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Da Magia à Sedução 2 recupera a magia de Sally e Gillian, mas demora a encontrar seu ritmo

Trinta anos depois, Sandra Bullock e Nicole Kidman voltam aos papéis que marcaram uma geração

24/09/2026 - 16h36min

Reprodução/Internet
Sandra Bullock e Nicole Kidman retornam como Sally e Gillian Owens em Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor, quase 30 anos depois do filme original.

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor chega aos cinemas como um típico filme legado: uma história conhecida retorna décadas depois, recupera personagens queridos e apresenta uma nova geração. A proposta funciona e a sequência consegue amarrar a trajetória iniciada no longa original, embora nem sempre consiga justificar a longa duração.

Lançado em 1998, Da Magia à Sedução apresentou as irmãs Sally Owens (Sandra Bullock, Um Sonho Possível) e Gillian Owens (Nicole Kidman, Moulin Rouge!). Elas descendentes de uma família de bruxas que vive sob uma antiga maldição: qualquer homem por quem uma mulher da família se apaixonasse estaria condenado a morrer.

Criadas pelas tias após a morte dos pais, as duas cresceram em uma casa cercada por magia, mas seguiram caminhos bastante diferentes. Sally tentou levar uma vida mais convencional e chegou a construir uma família com Michael, enquanto Gillian sempre teve uma relação mais intensa e impulsiva com a própria magia e com os relacionamentos.

No segundo filme, o tempo passou, mas as consequências daquela história ainda estão presentes. Sally, depois de perder os dois maridos, segue lidando com as marcas deixadas pelas relações e pela própria condição de integrante da família Owens.

Uma história de legado

A sequência foi concebida como um filme legado, colocando personagens mais antigos em uma posição de "passagem de bastão" para os mais jovens. Por isso, boa parte da trama se concentra nas filhas de Sally e em seus próprios conflitos, relacionamentos e descobertas.

A ideia faz sentido dentro da história. Afinal, já se passaram cerca de 30 anos desde o primeiro filme, e seria pouco natural simplesmente repetir a mesma fórmula sem acrescentar novos personagens e conflitos.

O problema é que aquilo que diferenciava tanto o longa original continua sendo justamente o que funciona melhor aqui: Sally e Gilly.

A dinâmica entre as duas continua sendo o coração da franquia. O drama e a comédia que estavam presentes no primeiro filme permanecem na sequência, mantendo uma espécie de identidade própria que impede que o novo longa pareça apenas uma continuação feita para explorar a nostalgia.

Sandra Bullock e Nicole Kidman continuam sendo o destaque

Reprodução/Internet

Talvez a maior surpresa de Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor seja perceber como Bullock e Kidman continuam perfeitamente encaixadas nos personagens.

É difícil assistir às duas juntas e acreditar que se passaram três décadas desde que elas viveram Sally e Gillian pela primeira vez. As atrizes retomam a personalidade das personagens sem transformar o reencontro em uma simples repetição do passado.

Bullock consegue manter a delicadeza e o humor de Sally, ao mesmo tempo em que a personagem carrega uma bagagem emocional muito maior. Depois de perder seus dois maridos, existe uma camada de melancolia que não estava presente da mesma maneira no primeiro filme.

Já Kidman continua encontrando em Gillian aquela combinação de irreverência, intensidade e imprevisibilidade que fazia da personagem uma das figuras mais interessantes do longa original.

As duas têm uma química que permanece intacta. E isso é particularmente importante porque, justamente quando o roteiro se afasta delas para acompanhar a nova geração, a narrativa perde parte da força.

O problema está no tamanho da história

Da Magia à Sedução 2 é um filme bom. Mais do que isso, ele consegue cumprir uma tarefa que muitas sequências legadas não conseguem: dar continuidade à história sem destruir o que funcionava no original.

O longa também se preocupa em fechar os arcos de seus personagens e entregar um desfecho digno para a família Owens. Nesse sentido, a trajetória de Sally ganha um peso especial, principalmente por tudo o que ela viveu desde o primeiro filme.

Mas existe uma sensação constante de que o filme poderia ser menor.

A história é longa, e algumas passagens poderiam ter sido enxugadas sem comprometer o desenvolvimento dos personagens. É quase como se a sequência tivesse sido vítima de uma tendência recente de transformar continuações em histórias cada vez maiores, mesmo quando a trama não necessariamente precisa de tanto tempo para chegar ao seu destino.

Isso não chega a comprometer o resultado final, mas interfere no ritmo. Principalmente porque os momentos mais interessantes são aqueles em que o filme retorna à relação entre as irmãs originais.

Uma sequência que olha para frente sem esquecer o passado

Reprodução/Internet

A escolha de colocar as filhas de Sally no centro da história é coerente com a proposta de filme legado. Elas representam uma nova geração e permitem que o universo da história continue existindo para além das personagens que conhecemos no primeiro longa.

Ao mesmo tempo, o filme deixa claro que ainda existe muito a ser explorado na relação das irmãs. E talvez esse seja o grande mérito da sequência: ela entende que não precisa escolher entre nostalgia e renovação. O problema é apenas o equilíbrio entre essas duas coisas.

No fim, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor entrega o que promete: uma continuação que respeita o filme original, atualiza seu universo e encerra a história de seus personagens com dignidade. Pode ser longo demais e poderia aproveitar ainda mais suas protagonistas originais, mas é difícil negar a satisfação de reencontrar Sally e Gillian depois de tantos anos.

E, felizmente, a magia entre Sandra Bullock e Nicole Kidman continua intacta.

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