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Jão: da infância no interior de São Paulo ao topo do pop brasileiro

De covers no YouTube aos grandes estádios, cantor transformou experiências pessoais em uma das trajetórias mais marcantes do pop nacional

30/09/2026 - 18h53min

Reprodução/Divulgação

João Vitor Romania Balbino, mais conhecido como Jão, nasceu em 3 de novembro de 1994, em Américo Brasiliense, no interior de São Paulo. O apelido que se tornaria uma das marcas mais conhecidas do pop brasileiro surgiu ainda na infância, dado pela irmã.

Desde cedo, a música fez parte de sua vida. Entre suas principais referências está Marisa Monte, artista que despertou seu interesse por instrumentos como violão, teclado e flauta. Anos mais tarde, essa relação com a música deixaria de ser apenas uma paixão para se transformar em profissão.

Do interior para os palcos

Jão deixou a cidade natal para estudar Publicidade e Propaganda na USP, em São Paulo. Foi durante a faculdade que conheceu Pedro Tófani e Renan Silva, amigos que posteriormente se tornariam importantes na construção de sua carreira.

Aos poucos, ele percebeu que não queria seguir o caminho esperado para quem estudava publicidade. Enquanto os colegas pensavam em trabalhar em agências ou empresas, ele começou a entender que queria estar no palco.

Foi nesse período que surgiu a ideia de publicar covers no YouTube. O cantor passou a apresentar versões de artistas bastante diferentes entre si, indo de Sam Smith a Marília Mendonça, além de nomes como Anitta, Ana Vilela, Charlie Brown Jr., Matheus & Kauan e Maiara & Maraisa.

Mas os vídeos tinham um diferencial. Em vez de simplesmente gravar novas versões das músicas, Jão, Pedro e Renan começaram a trabalhar em uma estética própria, transformando os covers em pequenos videoclipes.

O YouTube acabou funcionando como uma espécie de laboratório para experimentar sonoridades, imagens e descobrir a identidade artística que seria desenvolvida nos anos seguintes.

Um dos vídeos que ajudou a aumentar sua visibilidade foi um cover de "Bang", de Anitta, que recebeu elogios da própria cantora.

Outro destaque foi a versão de "Medo Bobo", de Maiara & Maraisa, que ultrapassou 800 mil visualizações.

Ao mesmo tempo em que construía seu primeiro público na internet, Jão começava a preparar a transição de cantor de covers para artista autoral.

De "Ressaca" ao primeiro álbum

A mudança começou oficialmente em 2017, com o lançamento dos singles "Ressaca" e "Álcool". As faixas foram produzidas por Pedro Dash e Marcelinho Ferraz, da Head Media, equipe que já havia trabalhado com artistas como Anitta, Projota, Manu Gavassi, Emicida e MC Guimê.

Pouco depois, veio "Imaturo", uma das músicas responsáveis pela primeira grande virada da carreira de Jão. Em 2018, a faixa chegou ao topo da playlist Viral 50 Brasil, do Spotify.

A partir dali, o cantor deixou de ser apenas uma promessa que havia surgido na internet e começou a construir uma carreira própria dentro do pop brasileiro.

As histórias por trás de cada álbum

Em 2018, Jão lançou seu primeiro álbum de estúdio, Lobos. O trabalho consolidou uma característica que se tornaria central em sua carreira: transformar experiências pessoais, relacionamentos, inseguranças e sentimentos em um universo narrativo.

O disco teve uma recepção expressiva nas plataformas. Sete músicas chegaram às paradas de mais ouvidas do Spotify na estreia, enquanto o álbum alcançou o segundo lugar do iTunes brasileiro, atrás apenas de Sweetener, de Ariana Grande.

A partir de Lobos, os álbuns passaram a funcionar como capítulos de uma mesma trajetória. Jão estabeleceu uma associação entre seus quatro primeiros trabalhos e os quatro elementos da natureza:

  • Lobos — terra
  • Anti-Herói — ar
  • Pirata — água
  • Super — fogo

O segundo álbum, Anti-Herói, lançado em 2019, aprofundou ainda mais o lado confessional do cantor. O artista passou a ocupar um espaço particular no pop brasileiro ao transformar sentimentos como ciúme, insegurança, rejeição, obsessão, solidão e dificuldade de superar relacionamentos em matéria-prima para suas músicas.

O próprio título do disco ajudava a apresentar essa nova persona artística. Em vez de construir a imagem de um popstar invulnerável, Jão fazia justamente o contrário: colocava suas fragilidades no centro das canções.

Essa característica também se tornou fundamental para a relação do cantor com o público.

Em 2021, veio PIRATA, álbum que representou outro salto importante em sua trajetória. A turnê do disco mostrou que ele já não era apenas um artista de destaque nas plataformas digitais, mas alguém que havia construído uma audiência disposta a acompanhá-lo também nos palcos.

Reprodução/Divulgação
Capa do álbum PIRATA (2021), de Jão.

Dois anos depois, em 2023, chegou SUPER. O quarto álbum completou o conceito dos quatro elementos e levou a carreira do cantor para uma escala ainda maior.

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Capa do álbum SUPER (2023), Jão.

Já em 2024, ele embarcou na Superturnê, que se transformou no maior espetáculo de sua carreira até então. O ciclo chegou ao fim em janeiro de 2025, com apresentações no então Allianz Parque, em São Paulo — estádio que atualmente leva o nome de Nubank Parque.

E foi justamente depois de chegar ao auge que Jão decidiu parar.

O hiato depois do auge

Depois do encerramento da Superturnê, Jão se afastou dos holofotes. A pausa ganhou uma dimensão ainda mais pessoal após a morte de seu pai.

O cantor deixou São Paulo e voltou para o interior paulista para ficar próximo da família. Durante esse período, chegou a questionar a própria relação com a música e passou por uma fase em que não sabia se queria continuar sua carreira.

A retomada aconteceu de maneira inesperada.

Durante uma corrida pelas ruas de sua cidade natal, Jão ouviu Virgin, álbum da neozelandesa Lorde. A experiência o fez chorar e ajudou o cantor a perceber novamente a importância da música em sua vida. Foi a partir desse momento que voltou a escrever.

O processo acabou dando origem ao quinto álbum de sua carreira: Memórias Póstumas.

Memórias Póstumas: uma nova fase

Reprodução/Divulgação
Capa do álbum Memórias Póstumas (2026).

Lançado em 26 de julho de 2026, Memórias Póstumas representa uma mudança na narrativa construída por Jão ao longo dos quatro primeiros discos. Se antes a carreira era organizada em torno dos elementos da natureza, agora morte, passagem do tempo, luto e memória aparecem como elementos centrais.

O álbum levou aproximadamente um ano e meio para ser desenvolvido e voltou a reunir Jão com colaboradores importantes de sua trajetória, como Pedro Tófani e Zebu.

Apesar da forte relação com o período de luto vivido pelo cantor, o projeto não é simplesmente um disco sobre a morte de seu pai. Em entrevistas recentes, Jão explicou que o processo de criação das músicas não necessariamente serviu para compreender o luto, mas o ajudou a atravessar os dias.

O título também representa uma espécie de reflexão sobre a própria trajetória. Depois de passar pelo auge da carreira, desaparecer dos palcos e retornar ao lugar onde nasceu, Jão transforma suas memórias em matéria-prima para uma nova fase artística.

O período também será registrado em um documentário da Netflix. Anunciado em setembro, Jão: Memórias Póstumas acompanha mais de um ano da vida do cantor durante o afastamento dos holofotes, incluindo o luto pela perda do pai, o processo de criação do álbum e a preparação para o retorno aos palcos.

A produção tem estreia prevista para dezembro de 2026.

O retorno aos palcos no Nubank Parque

Depois de mais de um ano afastado dos palcos, Jão escolheu justamente o Nubank Parque, em São Paulo, para iniciar a nova turnê. A apresentação aconteceu em 25 de setembro de 2026 e marcou oficialmente o reencontro do cantor com o público.

O espetáculo foi construído com um palco 360º no centro do estádio, proposta que permitiu que os fãs acompanhassem a apresentação de diferentes lados da estrutura. A ideia já havia sido pensada durante a Superturnê, mas ganhou forma na nova produção.

O show também trouxe uma forte narrativa teatral. A atriz Isabel Teixeira participou da apresentação e apareceu em diferentes momentos como uma representação da Morte, enquanto o repertório combinou músicas de Memórias Póstumas com sucessos das eras anteriores.

A apresentação reuniu cerca de 50 mil pessoas, segundo a Folha de S.Paulo, e marcou um novo capítulo na história do cantor.

Próximos shows de Jão

A Turnê Memórias Póstumas continua por outras cidades brasileiras nos próximos meses. De acordo com a agenda oficial divulgada pela Eventim, as próximas apresentações são:

  • 31 de outubro de 2026 — Rio de Janeiro, Farmasi Arena
  • 21 de novembro de 2026 — Belo Horizonte, Ginásio Mineirinho
  • 28 de novembro de 2026 — Recife, Ginásio Geraldão
  • 12 de dezembro de 2026 — Brasília, Ginásio Nilson Nelson
  • 27 de março de 2027 — São Paulo, Nubank Parque

A nova apresentação em São Paulo será a segunda passagem da turnê pelo estádio e está marcada para 27 de março de 2027.

Depois de quase uma década transformando suas próprias experiências em música, Jão chega a essa nova fase com uma história que começou longe dos grandes palcos. 

Ouça os principais sucessos de Jão



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