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Fim da taxa das blusinhas: o que muda na moda, nas compras e nas marcas brasileiras

Compras internacionais ficaram mais baratas. Mas a discussão virou muito maior do que um carrinho na Shein

21/05/2026 - 15h48min

A chamada “taxa das blusinhas” caiu e, em poucas horas, o assunto já dominava nossos feeds, grupos de compras e o mercado da moda. De um lado, consumidores comemorando preços menores. Do outro, marcas brasileiras e varejistas tratando a decisão como um alerta vermelho para o setor.

Na prática, o governo federal zerou o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress (e outros espaços de compras internacionais). A mudança já entrou em vigor e afeta diretamente um hábito que virou parte da rotina de consumo de muita gente no Brasil: comprar roupa, acessório e beleza em apps internacionais.

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O que era a “taxa das blusinhas”?

O apelido surgiu em 2024, quando entrou em vigor a cobrança de 20% de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50 dentro do programa Remessa Conforme.

O nome pegou porque a medida atingia principalmente o universo da moda. Peças baratas, compras por impulso, trends do TikTok e consumo acelerado estavam no centro da conversa.

Desde então, roupas importadas ficaram mais caras e plataformas asiáticas perderam parte da vantagem competitiva que tinham no Brasil.

O que muda agora?

A principal mudança é simples: compras internacionais de até US$ 50 voltam a ficar mais baratas.

O imposto federal de 20% deixou de existir, mas isso não significa isenção total.

O ICMS estadual continua sendo cobrado e varia entre 17% e 20%, dependendo do estado. Também seguem existindo taxas de desembaraço aduaneiro dos Correios.

Ou seja: o valor final diminui, mas não volta a ter impostos zerados que existia anos atrás.

Na prática, quanto pode cair?

Um produto que antes chegava perto de R$ 350 pode agora custar algo em torno de R$ 295, dependendo da cotação do dólar e do ICMS aplicado.

Parece detalhe, mas no universo da ultra fast fashion isso muda completamente o comportamento de compra. Especialmente em categorias como:

  • roupas
  • acessórios
  • maquiagem
  • itens de beleza
  • bijoux
  • decoração
  • pequenos eletrônicos

A lógica de que vale a pena adicionar mais uma peça no carrinho volta com força.

Por que o mercado da moda ficou preocupado?

Marcas brasileiras argumentam que concorrem em condições muito diferentes das plataformas internacionais. Enquanto empresas nacionais lidam com produção local, folha de pagamento, impostos altos, logística e custos trabalhistas, gigantes asiáticas operam em escala global e conseguem vender peças por preços extremamente baixos.

No varejo de moda, isso mexe direto em gigantes como Riachuelo, Renner e C&A. Mas o impacto também chega em marcas independentes, confecções menores e estilistas brasileiros.

A preocupação do setor é que a diferença de preço volte a aumentar rapidamente.

Além das roupas

A discussão abriu um debate antigo do mercado brasileiro: proteger a indústria nacional ou facilitar o acesso do consumidor a produtos mais baratos? Para quem compra, o alívio é imediato.

Para quem produz no Brasil, a conversa é outra. O setor têxtil argumenta que a medida pode pressionar empregos, enfraquecer marcas locais e aumentar ainda mais a dependência de produtos importados.

A moda nacional já vinha tentando competir com a velocidade da ultra fast fashion. Coleções mais rápidas, drops menores, marketing em redes sociais e collabs viraram estratégia de sobrevivência nos últimos anos. Agora, a pressão aumenta de novo.

A taxa pode voltar?

Sim, mas é difícil. A mudança aconteceu por meio de uma Medida Provisória. Isso significa que ela precisa ser aprovada pelo Congresso para virar definitiva.

Se isso não acontecer dentro do prazo, a cobrança federal pode retornar. Então o cenário atual ainda é considerado instável pelo mercado.

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A “taxa das blusinhas” acabou virando um termômetro do jeito que a geração atual consome moda. O sucesso das plataformas internacionais mostrou que muita gente prioriza preço, velocidade e tendência instantânea.

Ao mesmo tempo, o crescimento da conversa sobre produção local, sustentabilidade e valorização de marcas independentes também aumentou nos últimos anos.



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