Poucas autoras conseguiram falar sobre feminismo, racismo, classe, educação, amor e cultura de maneira tão acessível e, ao mesmo tempo, provocadora quanto bell hooks. Ao longo da carreira, a escritora, teórica feminista e crítica cultural publicou mais de 30 livros, passando por teoria crítica, memórias, poesia e literatura infantil.
Nascida Gloria Jean Watkins, em Kentucky, nos Estados Unidos, em 1952, a autora escolheu escrever seu nome em letras minúsculas como uma forma de colocar o foco em suas ideias, e não em sua identidade como autora. Sua produção intelectual foi marcada principalmente pela experiência de mulheres negras e pela análise das relações entre raça, gênero e classe.
No Brasil, diversos de seus livros ganharam novas edições e traduções nos últimos anos, aproximando suas ideias de uma nova geração de leitores. Entre eles estão E eu não sou uma mulher?, Ensinando a transgredir, O feminismo é para todo mundo e Tudo sobre o amor.

Se você ainda não leu bell hooks ou quer descobrir por onde começar, confira alguns dos principais livros da autora:
1. O feminismo é para todo mundo
Talvez seja uma das melhores portas de entrada para quem ainda não teve contato com o pensamento de bell hooks.
Publicado originalmente como Feminism Is for Everybody, o livro apresenta uma introdução às ideias feministas a partir de temas como direitos reprodutivos, beleza, classe, raça, gênero, trabalho, violência e masculinidade.
A proposta da autora está justamente no título: o feminismo não deveria ser entendido como uma discussão restrita às mulheres, mas como uma transformação social que envolve pessoas de diferentes gêneros, idades e classes.
A edição brasileira foi publicada pela Rosa dos Tempos em 2018, com tradução de Ana Luiza Libânio.
Para quem é: quem quer uma introdução às principais ideias feministas de bell hooks.

2. E eu não sou uma mulher?
Publicado originalmente em 1981, Ain't I a Woman: Black Women and Feminism foi um dos primeiros trabalhos de bell hooks e se tornou uma de suas obras fundamentais.
O livro investiga a experiência das mulheres negras nos Estados Unidos, relacionando racismo e sexismo e questionando a forma como mulheres negras foram historicamente colocadas à margem tanto das lutas feministas quanto das discussões sobre raça.
É uma obra importante para compreender como bell hooks desenvolveu uma perspectiva feminista que não separa gênero de raça e classe.
Para quem é: quem quer conhecer as bases do pensamento feminista negro da autora.

3. Ensinando a transgredir
E se a educação pudesse ser uma ferramenta de transformação?
É a partir dessa pergunta que bell hooks desenvolve Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Publicado originalmente em 1994, o livro discute maneiras de transformar a sala de aula em um espaço de pensamento crítico, liberdade e mudança social.
A autora também dialoga com o pensamento de Paulo Freire, além de abordar racismo, sexismo, classe e as relações entre professores e estudantes.
Para hooks, ensinar não deveria significar simplesmente transmitir conhecimento. A educação poderia criar condições para que alunos e professores questionassem as estruturas que organizam a sociedade.
Para quem é: estudantes, professores e qualquer pessoa interessada em educação e pensamento crítico.

4. Tudo sobre o amor
Aqui, bell hooks deixa um pouco mais de lado a discussão diretamente ligada ao feminismo para fazer uma pergunta aparentemente simples: o que significa amar?
Em All About Love: New Visions, publicado em 2000, a autora discute o amor para além da ideia de romance. Ela relaciona o tema a cuidado, respeito, compromisso, comunidade e transformação.
O livro se tornou uma das obras mais conhecidas de hooks justamente por aproximar uma discussão filosófica e política de situações muito presentes na vida cotidiana.
Para quem é: quem gosta de livros que fazem pensar sobre relacionamentos, afeto e a maneira como nos relacionamos com outras pessoas.

5. Olhares negros
A cultura também é política — e é esse um dos pontos centrais de Black Looks: Race and Representation, publicado originalmente em 1992.
No livro, bell hooks analisa a maneira como pessoas negras são representadas na cultura e na mídia, discutindo questões de raça, gênero e poder.
Cinema, televisão e outras formas de representação aparecem como espaços importantes para entender como determinados estereótipos são construídos e reproduzidos.
A obra ganhou edição brasileira como Olhares negros: raça e representação.
Para quem é: quem se interessa por cinema, televisão, cultura pop e representatividade.

Por onde começar a ler bell hooks?
Se você nunca leu a autora, uma boa ordem pode ser começar por O feminismo é para todo mundo, que apresenta de maneira relativamente direta vários dos conceitos que atravessam sua obra.
Mais do que uma lista de livros sobre feminismo, a obra de bell hooks funciona como um convite para olhar de maneira diferente para relações, cultura, educação e para a própria sociedade. E talvez seja justamente por isso que seus textos continuem encontrando novos leitores décadas depois de terem sido publicados.

