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Copa do Mundo: por que os shorts dos jogadores de futebol ficaram maiores?

Dos curtinhos de Pelé aos modelos atuais: como moda, tecnologia e até a cultura pop transformaram uma das peças mais marcantes do futebol

19/06/2026 - 17h11min

Enquanto a Copa do Mundo de 2026 domina as conversas entre torcedores, uma comparação tem chamado atenção nas redes sociais: basta colocar lado a lado uma foto da seleção atual e uma imagem dos times dos anos 1970 ou 1980 para perceber uma diferença impossível de ignorar. Os shorts dos jogadores cresceram.

O que antes terminava no alto da coxa hoje costuma chegar perto dos joelhos. A mudança aconteceu aos poucos, atravessou gerações e não tem relação com nenhuma regra da FIFA. Na prática, ela acompanha a evolução do próprio futebol.

Os shorts curtos eram uma necessidade

Nas décadas passadas, os uniformes eram feitos com materiais muito diferentes dos atuais. O algodão era predominante e absorvia suor com facilidade, deixando as peças mais pesadas durante as partidas.

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Brasil x Argentina, na Copa do Mundo de 1982

Para compensar essa limitação, os fabricantes apostavam em shorts menores. A ideia era simples: quanto menos tecido, mais liberdade de movimento.

Por isso, craques como Pelé, Zico, Sócrates e Maradona entravam em campo com modelos que hoje lembram mais roupas de corrida do que uniformes de futebol.

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Copa do Mundo de 1954

A moda entrou em campo

A grande virada aconteceu nos anos 1990. Foi a época em que o futebol se tornou um fenômeno global ainda maior, impulsionado pela televisão, pelo marketing esportivo e pela força das grandes marcas. Ao mesmo tempo, a cultura do hip-hop, do streetwear e do basquete norte-americano popularizou roupas mais largas.

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Uniforme de Orlando Magic nos anos 90

O resultado apareceu nos gramados. Os shorts começaram a ganhar comprimento, seguindo uma tendência que já dominava o guarda-roupa de jovens em várias partes do mundo. O visual dos jogadores passou a refletir não apenas o esporte, mas também o que acontecia fora dele.

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Seleção na Copa de 2002

A tecnologia permitiu a mudança

Se nos anos 1970 um short mais comprido poderia atrapalhar o desempenho, hoje isso não faz diferença.

Os tecidos modernos são leves, elásticos e ajudam na evaporação do suor. Isso significa que os atletas conseguem correr, acelerar e mudar de direção sem que o tamanho da peça interfira no rendimento.

Na prática, a tecnologia deu liberdade para que o design dos uniformes evoluísse sem comprometer a performance.

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Brasil X Marrocos na Copa do Mundo de 2026

O futebol virou um produto de moda

Outra transformação importante aconteceu longe dos gramados. Os uniformes deixaram de ser apenas equipamentos esportivos e passaram a movimentar bilhões em vendas. Camisas, shorts e jaquetas passaram a fazer parte do dia a dia dos torcedores.

Nesse cenário, as marcas começaram a desenvolver peças que funcionassem tanto para o atleta quanto para quem queria usar o visual do futebol nas ruas.

O comprimento maior dos shorts ajudou nessa adaptação, aproximando a estética esportiva das tendências da moda casual.

Os shorts curtinhos dos anos 1970 e 1980 eram vistos com naturalidade. Mostrar as pernas fazia parte da estética masculina da época.

Com o passar dos anos, a moda masculina ficou mais conservadora em relação aos comprimentos. Os shorts cresceram não apenas no futebol, mas também fora dele.

Por isso, a mudança dos uniformes reflete uma transformação cultural mais ampla, ligada à forma como os homens passaram a se vestir e a se apresentar publicamente.

Será que os shorts vão voltar a encolher?

A moda funciona em ciclos, e alguns sinais apontam para um retorno gradual de peças mais curtas. Tendências inspiradas nos anos 1980 e 1990 voltaram a aparecer tanto nas passarelas quanto no universo esportivo.

Ainda assim, dificilmente veremos um retorno imediato aos modelos usados por Pelé ou Zico. O padrão atual representa um equilíbrio entre conforto, tecnologia, estética e mercado.

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Brasil x Uruguai nas eliminatórias da Copa de 1994

 


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