O primeiro encontro com a urna eletrônica pode trazer algumas dúvidas. São vários cargos, números para decorar, nomes que aparecem nas redes sociais o tempo inteiro e uma série de regras que nem sempre ficam claras para quem nunca passou por uma eleição.
Em 2026, o primeiro turno acontece no dia 4 de outubro. Na urna, o eleitor fará seis escolhas:
- deputado federal
- deputado estadual
- senador para a primeira vaga
- senador para a segunda vaga
- governador
- presidente da República
Para quem vai votar pela primeira vez, vale usar os dias que antecedem a eleição para entender o processo e organizar as informações.
A Atlântida te ajuda a entender o que merece atenção antes de sair de casa.

1. Antes de escolher, entenda o que está sendo decidido
A primeira coisa a fazer é olhar para a urna como um conjunto de escolhas diferentes.
Presidente e governador ocupam cargos do Poder Executivo. Já deputados e senadores fazem parte do Legislativo, com funções relacionadas à elaboração de leis, fiscalização e orçamento público.
Isso ajuda a colocar as promessas de campanha em perspectiva. Um candidato a deputado, por exemplo, não exerce as mesmas funções de um governador. Cada cargo possui atribuições próprias e conhecer essa diferença facilita na hora de analisar o que uma candidatura realmente pode fazer.
Nas Eleições 2026, também haverá duas vagas para o Senado. Por isso, o eleitor deverá escolher duas pessoas diferentes. Caso o mesmo número seja digitado nas duas oportunidades, o segundo voto será anulado.
2. Faça uma lista do que você quer acompanhar na política
Antes de procurar nomes, pense nos assuntos que fazem parte da sua realidade.
Pode ser a qualidade da educação, a entrada no mercado de trabalho, transporte público, segurança, meio ambiente, acesso à cultura, saúde, tecnologia ou qualquer outro tema que você considere relevante.
Não existe uma lista obrigatória. A ideia é criar um ponto de partida para a pesquisa. Depois disso, procure saber o que cada candidatura propõe para essas áreas. Assim, você não fica limitado ao candidato que apareceu mais vezes no seu feed ou ao nome que ganhou mais espaço entre seus amigos.
3. Não deixe o algoritmo escolher por você
As redes sociais podem ser úteis para acompanhar uma campanha, mas funcionam a partir de mecanismos que selecionam o que aparece na sua tela.
Um vídeo que recebe muitas visualizações não necessariamente traz mais informação. O mesmo vale para cortes de entrevistas, memes e publicações compartilhadas em massa.
Quando uma informação política chamar sua atenção, procure a versão completa e tente descobrir de onde ela veio. Também vale comparar a informação com fontes jornalísticas e canais oficiais da Justiça Eleitoral.
O TSE mantém uma página específica das Eleições 2026 que reúne informações sobre candidaturas, planos de governo, simulador de votação, Cola Eleitoral e outros serviços.
4. Olhe para o que existe fora das redes
Quer pesquisar uma candidatura com mais calma? O DivulgaCandContas, sistema do TSE, reúne informações oficiais sobre candidatos e contas eleitorais.
A ferramenta permite consultar dados das candidaturas e informações relacionadas à campanha. Para quem está começando a acompanhar política, pode ser um caminho mais confiável do que tentar montar um perfil de candidato apenas a partir do conteúdo que aparece nas redes.
Para as candidaturas à Presidência, também é possível consultar os planos de governo registrados oficialmente.
A lógica é simples: use as redes para descobrir assuntos e nomes, mas procure as informações completas antes de tirar suas conclusões.
5. Histórico também deve contar
Para candidatos que já ocuparam cargos públicos, existe uma informação importante disponível antes do voto: a própria atuação anterior.
Vale procurar projetos apresentados, votações, posições públicas e decisões tomadas durante outros mandatos. Também é possível observar se as pautas que aparecem na campanha têm relação com a trajetória política da pessoa.
Para quem está disputando um cargo pela primeira vez, a pesquisa pode partir da trajetória profissional, das propostas apresentadas e das posições públicas conhecidas.
6. Saiba qual é o partido
O nome que aparece na urna não está sozinho. Candidatos fazem parte de partidos ou federações, e essas organizações possuem programas e posições políticas. No Legislativo, a atuação partidária também pode aparecer nas orientações de bancada e nas votações do Congresso ou das assembleias.
Por isso, depois de pesquisar uma candidatura, vale dar uma olhada na legenda à qual ela pertence.
Quem são seus aliados? Quais posições o partido costuma defender? Como seus parlamentares têm votado?
Essa pesquisa pode revelar informações que não aparecem em um vídeo de campanha de poucos segundos.
7. Prepare os números antes do domingo
Uma das maiores dúvidas de quem nunca votou é também uma das mais fáceis de resolver: você não precisa decorar todos os números.
É permitido levar uma anotação em papel com os números das candidaturas escolhidas. O TSE também oferece a chamada Cola Eleitoral, justamente para ajudar nessa organização.
Em 2026, a sequência será:
- Deputado federal
- Deputado estadual ou distrital
- Senador
- Senador
- Governador
- Presidente
Para facilitar, coloque os números na mesma ordem em que eles aparecerão na urna.
E existe uma forma de diminuir a ansiedade antes da votação: o TSE disponibiliza um simulador da urna eletrônica. Dá para fazer o percurso antes do dia 4 de outubro e entender como funciona cada etapa.
Pode levar o celular na hora da votação?
Pode levar o celular até o local de votação, mas o aparelho não pode entrar na cabine.
Antes de votar, celulares, câmeras, filmadoras e outros equipamentos capazes de registrar ou transmitir imagens devem ser deixados no local indicado pelos mesários. A regra existe para preservar o sigilo do voto.
Por isso, não conte com o celular para consultar os números enquanto estiver na cabine. A boa e velha anotação em papel continua valendo.
Confira seu local e o documento antes de sair
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todo o país. Quem estiver na fila no horário de encerramento poderá votar.
Antes de sair de casa, confira seu local de votação pelo e-Título ou pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
Também é necessário levar um documento oficial com foto. O título de eleitor físico não é obrigatório para votar. Entre os documentos aceitos estão RG, CNH, passaporte, carteira de trabalho, certificado de reservista e carteira profissional reconhecida por lei. O e-Título também pode ser usado para identificação quando estiver com fotografia.
Um detalhe importante: certidão de nascimento e certidão de casamento não servem como documento de identificação na hora da votação.
Para quem tem 16 ou 17 anos, o voto é facultativo
O primeiro voto também pode acontecer antes dos 18.
Nas Eleições 2026, quem tiver 16 ou 17 anos pode votar, desde que tenha feito o alistamento eleitoral dentro do prazo e complete 16 anos até o dia 4 de outubro. Nessa faixa etária, o voto é facultativo. A obrigatoriedade começa aos 18 anos, com as exceções previstas na legislação.
Para este ano, o prazo para tirar o primeiro título terminou em 6 de maio. Quem não fez o alistamento até o fechamento do cadastro não poderá votar nas Eleições 2026.

A preparação para a eleição não precisa virar uma maratona de política. Comece pelos cargos que serão escolhidos, descubra o que cada um pode fazer, pesquise as candidaturas, confira informações em fontes confiáveis e deixe os números organizados antes de sair de casa.
Também não precisa transformar a política em uma disputa entre torcidas. É possível mudar de opinião depois de conhecer uma informação nova, discordar de alguém que você conhece ou simplesmente ainda estar pesquisando.
O mais importante é chegar à urna sabendo o que está sendo escolhido e de onde vieram as informações que ajudaram você a tomar sua decisão.
No dia 4 de outubro, a escolha acontece em poucos minutos. A pesquisa que vem antes pode levar um pouco mais de tempo, mas é ela que permite que esses minutos sejam realmente seus.

