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IA como terapia: por que especialistas alertam para os riscos dessa prática

Cada vez mais pessoas recorrem a chatbots como o ChatGPT para desabafar e pedir conselhos emocionais, mas psicólogos reforçam que essas ferramentas não substituem o acompanhamento profissional

24/09/2026 - 20h30min

Reprodução
Uso de chatbots de IA para apoio emocional cresce, mas especialistas alertam para os limites da tecnologia

Disponível 24 horas por dia, de graça e sem julgamento aparente: não é difícil entender por que tanta gente passou a desabafar com o ChatGPT como quem conversa com um terapeuta. O problema é que, por trás dessa praticidade, especialistas em psicologia e pesquisadores de universidades como Harvard e Brown vêm alertando para riscos que passam despercebidos por quem só quer conversar.

O ponto de partida é simples: essas ferramentas não foram criadas pensando em saúde mental. Elas foram treinadas para gerar respostas que agradem quem está do outro lado da tela, não para fazer o trabalho de questionar padrões de pensamento e comportamento que é justamente o núcleo da psicoterapia.

Por que a IA não substitui o profissional

Psicólogos ouvidos por veículos especializados são unânimes em um ponto. Um chatbot não percebe uma mudança de tom de voz, uma hesitação, um silêncio ou um choro contido, sinais que fazem parte do trabalho clínico real. Além disso, a IA tende a validar o que o usuário sente, em vez de confrontar crenças disfuncionais quando necessário, algo que pode reforçar pensamentos negativos em vez de ajudar a superá-los.

Os riscos em casos mais graves

O alerta fica ainda mais sério quando o assunto envolve crises psicológicas. Pesquisadores identificaram casos em que chatbots falharam em reconhecer sinais de risco grave e continuaram a conversa normalmente, mesmo diante de sintomas que pediam intervenção urgente. Por isso, especialistas reforçam que essas ferramentas não devem ser usadas por quem está em sofrimento psíquico intenso ou em situação de risco à própria vida, casos em que a busca por ajuda profissional imediata é essencial.

Onde a tecnologia pode, de fato, ajudar

Nem tudo é alerta, porém. Psicólogos reconhecem que a IA pode ter função de apoio complementar, como ajudar a organizar pensamentos entre sessões de terapia, sempre com acompanhamento de um profissional responsável pelo caso. Especialistas em privacidade digital também lembram que informações sensíveis compartilhadas com essas plataformas não têm o mesmo sigilo garantido em um consultório, outro ponto que pede cautela na hora de decidir o que contar para um chatbot.

No fim das contas, a IA pode até funcionar como um primeiro ponto de apoio para organizar ideias ou aliviar a ansiedade de um momento pontual, mas ela não substitui o vínculo humano, a escuta qualificada e o olhar clínico de um profissional. Reconhecer esse limite é o que separa um recurso útil de uma armadilha que pode adiar a ajuda que realmente faz diferença.

Este é um tema sensível. Se você ou alguém que você conhece está passando por sofrimento emocional, vale buscar apoio de um profissional de saúde mental ou de serviços como o CVV (188), que atende gratuitamente 24 horas por dia.


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