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Galpão Crioulo: por que o programa virou um dos maiores símbolos da cultura gaúcha?

Com 44 anos de história, o programa criado por Nico Fagundes atravessou gerações, mudou de apresentadores e segue conectando o Rio Grande do Sul às suas tradições

03/09/2026 - 17h24min

Setembro chegou e, na Atlântida, é hora de falar sobre os símbolos que ajudam a explicar o jeito gaúcho de ser. Para abrir a série especial do Por Trás do Hype, o assunto não poderia ser outro: o Galpão Crioulo.

No ar desde 1982, o programa se tornou uma das principais referências da cultura gaúcha na televisão. Ao longo de mais de quatro décadas, passou por diferentes fases, apresentadores e formatos, mas manteve uma missão que acompanha sua história desde o início: valorizar a música, a dança, a culinária e as tradições do Rio Grande do Sul.

Mas como o Galpão Crioulo chegou até aqui? E por que um programa tradicionalista continua relevante para diferentes gerações?

Antes do Galpão Crioulo, veio o movimento tradicionalista

Para entender o sucesso do Galpão, é preciso voltar algumas décadas no tempo.

Em 1948, Paixão Cortes, Glauco Saraiva e Barbosa Lessa deram início ao movimento tradicionalista gaúcho. A proposta era preservar e promover manifestações culturais do Rio Grande do Sul em um período em que expressões regionais tinham pouco espaço.

Foi nesse contexto que surgiram os Centros de Tradições Gaúchas, os conhecidos CTGs. Esses espaços passaram a reunir atividades ligadas à música, à dança e aos costumes do Estado, além de festas que aproximavam as comunidades.

A música também ganhou força nesse processo. Paixão Cortes e Barbosa Lessa pesquisaram manifestações culturais no Uruguai e perceberam a necessidade de construir um repertório que representasse melhor a identidade regional. Ao lado de outros artistas, ajudaram a formar a base da música regionalista gaúcha.

Nos anos 1970, o tradicionalismo cresceu ainda mais com festivais como a Califórnia da Canção Nativa e começou a conquistar espaço nos meios de comunicação.

Programas como Grande Rodeio Coringa, Fogo de Chão e Galpão Nativo levaram a música gaúcha para a televisão, mas ainda tinham um alcance mais restrito.

Faltava um programa que conseguisse conversar com todo o Rio Grande do Sul.

Como nasceu o Galpão Crioulo?

Antes de chegar à televisão, Nico Fagundes já apresentava o Galpão do Nativismo, na Rádio Gaúcha.

Ao mesmo tempo, o Fantástico começou a exibir clipes de diferentes regiões do Brasil. A RBS convidou Nico para colaborar na produção de materiais ligados à cultura gaúcha.

A proposta, porém, acabou esbarrando em uma questão: o conteúdo era regional demais para o programa nacional. A solução foi criar um programa próprio.

Em maio de 1982, quando a emissora ainda era chamada TV Gaúcha, entrou no ar o primeiro episódio do Galpão Crioulo.

E a estreia teve uma curiosidade digna dos causos do programa. Nico havia gravado um piloto e não tinha recebido uma resposta oficial sobre sua contratação. Ele descobriu que seria o apresentador quando viu o programa no ar.

Naquele primeiro episódio, também nasceu uma das marcas mais conhecidas do Galpão: “Aquele abraço pros gaúchos e gaúchas de todas as querências.”

Rede Atlântida

Depois de 44 anos, o Galpão Crioulo continua ocupando um espaço particular na televisão gaúcha.

Hoje, o Galpão Crioulo segue como um espaço de encontro entre artistas, música regional, histórias e diferentes expressões da cultura gaúcha.

Quer entender o hype por trás de outros símbolos da cultura gaúcha? Confere o novo vídeo de Por Trás do Hype na ATL TV

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