sobrevivendo no vocabulário brasileiro. Algumas voltaram em tom de piada. Outras nunca foram embora de verdade.
E tem certas palavras que carregam um nível de personalidade que nenhuma trend relâmpago consegue substituir.
Gírias antigas que continuam vivíssimas
Algumas expressões atravessaram décadas sem nem parecer “coisa de gente mais velha”. Elas só foram mudando de contexto.
Pagar mico
Antes do “cringe”, existia o clássico “pagar mico”. A essência continua a mesma: passar vergonha e precisar fingir que nada aconteceu.
Zoar
Pode até existir “shade”, “exposed” e “flop” (que sabemos, trazem diferentes significados), mas “zoar” continua firme. É provavelmente uma das gírias brasileiras mais resistentes da história recente.
Bolado
Nos anos 90, ficar bolado era ficar irritado ou incomodado. Em 2026, ainda funciona perfeitamente.
Busão
Ninguém fala “ônibus” na vida real. O busão venceu.
Tá ligado?
Sobreviveu aos anos 2000, passou pelo Orkut, atravessou o WhatsApp e segue aparecendo em qualquer áudio de 2 minutos. Ganhou até abreviação: tlg.
Gírias antigas que mereciam voltar
Tem expressão antiga que parece escrita por um roteirista muito criativo. Algumas são tão específicas que funcionariam fácil no X ou no TikTok hoje.
Borogodó
Charme difícil de explicar. Aquela pessoa que não necessariamente segue padrão nenhum, mas tem presença. Basicamente o "tem o molho" antes do algoritmo existir.
Bulhufas
Uma palavra perfeita para situações acadêmicas. “Não entendi bulhufas da aula de cálculo.”
Funciona, tem ritmo e tem impacto.
Patota
Muito melhor que “grupo do rolê”. “Vou sair com a patota” tem energia de filme adolescente dos anos 70.
Gamar
Muito mais dramático que simplesmente “estar interessado” ou "ter um crush". Você não só gostava da pessoa. Você estava gamado.
Serelepe
A internet perdeu a capacidade de descrever gente animada de um jeito divertido. “Serelepe” resolveria isso rapidamente.
Do “broto” ao “delulu”
As gírias antigas também ajudam a entender como o comportamento mudou.
Nos anos 60 e 70, muita expressão girava em torno de paquera, estilo e convivência social. “Boa pinta”, “brotinho”, “cafona”, “careta”. Era tudo muito ligado à imagem que alguém passava pros outros.

Hoje, o vocabulário da internet parece mais emocional e caótico. As gírias atuais falam sobre ansiedade social, ironia, relacionamento indefinido e humor absurdo.
“Ghosting”, “situationship”, “FOMO”, “brainrot”. A geração muda, mas continua tentando explicar exatamente as mesmas confusões humanas.
As melhores gírias antigas por década
Anos 60
- Broto
- Borogodó
- Bulhufas
- Boa pinta
- Papo furado
- Duvi-de-o-dó (significa que você duvida fortemente de algo que outra pessoa falou)
Anos 70
- Chuchu beleza
- Grilado
- Patota
- Barra pesada
- Chato de galocha
- Tutu (essa é uma gíria que é sinônimo de dinheiro)
Anos 80
- Rachar o bico
- Viajar na maionese
- Numa nice
- Pentelho
Anos 90
- Pagar mico
- Azarar
- Chavecar
- Pindaíba
- De lei
- Mauricinho e patricinha
Anos 2000
- Caôzeiro
- Tá dominado
- Passar o rodo
- Bombado
- X9
- Abalar
O ciclo das gírias nunca para
Provavelmente, daqui a 15 anos, alguém vai fazer um texto explicando o que significava “flopar”, “slay” ou “farmar aura” como se fossem relíquias da internet.
E inevitavelmente vai existir uma geração achando tudo isso meio cafona. O que muda não é só a linguagem. É a forma como cada época tenta parecer engraçada, interessante e parte de algum grupo.
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