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Paris Fashion Week: como funciona a semana de moda mais importante do mundo?

Muito além das passarelas, a PFW mistura arte, tendências, celebridades e estratégia em uma cidade que literalmente para para respirar moda

09/05/2026 - 13h00min

Quando começam a aparecer vídeos de celebridades chegando em desfiles, produções absurdas no TikTok e ruas de Paris lotadas de looks que parecem saídos de um editorial, significa que a Paris Fashion Week começou. E mesmo quem acompanha moda de longe já percebeu que existe algo diferente nela. A questão é: por que a semana de moda de Paris é tratada como o maior evento fashion do planeta?

A resposta vai muito além da roupa.

Reprodução

A Paris Fashion Week funciona como o encerramento do mês da moda internacional, calendário que também passa por Nova Iorque, Londres e Milão. Mas é em Paris que tudo ganha um peso quase cultural. É ali que as maiores maisons (casas da moda) apresentam suas coleções, tendências são consolidadas e a moda vira espetáculo.

A semana acontece duas vezes por ano, normalmente entre fevereiro/março e setembro/outubro, acompanhando as temporadas de Outono/Inverno e Primavera/Verão do hemisfério norte. Durante esse período, a cidade inteira muda de atmosfera. Museus, hotéis históricos, galerias e até ruas famosas viram cenários de desfiles gigantescos, enquanto cafés e calçadas se transformam em extensão da passarela.

E não, não existe apenas “um tipo” de Paris Fashion Week.

Além dos desfiles prêt-à-porter, o famoso ready-to-wear, mais próximo do que chega às lojas, Paris também recebe as apresentações de Alta-Costura, a categoria mais exclusiva da moda mundial. Nesse caso, não basta ser uma marca famosa para desfilar. As maisons precisam seguir regras rígidas definidas pela Fédération de la Haute Couture et de la Mode ("Federação de Alta Costura e Moda", que é o órgão dirigente da indústria da moda francesa), incluindo produção artesanal, peças feitas sob medida e ateliês especializados em Paris.

É por isso que a alta-costura parece quase uma exposição de arte em movimento. Algumas peças levam centenas de horas para serem produzidas e muitas nem são pensadas para uso “comum”. A ideia é apresentar técnica, conceito, identidade e narrativa visual.

E talvez essa seja a maior diferença da Paris Fashion Week para quem acompanha só pelas redes sociais: os desfiles não servem apenas para mostrar roupa nova, e sim como um posicionamento cultural.

Cada detalhe importa. O casting, a trilha sonora, o local escolhido, quem está sentado na primeira fila e até o horário do desfile fazem parte da mensagem que a marca quer passar. Por isso, a famosa front row virou praticamente um evento paralelo, reunindo celebridades, influenciadores, jornalistas, compradores de moda e embaixadores das marcas.

Só que o espetáculo não acontece apenas dentro das passarelas.

Do lado de fora, a cidade vira um verdadeiro laboratório de tendências. Fotógrafos ficam esperando produções ousadas, criadores de conteúdo transformam ruas em cenário e o street style ganha tanta atenção quanto algumas coleções. Muitas tendências que aparecem meses depois no TikTok, Pinterest ou fast fashion começam justamente ali, entre um desfile e outro.

Outro ponto que faz Paris ter um peso diferente é a tradição. A cidade construiu sua relação com a moda há décadas, desde o fortalecimento da alta-costura até o surgimento das grandes maisons francesas, como Chanel, Dior e Louis Vuitton. Com o tempo, a Fashion Week deixou de ser apenas um evento da indústria para virar parte da identidade cultural parisiense.

Mas, ao contrário do que muita gente pensa, a Paris Fashion Week não vive só de tradição. Hoje, ela também funciona em ritmo de internet. Os desfiles viralizam em tempo real, os looks rendem memes em segundos e as marcas já pensam em cenários que funcionem tanto presencialmente quanto na tela do celular.

No fim, talvez seja justamente isso que mantém a PFW tão relevante: ela consegue misturar história, arte, marketing, comportamento, luxo e cultura pop tudo ao mesmo tempo. 

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