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A geração que não quer casar e as mudanças que estão transformando a forma de viver os relacionamentos

Entre novas prioridades, mudanças econômicas e diferentes formas de construir vínculos, o casamento deixou de ser uma etapa obrigatória da vida adulta para muitos jovens.

17/09/2026 - 13h30min

Reprodução/Pexels
Mudanças culturais e nas prioridades pessoais estão transformando a maneira como jovens adultos enxergam casamento e relacionamentos.

Durante décadas, casar esteve associado a uma espécie de roteiro da vida adulta: estudar, conseguir um emprego, construir uma vida a dois e, em algum momento, formar uma família. Esse caminho continua existindo, mas deixou de ser uma expectativa universal.

No Brasil, os dados mostram uma mudança no comportamento conjugal. Segundo o IBGE, 948.925 casamentos civis foram registrados em 2023, número abaixo dos 1,07 milhão registrados em 2015. Ao mesmo tempo, a idade média ao casar vem aumentando. Em 2023, os homens se casaram, em média, aos 31,7 anos, enquanto as mulheres tinham 29,3 anos.

A mudança não significa que os relacionamentos deixaram de fazer parte dos planos. Para uma parcela dos jovens, o que está sendo questionado é a necessidade de transformar esse relacionamento em casamento.

Casar deixou de ser sinônimo de estabilidade

Uma das transformações está na própria ideia de estabilidade. Ter uma relação duradoura continua sendo importante para muitas pessoas, mas isso não necessariamente significa dividir uma casa, oficializar a união ou seguir um modelo tradicional de família.

Independência financeira, carreira, estudos e projetos pessoais também passaram a ocupar espaço importante nas decisões sobre o futuro. Para quem ainda está construindo a própria vida profissional, assumir compromissos financeiros de longo prazo pode fazer com que o casamento seja adiado.

A mudança também acontece em um contexto no qual morar sozinho ou dividir uma casa sem casamento se tornou uma possibilidade mais presente no imaginário de jovens adultos.

Relacionamentos também estão mudando

A transformação não está apenas no número de casamentos. As formas de relacionamento também ficaram mais diversas.

Uniões estáveis, relacionamentos sem formalização, pessoas que escolhem morar separadas e casais que priorizam projetos individuais são exemplos de caminhos que não necessariamente seguem o modelo tradicional.

As redes sociais também influenciam essa discussão. Ao mesmo tempo em que aproximam pessoas, elas ampliam o contato com diferentes formas de relacionamento e estilos de vida, tornando menos evidente a ideia de que existe uma única maneira correta de construir uma vida a dois.

Não querer casar não significa não querer amar

A queda do casamento entre determinados grupos não deve ser interpretada automaticamente como uma rejeição aos relacionamentos. Muitas pessoas continuam buscando vínculos afetivos, mas passaram a separar conceitos que antes pareciam inseparáveis: amar, morar junto, ter filhos e casar.

No fim, a mudança revela uma transformação maior na própria ideia de vida adulta. Se antes existia uma sequência considerada quase obrigatória, hoje diferentes trajetórias convivem lado a lado.

Para uma geração que também está repensando carreira, dinheiro, moradia e independência, decidir se quer ou não casar pode ser apenas mais uma escolha pessoal dentro de um projeto de vida que não precisa seguir um roteiro pronto.


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