Vendido como o “capítulo mais tenebroso do universo de ‘Invocação do Mal'”, “A Freira” (The Nun) chega para compor o time desta franquia, que conta com o fraquíssimo e criticado “Anabelle” (2014) e o mediano “Annabelle 2: A Criação do Mal” (2017).

Com a direção de Corin Hardy (A Maldição da Floresta) e a história creditada ao famoso James Wan (Invocação do Mal), a trama volta 20 anos na cronologia da franquia, durante a década de 1950, e mostra o entregador Frenchie (Jonas Bloquet) se deparando com uma freira enforcada em um velho convento. Ele informa à igreja, que envia o padre Burke (Demián Bichir) e a noviça Irene (Taissa Farmiga) em uma missão para avaliar se o local ainda é sagrado. Não demora muito para o trio perceber que é justamente o contrário…

ATENÇÃO! Se você não quer spoiler, não continue!

Ótimo visual e bons personagens:

Começando pelos pontos positivos, tecnicamente o filme é impecável: o figurino de época, a fotografia feita à base de iluminação ambiente, com muitas velas e lanternas; além do investimento em alguns tons de azul, vermelho, preto e branco para iluminar os cenário — algo que o diretor revelou sua inspiração em Castlevania e seus castelos. Outro ponto positivo é a locação do filme: um castelo na Romênia. O local traz um ar de terror clássico que a direção soube trabalhar bem, com corredores escuros e claustrofóbicos, e que colaboram para que a trama fique ainda mais assustadora.

Temos também uma atmosfera bem pesada, principalmente por causa da trilha sonora, que traz um timbre bem grave, levando o espectador a segurar a sua poltrona bem firme, à espera de algo. Então, falando de tensão, o filme é bem sucedido.

As atuações são um ponto a favor do longa. Taissa Farmiga, que é irmã da talentosa, Vera Farmiga (Invocação do Mal), entrega, de forma excelente, o melhor personagem dos três: a noviça traumatizada com coisas da infância e ingênua com sua fé. É inspiradora, no fim das contas. O Padre, interpretado por Demián Bichir, lembra em vários momentos o personagem de Stephen King, Padre Callahan, que é um padre beberrão, desconfiado de tudo, com uma fé um pouco conturbada, mas que encontra sua paz no fim de tudo, e é um ótimo personagem. E Franchie, interpretado por Jonas Bloquet, que serviria como alívio cômico nas cenas tenas, acabou indo do canto para o centro da tela em alguns momentos e se destaca durante a trama com o seu senso de humor deslocado e seu carisma.

#2 Roteiro preguiçoso e previsível:

Infelizmente, não é apenas de um bom visual que se faz um bom terror. Justamente essa parte é a mais problemática: o longa não causa medo. Mas, por outro lado, se vocês forem aos cinemas com a intenção de se assustarem, o filme consegue dar uns bons sustos (pelo menos eu dei alguns gritos no cinema). Isso, se dá ao nosso conhecido “jumpscares” (mudança abrupta de imagem com o objetivo de dar susto). O problema é que o susto acaba sempre sendo esperado e previsível, mas escapa pela construção das cenas em si. Eles surgem de momentos tensos, nos envolvendo naquele momento a ponto de ser difícil não se assustar na cena toda. Várias sequências são bem aterrorizantes e entretém, prendem nossa atenção e nos fazem ansiar pelo bem dos personagens envolvidos.

O problema é a repetição de clichês, como os próprios jumpscares, aparelhos ligando sozinhos e fumaças típicas de gelo seco, que são utilizadas para preparar o ambiente do susto.

O único problema que eu encontrei nos personagens é aquela insistência irritante — e que acontece na maiorias de outros terrores — de, mesmo estando um lugar assombrado, sempre se dividir e ir em direção à escuridão, falta de inteligência que inicia todas as cenas de terror.

A história de James Wan é intrigante e bastante eficiente – poderia ter rendido um filme muito mais assustador não fosse a direção de Hardy e o roteiro preguiçoso de Gary Dauberman. 

Não é um filme ruim, mas o marketing do longa acabou se transformando em falsas expectativas. E, sinceramente, a impressão de A Freira é de oportunidade perdida, de que o spin-off tinha tudo pra ser “o capítulo mais tenebroso da franquia” e ficou longe de ser.