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A VOLTA DO CREDIÁRIO

O brasileiro voltou ao crediário: por que parcelamentos longos cresceram em 2026

Com o crédito mais pressionado e o orçamento das famílias apertado, dividir compras em mais parcelas voltou a ganhar espaço e revela uma mudança na relação dos consumidores com o dinheiro.

16/09/2026 - 14h20min

Atualizada em: 16/09/2026 - 14h43min

Reprodução/Pexels
Parcelamentos mais longos ganharam novas formas em 2026 e mostram como o crédito continua presente no consumo dos brasileiros.

O crediário já foi um dos principais caminhos para comprar produtos de maior valor sem precisar pagar tudo de uma vez. Com a popularização do cartão de crédito e de outras formas de pagamento, o tradicional carnê perdeu espaço, mas a lógica de parcelar uma compra em várias vezes não desapareceu.

Em 2026, essa lógica ganhou novas versões. Além do crediário oferecido diretamente pelas lojas, existem modalidades digitais e opções de parcelamento que permitem dividir pagamentos por períodos cada vez maiores. A própria Serasa aponta que o crediário vem ressurgindo adaptado aos meios digitais.

Por que parcelar por mais tempo voltou a fazer sentido?

Uma das explicações está no cenário financeiro das famílias. Em julho de 2026, 83,9 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, segundo a Serasa, com R$ 586,4 bilhões em dívidas em aberto. No mesmo levantamento, metade dos consumidores entrevistados afirmou ter gastado mais do que planejava no primeiro semestre.

Quando o orçamento está mais apertado, aumentar o número de parcelas pode diminuir o impacto imediato de uma compra. Um produto que seria difícil de pagar de uma vez pode caber no orçamento mensal quando dividido por vários meses.

O problema é que uma parcela menor não significa necessariamente uma compra mais barata. Dependendo da modalidade, juros e outros encargos aumentam o custo final. No chamado crediário no cartão, por exemplo, existem opções que chegam a 24, 36 ou 48 meses e podem funcionar, na prática, como um financiamento.

O parcelamento também mostra como o brasileiro está lidando com o crédito

O movimento acontece em um momento de maior preocupação com o endividamento. O Banco Central acompanha de perto as condições do mercado de crédito e, em sua Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito de junho de 2026, avalia fatores relacionados à oferta e à demanda por crédito para pessoas físicas.

Ao mesmo tempo, a busca por renegociação também aumentou. Entre maio e julho, mais de 14 milhões de acordos foram realizados no Serasa Limpa Nome, crescimento de 41% em relação ao mesmo período de 2025.

Isso cria uma situação curiosa: enquanto parte dos consumidores procura reorganizar dívidas antigas, o parcelamento continua sendo uma ferramenta importante para viabilizar novas compras.

Parcelar virou parte da vida financeira

O retorno da lógica do crediário não significa necessariamente uma volta ao antigo carnê. O que mudou foi a forma como o parcelamento aparece no cotidiano.

Hoje, ele pode estar na loja, no aplicativo, no cartão ou em uma plataforma de pagamento. A facilidade de transformar uma compra grande em pequenas parcelas torna o crédito mais presente nas decisões de consumo.

Por isso, o crescimento dos prazos também revela uma mudança de comportamento: para muitas famílias, a pergunta deixou de ser apenas “quanto custa?” e passou a incluir “quanto cabe por mês?”.

Essa diferença parece pequena, mas muda completamente a percepção sobre o preço de uma compra. E, em um cenário de orçamento pressionado, entender o custo total do parcelamento se torna tão importante quanto olhar para o valor da parcela.


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