Há 20 anos atrás o Jogo Spyro The Dragon, feito para PS1 pela Inomniac Games ( que lançou Spider-Man PS4 em 2018). O jogo contava a história de um dragão pequeninho e roxo chamado Spyro, que precisava salvar seus amigos dragões de um feitiço que os prendeu em pedra.

O jogo em si é um plataformer e Collect-a-ton (jogos de coletar muitos itens por fase) que é até básico. Um botão pula e plana se apertado novamente, um corre e um solta fogo. Use estas habilidades para salvar os dragões, derrotar os inimigos e coletar o máximo de tesouro que conseguir! O jogo foi abraçado pela crítica e pelo público, o que gerou mais dois jogos: Spyro 2 Ripto’s Rage e Spyro 3 Year of The Dragon. Os outros dois jogos expandiram muito bem os conceitos já estabelecidos no primeiro jogo, adicionando mais poderes e possibilidades.

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De lá pra cá os direitos do personagem foram vendidos e ele passou por diversos altos e baixos, com alguns jogos bons, alguns jogos ruins e algumas aparições em outras franquias, como skylanders, até com um visual bem diferente que gerou polêmica na época.

Hoje em dia o personagem pertence à Activision, que no ano passado lançou o remaster da trilogia Crash Bandicoot, na forma de N’Sane Trilogy. Quando isso foi anunciado, vários fãs pediram um tratamento similar para a franquia Spyro. A Activision ouviu, entregou o trabalho para a desenvolvedora Toys for Bob e lançou o jogo nessa semana Para PS4 e Xbox one. Eles nos enviaram uma cópia para PS4 (<3 obrigado) para review. Aqui está minha opinião:

Antes de qualquer coisa acho muito válido dizer que, por mais que eu conheça bem, eu nunca havia tido a oportunidade de jogar os Spyros antigos. Assisti diversas vezes na internet por vários influenciadores, mas nunca tinha conseguido ver como o jogo realmente funciona, então todos os elogios que eu fizer aqui não levam uma gota de nostalgia. Simplesmente é bom.

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Vamos falar do óbvio primeiro. Vinte anos. Desde 1998, quando o primeiro Spyro foi lançado, a indústria mudou muito. Fomos do Playstation 1 para o Playstation 4 (que logo se despede também para o próximo console da sony) e o jeito como olhamos para os videogames é extremamente diferente. Ouvimos muito a frase de que “certo jogo envelheceu mal”, ou até de que o gênero dos jogos do Spyro, Plataforma 3D Collect-a-ton está morto.

Logo, por si só trazer um jogo de vinte anos atrás já é uma jogada arriscada. No caso de Spyro, porém, esse medo parece completamente desnecessário assim que você começa a jogar. Isso porquê Spyro é um dos grandes nomes do gênero, tendo sua qualidade mais do que comprovada. Em questão de gameplay, dá pra dizer que o jogo não envelheceu mal. Aliás, da pra dizer que ele nem envelheceu. Isso é complementado pelo próximo ponto do qual vamos falar

Os gráficos estão completamente repaginados e apaixonantes. Ao colocar o novo do lado do original, dá até pra se emocionar só de pensar em tudo que já evoluímos como comunidade de videogame, indústria, consumidores, qualidade e assim por diante. Dá só uma olhada, vou mostrar a mesma fase no antigo e no atual

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Logo, além de lindo e repaginado com um charme único, Spyro é agradável em outros aspectos. A história é simples e sem muita pretensão, principalmente no primeiro game. Isso dá um ar bem leve e de diversão enquanto você está lá salvando seus amigos dragões. A música é ótima, completando o aspecto audiovisual incrível. E é um daqueles jogos em que o som complementa uma experiência já boa, tornando-a memorável. O som que Spyro faz quando está correndo rápido te dá a real sensação de estar em alta velocidade, desenfreado. O som do fogo, por sua vez, passa aquela sensação de calor, como se você estivesse ouvindo coisas queimando em uma lareira.

Nada disso seria relevante, porém, se o principal fosse ruim. O principal, no caso de um jogo, é o gameplay, e nessa trilogia acontece que ele é maravilhoso. Variado o suficiente pra fazer você se sentir inteligente, desafiado, recompensado e por aí vai. Não vou mentir, o primeiro jogo tem uma curva de dificuldade pesada. Vez ou outra ele vai exigir de você algo extremamente mais desafiador do que tudo que lhe foi apresentado até o momento, mas isso não atrapalha o produto final de maneira nenhuma, principalmente porquê isso é arrumado nos outros dois jogos da trilogia. Essa qualidade e variedade no gameplay acontecem porquê o level design é excelente até para os padrões de hoje, quem dirá para os da época. Acontece, amigos e amigas, que o simples quando bem feito pode ser impressionante, e é o que Spyro faz. As fases não apresentam oitenta conceitos novos por vez. Ao invés disso, elas vão aprofundando cada vez mais os conceitos já apresentados até aquele momento no jogo. Em Spyro 2 e 3 existe progressão, então há fases que você não consegue 100% na primeira tentativa, mas depois adquiri um novo poder, volta e já sabe exatamente aonde usar, e fica aquela sensação de “finalmente dever cumprido”.

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No final das contas, Spyro: Reignited Trilogy é um exemplo de remasterização. Pegaram um jogo que revolucionou conceitos na época, mantiveram tudo o que era bom e melhoraram tudo o que podia ser melhorado. Ainda adicionaram coisas com Trophies no PS4 e Achievements no Xbox One, aumentando ainda mais a vida útil de uma trilogia que já é um clássico na indústria. Juntando um ótimo gameplay com uma belíssima experiência audiovisual e um preço extremamente consciente por se tratar de um remaster (R$143.50 na PSN), Spyro: Reignited Trilogy recebe uma nota 10 aqui no infosfera e a nossa extrema indicação! É muito legal para quem não conhece o personagem, e ainda mais legal para quem conhece e sente a nostalgia.