Homem-Aranha No Aranhaverso é o novo filme do Homem-Aranha dirigido por Peter Ramsey, Bob Persichetti e Rodney Rothman e é também um dos mais necessários dos últimos tempos.

Na minha opinião, o mais necessário.

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E olha que a lista tem Deadpool com seu comportamento irreverente, rebelde e contestador (que eu sinto que faltava nesse universo) e o Pantera Negra, que tem uma importância igualmente relevante a de Miles Morales (o novo aranha), mas de uma forma diferente. Eu diria que o Pantera negra é um filme com uma mensagem por trás sobre ancestralidade, origem e essência. O Homem-Aranha no Aranhaverso fala sobre o que, de verdade, é ser um herói, tema que não é abordado só pelo comportamento e desenvolvimento do personagem principal no filme mas pela trama em si.

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Um Peter Parker velho, cansado, de saco cheio dos anos de trabalho prestado, com o casamento terminado, preguiçoso e solitário. Peter, nesse filme, me lembrou bastante uma versão mais velha do Peter de Tom Holland com pitadas de Andrew Garfield: arrogante, irresponsável, cheio de alívios cômicos em momentos inapropriados e mais ou menos um genérico do que grande parte dos heróis se tornou nos últimos tempos, bobalhões que tem super poderes.

Miles Morales, em contraponto, é um adolescente negro e hispânico em uma América na qual essa dupla de fatores é o combo premiado para segregação e por mais que isso não seja necessariamente abordado no filme, todo o filme é uma grande metáfora pra isso. Qualquer um pode ser o herói atrás da máscara. Quer um herói mais heroico do que alguém que contraria as estatísticas todos os dias voltando vivo pra casa?

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Homem-Aranha no Aranhaverso é o único filme que podemos colocar acima da saga original de Sam Raimi.

Sei exatamente o que vocês tão pensando agora e não, o Homecoming não é melhor que a primeira trilogia, mesmo com aquele fracasso de terceiro filme com uma tentativa desesperada de jogar o Venom a todo custo ali. Eu sei, cara. Eu também tô impressionada com a minha constatação. Mas ela vem com alguns argumentos em seguida, então respira fundo. Vou confessar desde já que o Homem-Aranha sempre foi o meu super-herói ‘menos preferido’ das telonas. Não é nem que eu não gostava dele (no fundo é), mas eu simplesmente não conseguia me conectar com ele. De jeito nenhum. Principalmente na interpretação do Tobey Maguire. A única coisa que sempre me provocava uma reação naqueles filmes era sua relação com a Mary Jane e com a Tia May.

Sempre achava tudo muito pouco crível na interpretação exagerada do ator e não gostava do espectro que o personagem carregava. Daí vi aquele fracasso total de Peter Parker patético interpretado pelo Andrew Garfield e passei a respeitar um pouco mais o Tobey. Vi Homecoming no cinema e achei um excelente filme, repetia de forma meio irresponsável e rasa que esse sim era certamente a melhor produção cinematográfica sobre o herói (mesmo que um incômodo ficasse ali no meu ouvido), até que vi pela segunda vez e o Peter do Tom é tipo uma versão mais nova e ainda não tão frustrada do Wade Wilson com uma mistura de super-homem (meio charmoso) e eu não acho que essa é a minha versão preferida do Peter.

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Miles Morales (personagem principal do Aranhaverso) é morador do Broklyn. Sua mãe é hispânica e trabalha em um hospital e seu pai é um policial negro, mas o grande herói de Miles é seu tio Aaron, um cara descolado, que leva o menino pra grafitar e que tem algum tipo de atrito com o pai de Miles, que a principio não fica claro. Em um desses passeios com o tio Aaron, Miles é picado por uma aranha e ganha os superpoderes. Miles é um adolescente normal, tem muitos amigos no brooklyn apesar de estudar em uma escola de elite (escolha de seus pais), na qual ainda não se enturmou, escuta uns rap’s daora mas tudo muda quando o Peter Parker (atual homem aranha do seu universo) morre e no ‘incidente’ que o mata, outros ‘aranhas’ vão parar no universo de Miles. O filme é a união desses aranhas para voltar para as suas dimensões. Mas um filme nunca é só a sua sinopse e esse conseguiu ir muito além.

O filme é perfeito. Sem tirar, nem por. A trilha sonora é ideal para o contexto e muito bem pensada dentro do roteiro. As soluções visuais fazem com que a gente se sinta dentro de um quadrinho, a paleta de cores é como ficar por duas horas assistindo o clipe de Feels Like Summer. O enredo é emotivo, complexo, profundo e tudo isso sem ser tão sombrio quanto a saga do Raimi, mas sendo tão complexo como o Peter de Tobey e engraçado como o Peter de Tom. Ele aborda assuntos extremamente relevantes e atuais e a mensagem fica na nossa cabeça – ecoando.

Algo que é característico do universo do Homem-Aranha (um leve spoiler) é que eles normalmente perdem alguém no caminho e isso é o combustível que precisavam pra entenderem a tamanha responsabilidade que os aguarda dali em frente. O peso dessa responsabilidade fica perfeitamente colocado no segundo filme da saga de Raimi, mas também perfeitamente colocado no aranhaverso e além disso, ele provoca uma reflexão necessária sobre a dualidade, na qual até o herói tem seu lado vilão e os vilões podem ter muito de heróis e essa é uma das minhas coisas preferidas sobre os atuais universos de super heróis, e talvez a minha característica preferida do aranhaverso, o plot: a humanização dos personagens, até dos vilões. Assim como o herói por trás da máscara pode ser qualquer um, o vilão também pode.