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Cristal convida Pâmela Amaro para show em homenagem a Horacina Corrêa em Porto Alegre

Cantoras se encontram no Teatro Oficina Olga Reverbel nesta sexta-feira (2) para uma apresentação que reúne repertórios autorais, samba e referências da música negra gaúcha

28/09/2026 - 17h18min

Duas gerações da música negra gaúcha se encontram no palco nesta sexta-feira (2), em Porto Alegre. A cantora e compositora Cristal recebe Pâmela Amaro para um show no Teatro Oficina Olga Reverbel, às 19h. A apresentação integra o projeto Horacina Corrêa convida – Uma voz abre caminho para outras vozes, que celebra a trajetória de artistas negras e a presença delas na música do Rio Grande do Sul.

A noite parte dos trabalhos autorais das duas artistas. Cristal apresenta músicas de Epifania, álbum lançado em 2024, com direção musical de Jorge Xavier, músico, compositor, arranjador e produtor conhecido por sua atuação na cena do samba e das sonoridades brasileiras no Estado.

Pâmela Amaro chega ao encontro com canções de Samba Às Avessas, seu trabalho mais recente. O álbum passeia por partido alto, jongo, samba de breque e batuques, enquanto aborda temas ligados à africanidade, à ancestralidade e à própria história do samba.

A escolha das duas artistas também conversa diretamente com a proposta do projeto, que coloca uma cantora com trajetória consolidada para dividir uma apresentação exclusiva com outra artista. Nesta edição, Cristal abre espaço para Pâmela e, juntas, elas também revisitam canções que ficaram conhecidas na voz de Horacina Corrêa.

Quem foi Horacina Corrêa?

Nascida em Porto Alegre em 1913, Horacina Corrêa foi uma das primeiras grandes estrelas da música popular no Rio Grande do Sul. Criada na região que hoje corresponde ao bairro Bom Fim, começou a carreira ainda jovem e ganhou destaque como solista do Bloco dos Turunas.

Na década de 1930, conquistou espaço em um cenário musical dominado por homens brancos. Passou pelas rádios Difusora, Gaúcha e Farroupilha e ficou conhecida pelos apelidos de "Patativa do Sul" e "Voz Morena da Cidade".

Um dos capítulos mais importantes de sua trajetória aconteceu em 1938. Em Buenos Aires, Horacina gravou o samba gaúcho Alto da Bronze, de Paulo Coelho e Plauto de Azambuja Soares, o Foquinha. O registro é considerado um marco por ter feito dela a primeira cantora gaúcha a realizar uma gravação fonográfica nos padrões industriais da época.

Sua carreira também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Horacina realizou apresentações na Argentina e em outros países e teve discos gravados no Brasil, na Argentina, na Itália e na Suécia. Seu repertório passou por sambas, marchinhas, valsas, tangos e outras canções populares.

Depois de uma gravação realizada na Escandinávia, em 1962, os registros sobre sua vida ficaram escassos. Até hoje, o paradeiro e a data de morte da cantora não são conhecidos.

O trabalho de pesquisadores como Marcello Campos e Irene Santos tem ajudado a recuperar documentos e informações sobre a artista, trazendo novamente sua trajetória para o debate sobre a história da música gaúcha.

É justamente esse resgate que orienta o projeto Horacina Corrêa convida. Idealizada por Álvaro RosaCosta, diretor de Cultura Afro-Brasileira, Inclusão e Territorialidades da Fundação Theatro São Pedro, a iniciativa transforma a memória da cantora em ponto de encontro para diferentes gerações da música negra do Estado.

Reprodução

As entradas podem ser compradas online no site da Fundação Teatro São Pedro e na bilheteria do Multipalco Eva Sopher, de terça a domingo, das 16h às 18h. Em dias de espetáculo, o atendimento é estendido até as 20h.



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