Manto e Adaga, a nova série do canal Freeform em parceria com a Marvel, teve seu primeiro episódio lançado dia 7 de junho.

O âmbito que contextualiza a produção da série não é nada comparado as produções vistas até agora da Netflix. Talvez por se tratar de personagens menores do universo Marvel ou, ainda mais, por ser parte da grade de programação de um canal tradicional americano e não de um streaming famoso. Mas essa falta de holofotes não tira o dinamismo novo que Manto e Adaga trouxe para as histórias de super-heróis.

É bem diferente do que já foi visto até agora.

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A história se baseia em Tyrone Johnson (Manto) e Tandy Bowen (Adaga) que tem seus destinos cruzados quando eram pequenos. Tyrone testemunha a morte de seu irmão por um policial e o Tandy sofre um acidente de carro com seu pai. O irmão de Tyrone acaba caindo em um rio após o tiro e ele se atira para tentar salva-lo. O carro de Tandy cai neste mesmo rio. E no meio de todos esses acontecimentos uma explosão em uma empresa chamada Roxxon acaba provocando uma onda de energia que atinge tanto Tyrone quanto Tandy dentro do rio.

Essa ocorrido fez com que os dois ganhassem poderes especiais. Tandy pode criar cristais com a sua mão enquanto Tyrone desenvolveu a capacidade de se teleportar através de uma energia escura.

Mas, contrariando as leis naturais de filmes e séries de super-heróis, esses poderes acabam sendo segundo plano em meio a um drama de desenvolvimento dos personagens em seus episódios iniciais. E isso está bem longe de ser algo ruim.

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A série tem uma pegada mais adolescente, muito por causa da idade de seus personagens principais que estão ainda engatinhando para uma vida de jovem-adulto. E seu desenvolvimento é intrínseco. A história ressalta que os dois têm uma ligação absurdamente forte (apesar de nunca mais terem se visto após o acidente no rio e a explosão) e isso vai se fortalecendo com o passar da série e das coincidências contidas no roteiro.

Eles se encontram de novo, mas o ritmo é lento para sabermos mais sobre os poderes, mas em compensação os personagens são bem trabalhados e os episódios bem escritos para alternar entre os dois e seu passado. É fácil entender Tyrone e Tandy. E ainda mais fácil entender a demora para começar as explosões, socos, chutes e piadas com referência.

Parece até algo ruim os poderes demorarem para aparecer, mas isso é uma das características que te faz querer olhar ainda mais a série. Enquanto personagens têm seus próprios arcos, seus poderes vão dando as caras aos poucos. E a cada novo encontro dos dois fica mais claro que eles são parte de algo bem maior do que um simples drama adolescente.

Além da relação dos personagens principais, ainda existem os mistérios entrelaçados a empresa Roxxon e o pai de Tandy. Por isso Manto e Adaga tem muito ainda a contribuir para a série.

Em meio a uma trilha sonora muito boa, problemas sociais e mentais plausíveis da nossa realidade, metáforas, efeitos especiais e atuações teen que dão de dez a zero na Malhação temos uma série que pode se tornar um marco diferente na história cinematográfica da Marvel. Recomendo muito que deem uma chance para a série, Manto e Adaga está se encaminhando para ser digna de maratonas no futuro. Basta esperar.capa-Manto-e-adaga