O primeiro Deadpool já tinha fixado o terreno para filmes de super-herói com muito humor nonsense, milhares de referências à cultura pop, violência desmedida de toneladas de piadas sujas. Ou seja: Deadpool permitiu que Deadpool 2 fosse feito. (Tem um paradoxo temporal nesta frase, óbvio, mas ela está perfeitamente ajustada com a estrutura do filme, onde timelines, viagem no tempo e outras loucuras acontecem sem muita explicação).

(Isso foi um quase spoiler. Mas com Deadpool imagina-se que o espectador pode esperar de tudo.)

A trama do filme é bem simples: Cable (interpretado por Josh Brolin, que também fez o Thanos em Vingadores: Guerra Infinita) volta do futuro para assassinar um jovem mutante por razões que certamente são explicadas no filme mas que aqui apenas fariam o leitor ter raiva deste redator. Cabe a Deadpool tentar impedi-lo, com a ajuda de alguns heróis do primeiro filme e alguns novos personagens, no que acaba se tornando a X-Force. Ou uma versão dela.

A trama e o roteiro são bem simples, inclusive com algumas “falhas” de roteiro que são prontamente apontadas pelo próprio Deadpool, que chama os roteiristas de preguiçosos. (Ryan Reynolds interpreta o Deadpool, mas é também um dos roteiristas e um dos produtores do filme). No que é uma quebra constante de quarta parede (se é que há uma quarta parede em Deadpool, de tanto que o protagonista fala com o espectador ou se refere a elementos do filme enquanto eles acontecem) o filme é uma espécie de análise cômica do gênero de super-herói.

Este gênero está em evolução há pelo menos uma década, e Deadpool 2 aparece como o filme Pânico aparece para os filmes de terror. Ou o Cabin In The Woods. Um produto de auto-referenciação, totalmente meta. A discussão do que acontece é quase tanto importante quanto o que acontece na tela. Se Cable ataca o Deadpool de forma violenta e sem humor, o protagonista reclama que o jeitão sombrio dele parece um “filme do Universo DC”. Saber que é um filme abre portas ilimitadas para humor e comédia.

E é isso que Deadpool 2 é: uma excelente comédia. As piadas funcionam o tempo todo. Ou quase o tempo todo, se você tiver a cultura (e talvez a idade) para sacar as 1.022 referências culturais, que vão desde território conhecido dos nerds (X-Men e a franquia Exterminador do Futuro) passando por coisas talvez menos conhecidas como Yentl, o musical produzido, dirigido, roteirizado e estrelado por Barbra Streisand em 1983.

Sim, Deadpool 2 não conhece limites.

Ou melhor, talvez vá conhecer. Se o primeiro Deadpool era um azarão no mundo dos super-heróis, com orçamento baixo e trazido às telas em parte com a vontade sobre-humana de Ryan Reynolds, que tinha o filme como um projeto pessoal e queria de todo jeito vê-lo acontecendo, agora o Deadpool é uma força bem consolidada no cinema. Espera-se uma bilheteria grande. Espera-se sucesso. Espera-se reconhecimento. Talvez o filme tenha isso tudo, mas se uma coisa em Deadpool 2 foi mostrada é que não há muito para onde ir em termos criativos. Se Deadpool 3 vir a acontecer (e Ryan Reynolds disse que acha isso pouco provável) nós já sabemos que teremos mais 2 horas de piadas, humor, comédia, zoeira e sinônimos. E só.

screen-shot-2018-04-19-at-152057

De qualquer modo, este é um daqueles filmes ideais para fãs de quadrinhos de super-heróis em geral e pessoas que curtem humor com toneladas de referências. Se você não é essa pessoa talvez este filme não seja para você. (Mas a esta altura do campeonato esses chatos seres humanos já sabem disso e não irão se aventurar).

E alguns personagens bem interessantes são apresentados ao público. Tomara que a Fox decida fazer um filme da X-Force.

Isso sem falar que Deadpool 2 tem uma das cenas pós-crédito mais espetaculares de todos os filmes da Marvel.

940x0_1526044517