
Quem viveu os VMAs da década de 2010 sabe que a premiação da MTV tinha um peso diferente. A expectativa para descobrir quem venceria, quais artistas apareceriam no palco e, principalmente, qual seria a próxima apresentação capaz de virar assunto no dia seguinte fazia parte do ritual.
E talvez seja justamente por isso que o VMA 2016 pareça, olhando em retrospecto, muito mais grandioso do que a edição de 2026.
Isso não significa que a cerimônia de 2016 tenha sido um sucesso de audiência. Pelo contrário: aquele ano registrou uma queda de 35% e chegou a 6,5 milhões de espectadores nas redes que transmitiram a premiação, o pior resultado da história do VMA até então.
Ao mesmo tempo, a transmissão acumulou milhões de visualizações nas plataformas digitais, mostrando que o público já estava mudando a maneira de consumir o evento.
Já o VMA 2026 registrou seu melhor resultado de audiência desde 2015, com 8,43 milhões de espectadores na soma de CBS e MTV. O número, portanto, mostra que a premiação voltou a chamar atenção.
Mas audiência e impacto cultural não são necessariamente a mesma coisa. Então, por que a edição de 2016 ainda parece tão mais marcante?
O VMA 2016 tinha uma sequência de performances
Um dos principais motivos está no palco. A edição de 2016 reuniu Rihanna, Beyoncé, Britney Spears, Ariana Grande, Nicki Minaj, Kanye West, The Chainsmokers, Halsey, Future, Nick Jonas e Ty Dolla $ign em uma mesma noite.
E não eram apenas participações rápidas. Rihanna, por exemplo, recebeu o Michael Jackson Video Vanguard Award e aproveitou a ocasião para fazer uma apresentação dividida em diferentes momentos, revisitando sucessos de sua carreira.
A cantora passou por músicas como “Don't Stop the Music”, “Only Girl (In the World)”, “We Found Love”, “Where Have You Been”, “Rude Boy”, “Work”, “Pon de Replay”, “Stay”, “Diamonds” e “Love on the Brain”.
Ariana Grande e Nicki Minaj também subiram ao palco para apresentar “Side to Side”, enquanto Britney Spears fazia seu aguardado retorno à premiação depois de nove anos.
E então veio Beyoncé.
Beyoncé transformou o VMA em um show de Beyoncé
Se existe um momento que resume a edição de 2016, é a apresentação de Beyoncé.
A cantora apresentou um medley de aproximadamente 15 minutos do álbum Lemonade, passando por “Pray You Catch Me”, “Hold Up”, “Sorry”, “Don't Hurt Yourself” e “Formation”.
Com coreografia, cenografia e efeitos visuais, a apresentação foi tratada como um dos grandes momentos da noite e acabou se tornando uma das performances mais lembradas daquela edição.
Beyoncé também foi a grande vencedora da cerimônia. Com oito troféus, incluindo Vídeo do Ano por “Formation”. Ela chegou a 25 VMAs e ultrapassou o então recorde de Madonna, que tinha 20.
Ou seja: em uma mesma noite, o público tinha uma apresentação histórica, uma disputa por recorde e uma artista no auge de uma era visualmente muito marcante.
Britney Spears voltou ao palco
Outro ingrediente importante foi a sensação de acontecimento.
Em 2016, Britney Spears fazia sua primeira apresentação no VMA desde 2007. O retorno era aguardado justamente porque sua última participação na premiação havia sido bastante criticada.
A cantora apresentou “Make Me...” ao lado de G-Eazy, em um dos momentos mais comentados da cerimônia. A performance acabou recebendo críticas, mas a presença de Britney, por si só, já carregava uma história que ajudava a transformar a apresentação em um evento.
Era esse tipo de contexto que ajudava a criar a expectativa em torno do VMA: não era apenas quem iria cantar, mas o que aquela aparição significava para a carreira do artista.
E ainda tinha Kanye West
Se o palco musical não fosse suficiente, o VMA de 2016 ainda tinha Kanye West.
O rapper recebeu alguns minutos para falar antes da estreia do videoclipe de "Fade". Como era de se esperar, transformou o espaço em um longo discurso que passou por diferentes assuntos, incluindo sua relação com Taylor Swift, sua carreira e seus ídolos.
O momento foi controverso e dividiu opiniões, mas também representa uma característica importante dos VMAs daquela época: a cerimônia era construída para produzir momentos imprevisíveis.
Era difícil saber exatamente o que aconteceria quando Kanye West, Madonna, Beyoncé, Britney Spears ou Rihanna estivessem diante de um microfone.
O VMA 2016 também tinha problemas
É importante não romantizar a edição.
Além da audiência, na época, o próprio VMA 2016 foi considerado decepcionante por parte da crítica. O Guardian, por exemplo, destacou que algumas das apresentações mais aguardadas não corresponderam à expectativa e descreveu a noite como uma cerimônia com altos e baixos, apesar do destaque para Beyoncé.
Isso mostra que a sensação de que o VMA "era maior" naquela época não está necessariamente ligada aos números de televisão.
Então por que 2016 parece melhor que 2026?
Talvez a diferença esteja menos na qualidade das duas cerimônias e mais na forma como o VMA mudou.
Em 2016, ainda havia uma concentração muito grande de estrelas da música pop em uma única noite. Rihanna estava em uma fase gigantesca da carreira. Beyoncé tinha acabado de lançar Lemonade. Britney Spears fazia um retorno aguardado. Ariana Grande e Nicki Minaj estavam promovendo uma colaboração. Kanye West era capaz de transformar qualquer aparição em assunto.
O resultado era uma premiação com muitos acontecimentos disputando a atenção do público ao mesmo tempo.
Em 2026, também houve grandes momentos. Madonna voltou ao palco do VMA depois de 23 anos, abriu a cerimônia ao lado de Sabrina Carpenter e Charli XCX e terminou a noite como a artista mais premiada da edição, com sete troféus.
Taylor Swift também fez história ao se tornar a artista com mais vitórias na história da premiação e recebeu a primeira Artist Director Honor.
A edição ainda teve apresentações e homenagens envolvendo nomes como Nirvana, Bruno Mars e Raye. Além do apresentador ser o rapper Snoop Dog.
Mesmo assim, para parte do público, faltou aquela sensação de que uma apresentação poderia dominar a conversa da semana inteira.
O VMA mudou — e a nostalgia também
Existe ainda um fator impossível de ignorar: a nostalgia.
Em 2016, os artistas que estavam no palco eram, para muita gente, a trilha sonora de uma geração que hoje olha para aquela época com outra perspectiva. As músicas, os videoclipes e as performances estão associados a um período específico da cultura pop.
Dez anos depois, os mesmos elementos são vistos como parte da história do VMA. E talvez seja justamente essa distância que faça a edição parecer ainda maior.
O VMA 2016 não foi a cerimônia mais assistida, nem foi unanimemente elogiado pela crítica. Mas reuniu uma quantidade impressionante de artistas em momentos importantes de suas carreiras e criou performances que continuaram circulando muito depois do fim da transmissão.
Já o VMA 2026 conseguiu recuperar parte da atenção do público e registrou sua maior audiência desde 2015, mas ainda enfrenta o desafio de transformar essa audiência em algo além de números: momentos que definam a cultura pop e façam o público lembrar onde estava quando assistiu.
Não é necessariamente que 2016 tenha sido melhor que 2026. É que, dez anos depois, 2016 já virou memória — e memória, principalmente quando envolve música pop, costuma fazer o passado parecer ainda maior.

